As primeiras moedas brasileiras

No início do período colonial, o meio circulante brasileiro foi sendo formado de modo aleatório, com as moedas trazidas pelos colonizadores, invasores e piratas que comercializavam na costa brasileira. Assim, ao lado das moedas portuguesas, circulavam também moedas das mais diversas nacionalidades, cuja equivalência era estabelecida em função do seu valor intrínseco (conteúdo metálico) ou seja, valiam o que pesavam.

A partir de 1580, com a formação da União Ibérica, verificou-se uma afluência muito grande de moedas de prata hispano-americanas (Reales), provenientes do Peru, graças ao florescente comércio que se desenvolveu através do Rio da Prata. Até o final do século XVII, os Reales espanhóis constituíram a parcela mais expressiva do dinheiro em circulação no Brasil.

As moedas portuguesas que aqui circulavam eram as mesmas da Metrópole, oriundas de diversos reinados. Cunhadas em ouro, prata e cobre, essas moedas tinham os seus valores estabelecidos em réis e possuíam às vezes denominações próprias, como Português, Cruzado, São Vicente, Tostão, Vintém. A moeda de 1 real, unidade do sistema monetário, era cunhada em cobre.

 Figura: Tostão de D. Manuel I

Figura: Real de D. Manuel I

Figura: Moeda hispano-americana de 4 Reales de Carlos I de Espanha, Casa da Moeda do México.

Foto de um raríssimo Tostão do cardeal-Rei D. Henrique.
Ex-Coleção Cruzado Lusitano, vendida em leilão Numisma 72, lote nr. 83.

Moeda de 8 Reales hispano-americano de D. Felipe II de Espanha, Casa da Moeda de Potosi.

“Graças a bem urdidas uniões dinásticas, não raro cimentadas pelo ouro dos astecas do México e a prata das minas de Potosi no Peru, em menos de um século a Espanha se tornara o império mais poderoso do mundo. Seus domínios espalhavam-se da Europa à Ásia, passando pela África e pelo Novo Mundo.

Em 1581, no mesmo ano em que os portugueses coroaram como seu rei o vizinho rei espanhol, no outro extremo da Europa, sob a liedrança da Holanda, algumas ricas possessões espanholas nos Países Baixos proclamaram-se uma república e deram início à guerra pela independência.

Ao amanhecer do dia 9 de maio de 1624, uma armada de vinte e sete navios da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais invadiu Salvador, capital da próvíncia portuguesa do Brasil. Traziam quinhentos canhões e três mil e cem homens, quase todos protestantes ou hebreus. Frente a tal poderio bélico, resistir aos que os jesuítas chamavam de hereges acabou se mostrando inútil. Liderados pelo bispo Dom Marcos Teixeira, a população local fugiu. Ficaram na cidade apenas o governador, sua família, três auxiliares e um morador de idade avançada, que se recusara a partir.

O velho recebeu os invasores à bala e acabou morto. Os holandeses colocaram o governador português e os demais funcionários sob custódia, se estabeleceram na cidade, explicaram suas intenções e convidaram o povo da Bahia a retornar às suas casas e conviver em paz com eles. Contrariando o bispo, a maioria voltou. Já uns poucos, capitaneados por um espanhol, escolheram combater os holandeses em luta de guerrilha.”

“Van Dorth” de Aydano Roriz

Pelo texto de Aydano Roriz, ao que tudo indica, não se tratava de uma invasão pura e simples, com exércitos enviados de uma nação à outra sem um escopo bem definido ou priva de significado, interessada apenas em pilhagem.
O certo é que o breve período em que os holandeses ocuparam as terras que hoje correspondem ao nordeste do Brasil, determinou um notável avanço naquela região. Não somente nas atividades comerciais marítimas, suas contribuições foram também notavelmente significativas na cultura, na ciência e na tecnologia. Esse parece ter sido também um período confuso nas tratativas políticas e sociais entre as três nações (Portugal, Espanha e Holanda), e que durou de 1624 a 1654.

Apesar da forte oposição lusitana, os holandeses não desistiam em tentar estabelecer na região, a sua própria colônia. Na verdade, foram três as oportunidades em que procuraram firmar sua presença na terra do pau-Brasil. Duas dessas tentativas se deram na Bahia, nos anos de 1624 e 1638; a outra, até certo ponto bem sucedida, teve lugar em Pernambuco, em 1630. Essas localidades foram os principais marcos definidos pelos holandeses en terras brasileiras.

Para a ocupação dessas terras, a Holanda se serviu dos interesses econômicos de uma empresa nacional que pretendia o privilégio de comercializar na América e África, à semelhança do que já fazia no Oriente. Conhecida como West-Indische Compagnie (W.I.C), originalmente em holandês denominada Geoctroyeerde West-Indische Compangnie ou simplesmente G.W.C, Companhia Privilegiada (licenciada ao comércio) das Índias Ocidentais, essa empresa de iniciativa privada intencionava ocupar uma região maior das terras luso-espanholas das Américas.

Com o privilégio de exploração por 24 anos, logo reuniram os recursos, cuja cifra se aproximou de sete milhões de guilders, dos quais 2.846.582 guilders vieram de investidores que viviam em Amsterdam.

A idéia dessa iniciativa surgiu durante as reuniões do conselho dessa Companhia, o que provavelmente fez parte de um plano maior apresentado aos Estados Gerais da União dos Países Paixos. Visto que, após a incorporação de Portugal à Coroa de Castela em 1580, os holandeses sentiram-se prejudicados e ameaçados - uma vez que cidades como Lisboa, Porto e Viena suspenderam seu comércio de produtos exóticos, madeira, tabaco e açúcar - passaram, então, a atacar os domínios da coroa espanhola, na África e no Novo Mundo, priorizando o contato direto com fontes produtoras na América.

A intenção inicial da W.I.C não priorizava a exploração das plantações de açúcar no Brazil. A Companhia das Índias Ocidentais preparou uma esquadra de 26 navios com 1400 marinheiros e 1700 soldados que, sob o comando do almirante Jacob Willekens dirige-se ao Brasil e, em 1624, invade a Bahia. No porto, encontravam-se 15 navios portugueses, dos quais 7 forão destruídos e 8  tomados pelos holandeses.

O governador Diogo Mendonça Furtado é posto sob custódia, assumindo o governo local, o Coronel Johan van Dorth, posteriormente assassinado em uma emboscada em 17 de junho de 1624.

Confiantes de que tal operação havia confirmado seu domínio no Brasil, em São Salvador na Bahia, a esquadra partiu. No fim de Julho de 1624 o almirante Jacob Willekens retorna à Holanda. Em 5 de agosto de 1624 , o vice-almirante Pieter Pieterszoon Heyn ou Piet Heyn se dirige para Angola.

De Angola Piet Heyn parte em Fevereiro de 1625 para retornar ao Brasil. Em 3 de Março de 1625 o conselho dos oficiais navais havia decidido retornar à província do Espírito Santo, com intuito de verificar a possibilidade de tomarem posse do local.

Em 13 de Março de 1625, Piet Heyn desembarca ali com 250 homens, porém, é vigorosamente repelido pela população local e pelas tropas de Salvador Corrêa de Sá no comando de 250 homens brancos e índios em quatro canoas e uma caravela que seu pai Martim de Sá, governador do Rio de janeiro, mandara em seu auxílio.

Derrotado, um imediato do almirante Jacob Willekens, que atacara a Bahia, foi enviado para o Caribe para atacar vários pontos da costa americana, mais precisamente o México (Nova Hispania). Em 1628 Piet Heyn estava liderando uma frota de 20 grandes navios e 11 yachts. Em Setembro, sua frota havia tomado cerca de 15 navios mercantes espanhóis em Matanzas Bay, apossando-se  da prata que ia do México para Espanha, num montante em torno de 13 a 14 milhões de guilders, dos quais cerca de 7 milhões de guilders em prata.

Esse montante foi fundamental para preparar a expedição que objetivava o retorno ao Brasil com a conquista de Pernambuco. Ainda, na Bahia, organiza-se uma resistência que poria fim ao domínio holandês na região, pelo período de aproximadamente 1 ano.

Outras tentativas como a de Pieter Pieterszoon Heyen de 1627 que saqueou o Recôncavo baiano se seguiram, o que estimulou a W.I.C. em promover novos ataques contra os portugueses. Porém a companhia encontrava-se sem fundos, e dessa forma não se arriscaria a outra grande expedição, com tropas de desembarque se não houvesse um reforço financeiro, o que só ocorreu graças a uma vitória naval, promovida pela frota de Piet Heyn, contra D. Juan Benevides, o que rendeu aos holandeses um montante de aproximadamente nove milhões de ducados.

As riquezas naturais da Capitania de Pernambuco (Zuikerland - Terra do açúcar) no início do séc. XVII já eram bastante conhecidas pelas grandes potências da época. Os Países Baixos necessitavam do açúcar que era produzido no Brasil, cuja produção de 121 engenhos, somente   em Pernambuco, despertou o interesse dos diretores da Companhia que, com o apoio da Inglaterra e França, rancorosos inimigos da Espanha mandaram armar uma extraordinária esquadra de 67 navios e 7.280 homens dos quais 2.325 eram soldados e 2515 marinheiros, sob comando do almirante Hendrick Corneliszoon Lonck.

Em 15 de fevereiro de 1630, inicia-se a operação comandada pelo almirante Lonck.


Sob seu comando estão o também almirante Pieter Adriaensz. Ita, o vice-almirante Joost banckert; comandando as tropas, o coronel Diederick van Waerdenburch que apresentam-se nas costas de Pernambuco. Assim se apresentavam as tropas holandesas nas costas de pernambuco, com o claro objetivo de atacar Olinda (a mais importante cidade da região, naquela época). A esquadra de 16 navios, sob o comando de Waerdenburch, desembarca em Pau Amarelo, com um enorme contingente de soldados e mais 300 marinheiros de apoio. Olinda é conquistada sem opor resistência. 

Os pernambucanos se organizam e remetem sucessivos ataques de guerrilhas aos invasores, impedindo-os de prosseguir com sua dominação ao interior.

Nesse meio tempo, os holandeses conseguem construir um forte na extremidade da ilha de Itamaracá e o guarnecem com 360 homens sob o comando do capitão polonês conhecido como Arciszewski (1592-1656). 

Em Abril de 1631, inicia-se uma operação sob o comando do almirante Adriaen Jansz. Pater à frente de uma frota com 15 navios, 3 big sloops, 7 barcos e 1260 soldados comandados pelo tenente-coronel Hartman Godefrid van Steyn Callenfels. Supondo que as forças portuguesas que haviam derrotado uma esquadra-reforço enviada pela Companhia fossem muito numerosas, incendeiam Olinda e pensam em abandonar Pernambuco. 

Em 1632, porém, com auxílio do mameluco Domingos Fernandes Calabar, rompem o cerco formado pelos portugueses e, em sucessivas vitórias, ampliam o domínio holandês em solo brasileiro. Finalmente, em 1633 a ilha de Itamaracá é conquistada por Sigismund von Schkopp.


Em janeiro de 1637, o governo holandês julga estabelecido seu domínio e escolhe um local onde fundam Recife como sede de seus domínios no Brasil. O motivo devia-se ao fato de que nessa localidade, gozavam da segurança de que não dispunham em Olinda.
A Recife holandesa possuía rios e canais muito similares aos que os holandeses estavam acostumados em sua pátria e Olinda situa-se em região montanhosa, muito semelhante as cidades portuguesas. Estabelecidos no território, o Conselho da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais decide, então, enviar ao Brasil um príncipe da família reinante, o conde João Maurício de Nassau-Siegen, para ocupar a função de governador-geral do Brasil Holandês.

O NORDESTE NASSOVIANO

Quando Maurício de Nassau* aportou em Pernambuco, em 23 de janeiro de 1637, trazia em sua comitiva, não um exército a escopo de conquistar terras ou escravizar a população, mas sim uma missão artística e científica. Ao chegar ao Brasil, procurou imediatamente estabelecer a segurança da colônia holandesa, e somente a este fim reuniu um exército capaz de conter o avanço das tropas luso-brasileiras.

Estabelecendo os limites das terras ocupadas pelos holandeses, o conde de Nassau-Siegen estava pronto para se dedicar à tarefa de restabelecimento econômico da colônia, restaurando a indústria açucareira que, com o abandono dos engenhos pelos antigos proprietários luso-brasileiros, e dos estragos causados pelas seguidas guerras, encontrava-se em precárias condições.

Assume o trono o nobre João de Bragança, que se transforma em D. João IV, procurando desde cedo, retomar as relações de amizade com todas as potências inimigas da monarquia espanhola.


Em 12 de junho de 1641, Portugal celebra com a Holanda um “Tratado de Aliança Defensiva e Ofensiva”. Porém, o Tratado não tem efeito nas colônias portuguesas em poder dos holandeses, no Brasil, que só recebem a notícia somente em 3 de Julho de 1642.

Diante dessas circunstâncias, aproveitando-se do momento, o conde Maurício de Nassau-Siegen amplia os domínios de seu governo ocupando Sergipe, Ceará e Maranhão. Pouco tempo depois, em 28 de fevereiro de 1644, os holandeses são expulsos do Maranhão e passam a concentrar suas atenções em Pernambuco.

Durante a administração do conde Maurício de Nassau-Siegen, o progresso vigorou de forma impressionante. As fronteiras foram finalmente estabelecidas do Maranhão à foz do Rio São Francisco. A cidade do Recife passou por inúmeros melhoramentos urbanísticos, como a instalação de duas pontes de grandes dimensões - a primeira ligando Recife à ilha Antônio Vaz e a outra da ilha Antônio Vaz ao continente. Supostamente essas foram as primeiras pontes construídas no Brasil.

Nesse período, Nassau construiu o palácio de Friburgo e a Casa da Boa Vista - um Horto Zoobotânico. Instalou o primeiro Observatório Astronômico das Américas e diversas outras obras de infra-estrutura, como nunca havia se visto na região.

Em 22 de maio de 1644, o conde Maurício de Nassau se vê obrigado a retornar à Europa, após sete anos de governo, por pressão da Companhia das Índias Ocidentais, que desejava imprimir à colônia rumos diferentes das nobres intenções de Nassau, um mecenas e desejava formar do Brasil holandês, uma nação próspera e forte, governando com justiça e sabedoria.

Procurou expandir o comércio, as artes, a indústria e as profissões liberais e incentivou a lavoura e a pecuária. 
Porém, seu programa de governo, ocasionaria despesas e reduziria os recursos imediatos da Companhia e, por isso, perdeu seu prestígio. 

Na verdade, a finalidade da Companhia era retirar o máximo proveito financeiro da colônia, pouco importando o progresso ou o futuro da mesma, arrancando-lhe tudo o que podia. Após a retirada de Nassau, a W.I.C. passou a extorquir os moradores locais e portugueses. Os colonos, então, procurando salvar suas economias, enterram o que possuíam no interior das florestas, o que provocou, cada vez mais, a falta de dinheiro em circulação. Para minimizar essa situação caótica, a Companhia enviou para Pernambuco 27.000 florins em moedas de um soldo, dois soldos e xelins; porém, a situação tornara-se irreversível.
Em 13 de junho de 1645, tem início a Insurreição Pernambucana e, com ela, cresceu o problema da crise monetária. O momento era de entressafra do açúcar e não havia dinheiro suficiente sequer para pagar as tropas, que eram compostas de mercenários de todas as nacionalidades, expostas aos ataques das tropas luso-brasileiras. Nesse meio tempo foi declarada a guerra entre Holanda e a Inglaterra (1652-1654). Esse fato favoreceu a Insurreição Pernambucana, visto que a Holanda ficava impossibilitada de socorrer sua colônia no Brasil. 

Os navios da Companhia da Índias Ocidentais também transportavam ouro proveniente da África, mais precisamente da Guiné. Tratando-se de mercadoria valiosa, todas as precauções eram tomadas para se evitar ataques de pirataria ou naufrágios em alto mar.

Os navios da Companhia da Índias Ocidentais também transportavam ouro proveniente da África, mais precisamente da Guiné. Tratando-se de mercadoria valiosa, todas as precauções eram tomadas para se evitar ataques de pirataria ou naufrágios em alto mar.

Os navios, que vinham da costa africana, faziam escala em Recife, onde coletavam correspondências, abasteciam e carregavam o navio de açúcar e pau-brasil e, quando conveniente, depositavam, com segurança, caixas de ouro em pepitas ou em barras, até o momento em que, partindo um comboio de navios para a Europa, pudessem ser transportadas com segurança para os cofres da Companhia, na Holanda.


* Johann Mauritius Van Nassau-Siegen era um homem dotado de qualidades excepcionais. Um nobre cavalheiro de origem alemã que teve formação humanista da melhor qualidade.
Competente como soldado, também conhecia a fundo a arquitetura, a história e as artes plásticas. Cuidou bem da cidade, dotando-a de palácios e fortificações. Sua corte era abrilhantada pela presença e pela obra de homens ilustres como o médico Willem Pies (1611-1678), o botânico Jorge Marcgrave (1610-1644), os pintores Franz Post (1612-ca.1680), Albert van der Eckhout (1637-1664) e Zacahrias Wagener (1617-1668) e pelo biógrafo de Nassau, Gaspar Barléus (1584-1648) autor de Rerum per Octennium in Brasilia (História dos feitos praticados durante oito anos no Brasil), considerada a mais monumental obra sobre o Brasil colonial. Nassau era amante de festas e admirador das belezas tropicais.
A Companhia das Índias Ocidentais era uma empresa de comércio semi-estatal. Nassau, contratado pela companhia, desembarcou no Recife, em 1637, na condição de governador, capitão e almirante-geral do Brasil holandês. 
Sua atuação no Brasil, em contraposição à colonização lusitana, católica, estatal e burocrática, foi uma administração sensata, racional e privatista, pontuada pela ética protestante e pelo espírito do capitalismo.


A primeira vez em que se faz referência à idéia de se cunhar moeda no Brasil pelos holandeses, deveu-se às necessidades militares e às dificuldades da tesouraria da Companhia das Índias Ocidentais. 

Lutando com a falta de numerário, o Alto e Secreto Conselho começou a vender e hipotecar as mercadorias que tinham em depósito. Em ata de 21 de julho de 1645, o órgão supremo da administração local da colônia brasileira, descreve que já havia disponibilizado para venda, aproximadamente 741 kg de ouro, retirados da última remessa vinda da Guiné. 

Com a crítica situação em que se encontravam, pela escassez de numerário face à necessidade de dispor de dinheiro para o pagamento da milícia, serviços e víveres, os holandeses resolvem mandar cunhar moedas de ouro de XII, VI e III florins, tendo de um lado a marca da companhia e do outro a data, conferindo-lhes um aumento de 20% no valor do metal, evitando que as mesmas saíssem do país, podendo ser recolhidas no futuro. 

A decisão de se cunhar moedas só foi tomada pelo Alto e Secreto Conselho na sessão de 18 de agosto de 1645. O Conselheiro Pieter Jansen Bas, foi o encarregado da produção das moedas brasileiras, mediante concessão formal, e isento de qualquer acusação futura. A cunhagem das moedas para suprir as necessidades dos holandeses começou imediatamente, e a 14 de setembro de 1645 foram remetidos exemplares, de cada um dos valores, ao Conselho dos XIX, na Holanda. Finalmente, a 10 de outubro de 1645, Pieter  Bas ordenou o início da cunhagem dos ducados brasileiros para circulação local. 

As moedas cunhadas pelos Holandeses em Pernambuco nos anos de 1645 e 1646 e, posteriormente sob cerco em 1654, foram as primeiras cunhagens efetuadas em território brasileiro com a indicação “Brasil”.

Essas moedas eram batidas em “placas” quadrangulares de ouro, nos valores XII; VI e III florins com as iniciais da Companhia e valor (dentro de um colar de pérolas) no anverso; e as palavras ANNO/BRASIL (e data), dentro de um colar de pérolas, no reverso. Foram também batidas, em prata, moedas no valor XII soldos, unifaciais, com a indicação da data de emissão, do valor, e das letras GWC, sigla da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais (Geoctroyeerde West-Indische Compangnie).
  
As remessas de florins, soldos e xelins provenientes da Holanda não eram suficientes para atender as necessidades da administração holandesa no Brasil, durante os anos de ocupação. Para suprir a falta de recursos, o Conselho utilizou o ouro vindo da Guiné destinado à Holanda para cunhar, em 1645, moedas de XII, VI e III florins e no ano seguinte fez nova emissão com o restante do ouro.  

Estas moedas chamadas de obsidionais* (de emergência ou de necessidade do invasor) foram as primeiras cunhadas no Brasil e são muito raras. São destacadas das demais moedas pela sua forma quadrangular e pela pouca espessura.  As moedas de prata de XII soldos de 1654 foram produzidas após a capitulação dos holandeses, com características semelhantes às de ouro, consideradas também moedas de necessidade do invasor.

Os valores X, XX, XXX e XXXX soldos, segundo vários pesquisadores e estudiosos, são falsas, jamais tendo sido cunhadas pelos holandeses. 

Um estudo preliminar de algumas moedas holandesas  da  Coleção do Museu Histórico Nacional, foi realizado em 2007 pelo Centre de Recerche et de Restauration des Musées de France,  juntamente com Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT) e pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT).

Foram examinadas as moedas de III, VI e XII Florins de 1645, aléem de um XXXX sooldos de 1654. O estudo, porém, não é conclusivo sobre a autenticidade da cunhagem pelos holandeses. Pode ter sido cunhada durante aquele período, o que não atesta a sua autenticidade. 

É importante esclarecer que não existe qualquer documentação, nos arquivos da GWC que atestem a cunhagem de moedas de X, XX, XXX ou XXXX soldos. Sendo o sistema duodecimal, admitia múltiplos e submúltiplos de 12, o que certamente excluía tais valores.

A seguir, foto da análise do XXXX soldos, pertencente à Coleção do Museu Histórico Nacional, constante no referido estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT).



A seguir, o desenho do raríssimo XII soldos.


São visíveis as diferenças. A iniciar pelo “W” de GWC, a exemplo do “X” em REX, o “W”, composto de “2 Vs”, tem seus traços direitos duplos, fato observado por qualquer abridor de cunhos. Somente isso já demonstra que o cunho foi aberto por um leigo e não por um profissional que conhecia seu trabalho. Também é “gritante” a diferença entre o “6” do XXXX soldos e o do XII soldos. A pesquisa faz referência a defeitos que atribui à má qualidade de gravação do cunho (pág. 297 do artigo publicado na Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação, Vol. 1, nr. 6)

Segue parte do texto do referido estudo:

Foram observadas as letras “G” e “C” na região de cruzamento do “W” . As imagens em elétrons retroespalhados obtidas no MEV  nessa região, mostram os efeitos do gume de cunho e o defeito gravação de cunho do topo da letra “C”.

Foram também observados os três últimos “X” da legenda “XXXX”, bem como os detalhes do cunho no topo do terceiro “X” desta legenda.

Quando a imagem é ampliada, um certo número de inclusões de cor branca surgem na região em torno do terceiro “X”. De modo a explicar estas inclusões, também encontradas em muitas outras zonas da moeda, procedemos a uma análise por intermédio do sistema EDS do MEV.

A análise da composição destas inclusões mostra que se trata de finas partículas de Au incluídas na matriz de Ag. Essas inclusões são possivelmente devidas ao fato de as moedas de Au e Ag terem sido fabricadas com elementos de um mesmo equipamento de cunhagem.
Foram também observados vários detalhes da data de emissão, onde aparecem claramente defeitos no número “6”. Esses defeitos podem ter sido devidos à má qualidade da gravação do cunho.

Curiosamente, o relevo na zona central do bordo desta moeda, observado no MO mostra, ao contrário do que se observa nas moedas de Au, que provavelmente deve ter sido cortado com um instrumento do tipo de tesoura. 

O corte talvez não tivesse sido efetuado até o final do bordo, tendo o último pedaço sido “arrancado” em vez de completamente cortado.
É necessário esclarecer que o tempo que separa as últimas cunhagens de Florins de ouro, das primeiras dos Soldos de prata é de, pelo menos, 9 anos. As partículas de ouro presentes nos cunhos das moedas de prata, somente servem a atestar que foram batidas na mesma época e não em períodos diversos, com espaçamento de 9 anos. 

Junte-se a isso as moedas falsas de ouro da “botija de Recife” nos valores de X, XX, XXX, e XXXX florins para concluir o óbvio.


HOLANDESAS - AS PRIMEIRAS MOEDAS COM O NOME BRASIL

Estas moedas, chamadas de obsidionais* (de emergência ou de necessidade do invasor), foram as primeiras cunhadas no Brasil e são muito raras. São destacadas das demais moedas pela sua forma romboidal e pela pouca espessura.  As moedas de prata de XII soldos de 1654 foram produzidas após a capitulação dos holandeses, com características semelhantes às de ouro, consideradas também moedas de necessidade do invasor, sendo muito mais raras que as de ouro.
Face à inexistência de ferramentas e materiais adequados, bem como à urgência do trabalho, as moedas foram feitas de forma bastante rudimentar, como mostrado na figura a seguir.


Em meados de julho de 1645, o navio Zeeland, recém chegado da Guiné, transportava 360 marcos ou cerca de 309 quilogramas de pepitas de ouro. A Companhia das Índias Ocidentais que encontrava-se sitiada e constantemente atacada pelos luso-brasileiros, resolveu lançar mão de  aproximadamente 90 quilogramas dessa carga,  para  comercialização imediata e transformação do metal em moeda, com aumento de 20% do valor para posterior recompra, dessa forma suprindo suas necessidades básicas como alimentação e pagamento dos soldos dos mercenários contratados para sua proteção.

Legalmente, um Marco de ouro (247,047 g.) de título 9162/3, deveria fornecer, durante o processo de cunhagem, 32 moedas de XII Florins (com peso de 7,72 gr. ou 5 engels) e para as de VI e III Florins, 64 e 128 moedas respectivamente, com peso proporcional.

Em trabalho intitulado “The Coins of the Dutch Overseas Territories”, C. Scholten indica como peso legal, 7,690 gr; 3,845 gr e 1,920 gr, respectivamente.


Tal se deveu ao fato de haver tomado por base, de forma equivocada, o Marco de Amsterdã que pesava 246,084 gr., quando o correto seria fazê-lo pelo Marco da Batávia que pesava 247,047 gr. ou 160 engels.

Os holandeses comercializavam o ouro da Guiné a 37 Florins por Onça, ou seja, 296 Florins por Marco. Cunhando as moedas, apuravam um valor muito maior, já que estas entravam em circulação com um valor superior em 20% ao seu valor intrínseco. Porém, para a G.W.C., o ano de 1646 tratou-se de um período bastante complicado.

Na realidade, o que se seguiu foi a maior crise que a Companhia sofreu durante toda a ocupação em terras brasileiras. A situação econômica e social agravou-se a tal ponto, que a população, devido ao flagelo da fome, passou a dar a caça a todos os animais da região. Cavalos, aves, cães, gatos e ratos chegaram ao limiar de sua extinção durante aquele período.

A exigüidade de moeda obrigou os holandeses a repetir a operação de retirada de ouro dos navios que vinham da África com destino à Europa. Em agosto de 1646, retiraram 405 marcos de ouro, dos quais 50 foram vendidos a peso e 355 foram entregues ao Conselheiro Pieter Janssen Bas, para a cunhagem de novas moedas obsidionais.

Utilizando-se do mesmo regimento, a “Instrução” de 10 de outubro de 1645, Pieter Janssen Bas convocou os mesmos ourives que realizaram o trabalho de cunhagem das moedas, no ano 1645.

Em 27 de agosto de 1646, deu-se início às atividades de cunhagem, operação realizada com grande dificuldade devido à péssima qualidade e capacidade dos cadinhos para fundição do ouro e dos equipamentos empregados.

Durante a cunhagem de 1646, de acordo com a documentação oficial existente, foram abertos 16 novos cunhos, mas se verifica que pela perolagem das moedas conhecidas como autênticas, foram utilizados 18 cunhos. Devemos recordar que nesse período foram usados cunhos de 1645, devidamente restaurados. No entanto, há de se considerar que somente os cunhos de anverso, por não apresentarem a data da moeda, puderam ser restaurados e reaproveitados. 

Figura: Imagem ampliada de um VI Florins em excelente estado de conservação, vendido pela casa de leilões numismáticos Kunker em 21/06/2005, lote nr. 235 - Valor final: € 12.500 (12.500 euros). Acervo particular. Coleção Bentes.


Figura: Imagem ampliada de um raro III Florins ano 1645 em excelente estado de conservação. Acervo particular.
  
Observações: Alguns autores consideram a expressão “moedas obsidionais” (do latim obsidio, obsidionis, invasão), como um equívoco no que tange as moedas cunhadas pelos holandeses no Brasil. Segundo estes estudiosos, as moedas de necessidade se dividem em dois tipos principais: as dos invasores, que cunham geralmente para o pagamento dos soldados, e a dos invadidos, que na necessidade de fazer circular dinheiro durante a “reclusão”, usam metal não precioso, por vezes até não-metal. As moedas cunhadas pelos invadidos seriam chamadas de obsidionais, enquanto que as cunhadas pelos invasores (o que seria o caso dos holandeses, responsáveis pelos florins e stuivers), seriam chamadas CASTRENSES, do latim castris, castris – acampamento.

1) As moedas de X, XX, XXX e XXXX soldos que frequentemente aparecem em alguns catálogos e leilões eletrônicos são falsas. A única moeda obsidional de prata reconhecida autêntica por nós, e por autores especializados no assunto, é aquela de XII soldos.

2) Existem falsificações de todos os valores em grande quantidade. São extremamente raros os exemplares autênticos e da mais alta raridade o XII soldos de prata. Devido ao fato de serem moedas desejadas por todos os colecionadores, pelo seu significado histórico e raridade, existe no mercado grande número de moedas falsas batidas com cunhos grosseiros e vendidos por comerciantes inescrupulosos. Assim, aconselhamos a máxima cautela em adquiri-las.

3) A expressão “obsidionais” deriva do do latim obsidio (obsidionis – invasão). O termo é assim usado em referência às moedas “batidas” durante a ocupação de um território, em caráter de emergência, para pagamentos gerais e das tropas. Porém, alguns autores preferem dividir estas moedas moedas de necessidade em dois tipos distintos:

• Aquela dos invasores, cunhadas geralmente para o pagamento dos soldados, e

• Aquela dos invadidos, que na necessidade de fazer circular dinheiro durante a “reclusão”, usam metal não precioso, por vezes até não-metais. Na opinião destes estudiosos,  “obsidionais” seriam as moedas cunhadas pelos invadidos, enquanto aquelas cunhadas pelos invasores (no caso os holandeses, responsáveis pela cunhagem de florins e stuivers, que invadiram o nordeste do Brasil em 1612),  deveriam ser denominadas “CASTRENSES”, do latim castrum, castri (acampamento).

4) Após a derrota na Batalha de Tabocas, e encontrando-se sitiados no Recife, os holandeses encontravam-se em dificuldades devido à falta de numerário para o pagamentos gerais (despesas de manutenção e soldados). Assim, ordenaram a cunhagem de Florins (Ducados) em caráter de emergência nos anos 1645 e 1646.

5) No ano de 1654, “bateram” moedas de prata (Stuivers ou Soldos), em liga de baixo teor, somente para pagamento das tropas, no único valor de XII Soldos, apesar da autorização para cunharem também os valores I e III que não chegaram a ser cunhados.

Fim do artigo.

As moedas de 960 Réis


D. João nasceu em Lisboa em 13 de Maio de 1767 tendo sido batizado como João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança. Segundo filho de D. Maria I e de D. Pedro III (tio desta), tornou-se herdeiro da coroa como Príncipe do Brasil e 21º Duque de Bragança após a morte do irmão mais velho José (Duque de Bragança em 11 de setembro de 1788), vitimado pela varíola. Viu-se obrigado a assumir o governo ainda muito jovem, à idade de 25 anos (10 de Fevereiro de 1792) devido à doença da rainha mae. Foi sucessivamente Duque de Bragança, Príncipe do Brasil, Príncipe Regente de Portugal, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Rei de Portugal e Imperador Titular do Brasil. A partir de 15 de Julho de 1799, assume o governo na qualidade de Príncipe Regente, até a morte de sua mãe. Em 16 de dezembro de 1815 foi Príncipe Regente do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves.


A guerra do Rossilhão (1793), a guerra com a Espanha e o desastroso tratado de paz de Badajoz, marcaram os primeiros tempos de regência.
Em 1793, aliou-se à Espanha no combate à Revolução Francesa, que ameaçava todas as monarquias européias. Em 1801, Napoleão, que reiniciara a luta contra a Inglaterra, e procurava aliados, convenceu a Espanha a atacar Portugal e D. João, não tendo condições de enfrentá-la, pediu a paz, prometendo fechar seus portos à Inglaterra. Contudo, a economia portuguesa estava profundamente ligada a este país e também corria o risco de ver seus portos bloqueados pela poderosa armada inglesa. Ao mesmo tempo, Carlota Joaquina, fiel às suas origens espanholas, conspirava na corte portuguesa planejando, inclusive, tomar a regência a D. João que tentava ganhar tempo. Porém, em 1806, Napoleão I fez um ultimato: ou fechava os portos à Inglaterra ou a França invadiria Portugal.



Em 1807, Napoleão assina com a Espanha um tratado que suprimia o Reino de Portugal do mapa político da Europa, dividindo o território português em três estados que seriam “dados” ao Rei da Etrúria, ao Príncipe da Paz, ficando a França com o terceiro. Nesse ano, um exército comandado por Junot invadiu Portugal.

D. João decide então a saída da família real para o Brasil, escapando à invasão napoleônica e ao perigo que representava para a manutenção da autonomia portuguesa. O desejo de manter o Brasil em poder de Portugal, o fez ainda mais dependente em relação à Inglaterra, com a imposição da abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional e o tratado Luso-Britânico de 1810, desastroso para a economia portuguesa.


Embarcaram para o Brasil a rainha D. Maria I, D. João, sua esposa D. Carlota Joaquina, seus filhos D. Pedro e D. Miguel, , suas filhas as infantas Maria Teresa de Bragança, Maria Isabel de Bragança, Maria da Assunção de Bragança, Isabel Maria de Bragança, Maria Francisca de Assis e Ana de Jesus Maria de Bragança e ainda as infantas D. Maria Ana Francisca e a viúva D. Maria Francisca Benedita, irmãs da Rainha, e o infante Pedro Carlos da Espanha, além de praticamente toda a corte, fidalgos e nobres.

Em 22 de Janeiro de 1808, D. João chegou com sua corte a Salvador. Diante das disputas entre a Inglaterra e a França, pensando poder estabelecer a paz, chegou a oferecer seu filho D. Pedro de apenas nove anos em casamento com a sobrinha do monarca francês, nao obtendo sucesso.

Na Bahia em 28 de Janeiro de 1808 decretou a abertura dos portos brasileiros às nações amigas

(entre as quais, evidentemente, a Inglaterra). Aconselhado por José da Silva Lisboa, que mais tarde torna-se-ia o Visconde de Cairu, decretou a abertura dos portos brasileiros, pondo fim ao Pacto Colonial. Foi o ato que mais celebrizou seu governo na América portuguesa. A Inglaterra foi a maior beneficiada pois em 1810 foi assinado o tratado de comércio e navegação que fixava em 15% a taxa alfandegária sobre produtos ingleses vendidos para o Brasil. Um grande privilégio, já que os demais países pagavam uma taxa de 24% e Portugal 16%. Somente em 1816 igualaram-se as taxas inglesa e portuguesa.

Em março, D. João transferiu-se para o Rio de Janeiro, transformando a cidade em sede da Monarquia. Ali formou o seu Ministério, aboliu a proibição da criação de indústrias, atacou e ocupou a Guiana Francesa, fundou escolas, bibliotecas, etc. Enquanto isso, na Europa, Napoleão destituia o rei de Espanha e em seu lugar colocava José Bonaparte, seu irmão.


Um pouco de História.

A mudança da família real e da Corte portuguesa para o Brasil foi conseqüência da situação européia no início do século XIX. Naquela época, a Europa estava inteiramente dominada pelo imperador dos franceses, Napoleão Bonaparte que através de sua política expansionista, submetera a maior parte dos países europeus à dominação francesa. O principal inimigo de Napoleão era a Inglaterra, cuja poderosa armada o imperador não pudera vencer. Em 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental, obrigando todas as nações da Europa continental a fecharem seus portos ao comércio inglês. Com essa medida, Napoleão pretendia enfraquecer a Inglaterra, privando-a de seus mercados consumidores e de suas fontes de abastecimento. Nessa época, Portugal era governado pelo Príncipe Regente Dom João, pois sua mãe, a Rainha Dona Maria I, sofria das faculdades mentais. Pressionado por Napoleão, que exigia o fechamento dos portos portugueses ao comércio inglês, e ao mesmo tempo pretendendo manter as relações com a Inglaterra, Dom João tentou adiar ao máximo uma decisão definitiva sobre o assunto.

Se aderisse ao Bloqueio Continental, Portugal ficaria em condições extremamente difíceis, porque a economia portuguesa dependia basicamente da Inglaterra. Os ingleses eram os maiores fornecedores dos produtos manufaturados consumidos em Portugal e também os maiores compradores das mercadorias portuguesas e brasileiras. A Inglaterra, por sua vez, também não queria perder seu velho aliado, principalmente porque o Brasil representava um excelente mercado consumidor de seus produtos. Para resolver a situação de acordo com os interesses de seu país, o embaixador inglês em Lisboa, Lorde Percy Clinton Smith, Visconte de Strangford, conseguiu convencer Dom João a transferir-se com sua Corte para o Brasil. Desse modo, os ingleses garantiam o acesso ao mercado consumidor brasileiro.

A transferência da Corte era uma boa solução também para a família real, pois evitava a deposição da dinastia de Bragança pelas forças napoleônicas. O Tratado de Fontainebleau, estabelecido entre a França e a Espanha em outubro de 1807, apressou a decisão do Príncipe Regente Dom João a abandonar a metrópole. Por aquele tratado, Portugal e suas colônias, inclusive o Brasil, seriam repartidos entre a França e a Espanha. No dia 29 de novembro, Dom João e sua família, acompanhados por um séquito de pouco mais de 750 pessoas, partiram para o Brasil. No dia seguinte, as tropas francesas do general Junot invadiram Lisboa. Quatro navios britânicos escoltaram as embarcações portuguesas até o Brasil; parte da esquadra portuguesa aportou na Bahia e parte no Rio de Janeiro. A chegada de Dom João à Bahia, onde ficou pouco mais de um mês, ocorreu em 22 de janeiro de 1808.


Teve início, então, uma nova História do Brasil, pois a colônia foi a grande beneficiada com a transferência da Corte. A presença da administração real criou, pouco a pouco, condições para a futura emancipação política da colônia. Da Bahia, Dom João seguiu para o Rio de Janeiro. Ali, o alojamento da numerosa comitiva do príncipe causou grandes problemas. As melhores residências da cidade foram requisitadas para os altos funcionários da Corte, não sendo poucas as pessoas despejadas de suas casas para hospedar os recém-chegados.

O Brasil ainda era uma colônia quando a Família Real desembarcou na Bahia, depois de quase 2 meses de exaustiva viagem. Esta chegada repentina de cerca 800 pessoas acostumadas com o luxo e o conforto da corte portuguesa, causou um aumento inesperado nas despesas da Colônia, agravando a já difícil situação em que se encontrava o Tesouro Real.

A contramarca de Minas Gerais

Quando D. João Príncipe Regente chegou ao Brasil em 1808, circulavam legalmente no país, moedas de ouro, prata e cobre. Entre as moedas de prata oficiais, circulavam os 80, 160, 320 e 640 Réis(*¹). Também circulavam nessa época, uma grande variedade de moedas estrangeiras de prata. Essas moedas que circulavam livremente, eram originárias da Espanha e de suas colônias americanas (Bolívia, Peru, Chile, Argentina, México e Guatemala) e possuíam um diâmetro que variava de 37 a 42 mm. Pesavam em torno de 27 gramas e o seu teor de prata era, em geral, de 896 a 917 partes por 1000. Conhecidas como Pesos Espanhóis, as moedas hispano-americanas e metropolitanas de 8 Reales circulavam valendo de 320 Réis a princípio, a 750 Réis quando foi proibida a sua circulação pelo Alvará de 01 de Setembro de 1808 Réis(*²) . A partir desta data, a Coroa determinou que os 8 Reales fossem recolhidos e com o Aviso de 9 de novembro de 1808 ordenou que fossem enviados às 4 casas de fundição de MINAS GERAIS (Vila Rica, Sabará, Serro Frio e Rio das Mortes), 24 pares de cunhos com as Armas Reais para a carimbagem dos Pesos Espanhóis, divididos em 6 pares para cada uma das 4 casas de fundição. Foram enviados inicialmente (novembro de 1808) 70.137 pesos à Junta de Fazenda de Minas Gerais que depois de carimbados, deveriam ser empregados no resgate dos outros cuja circulação havia sido proibida. Em junho de 1809 houve autorização para compra de 100.000 pesos, ao preço unitário de 800 réis, para serem remetidos às províncias de Goiás, Mato Grosso e São Paulo para que nestes locais fossem aplicadas as determinações do Alvará de outubro de 1808, o que indica que, provavelmete, a carimbagem não se restringiu apenas à província de Minas Gerais. O “Carimbo de Minas” tinha o carater de moeda regional, devendo circular exclusivamente na Provincia de Minas Gerais e nao se sabe, com certeza, se houve remessa de pesos ou de cunhos para outras províncias.




Surgia assim a contramarca bifacial e circular, de aproximadamente 17mm de diâmetro, e limitada por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o escudo português encimado pela Coroa Real arrematada por cruz latina singela, ladeado por dois ramos frutificados de louro que se cruzam na parte inferior onde, sob o cruzamento dos ramos, lê-se o valor 960 .
Em novembro de 1809 foi criada a moeda de “três patacas” ou “patacão” (960 réis), pondo-se fim à aplicação da contramarca nos pesos espanhóis. Desta forma, podemos concluir que, desde a sua instituição em outubro de 1808 (partindo da remessa de cunhos em novembro do mesmo ano) até a criação da moeda de “ três patacas “, a aplicação da contramarca de 960 réis, mais conhecida como Carimbo de Minas, foi limitada ao período de novembro de 1808 a dezembro de 1809 (praticamente, um ano).


O carimbo

É bi-facial, circular, tendo aproximadamente 17 mm de diâmetro, limitado por uma cercadura de traços radiais. Era aplicado de modo a que ANVERSO e REVERSO do carimbo correspondessem ao ANVERSO e REVERSO da moeda espanhola. Vinha geralmente aplicado na metade inferior desta, permitindo, na grande maioria dos casos, a leitura da data primitiva da moeda que recebia o carimbo. Por haverem sido contramarcadas pela primeira vez nas casas de fundição de Minas Gerais, essas moedas são hoje conhecidas como “CARIMBOS DE MINAS”.


(*1) – Os 20 e 40 réis de prata haviam sido extintos, prevalecendo as moedas de cobre com estes valores.
(*2) - Manoel Jacinto Nogueira da Gama, escrivão deputado da Junta da Fazenda e futuro Marquês de Baependi, em princípios de 1808, em ofício que dirigiu ao Ministro Dom Rodrigo de Souza Coutinho, Conde de Linhares, sugeriu a “... aplicação de um carimbo nos pesos espanhóis “, com o valor de 960 réis. A idéia foi bem aceita, tendo sido determinada a sua execução por Alvará de 1° de setembro de 1808. Um novo Alvará, com data de 8 de outubro do mesmo ano, determinava que em Minas Gerais não circulassem mais os pesos espanhóis sem a contra-marca e que nem mesmo fossem negociados como gênero de comércio. A partir de então, os pesos marcados com o carimbo de 960 réis passaram a circular como moeda provincial.
(*3) – Pataca: Dizem alguns autores ser esta palavra derivada do árabe “ABUTACA”. Nesse idioma ela se apresenta como “PATAC“. Como “PATARD ou PATAR”, foi pequena moeda de cobre tendo curso em Flandres e na França, onde se empregou como sinônimo de “óbulo” para designar uma moeda sem valor. Alguns numismatas franceses dizem que PATAR pode ser uma corrupção de Peter, forma alemã de Pedro, porque o PATAR de Flandres tem sobre uma das faces a imagem do santo desse nome. Hoffman no seu livro das moedas reais da França até Louis XVI, descreve dois interessantes “PATARDS” de Louis XI ( 1461-1583 ). No Brasil, a palavra PATACA foi usada para caracterizar a moeda espanhola de 8 reales que a príncipio valia 320 réis. Ficou depois, no sistema provincial, como denominação da peça desse valor. ( Ensaios de Numismática e Ourivessaria – Mário Barata ). Pataca: Moeda brasileira de prata com o valor circulatório de 320 réis ( Glossário Numismático – Kurt Prober ) Patacão: Moeda portuguesa de cobre ( 10 réis ) de D. João II. Nome popular e mesmo oficial dado no Brasil à moeda de prata de 960 réis. Equivale a 3 patacas. ( Glossário Numismático – Kurt Prober ).


Anverso do carimbo: Escudo português, encimado pela coroa real arrematada por cruz latina singela, ladeado por dois ramos frutificados de louro que se cruzam na parte inferior. No exergo, sob o cruzamento dos ramos, aparece o valor 960.


Reverso do carimbo: Esfera armilar encimada por cruz latina singela e arrematada por um “pé”. Em média o diâmetro da esfera é de 11,5 mm havendo, ao seu redor, um largo campo liso. Quanto à posição, podemos dizer que o REVERSO é intencionalmente “direito”, embora seja frequente encontrá-lo com pequena inclinação.


TIPOS DE CARIMBOS

Existem dois tipos de carimbos. Esta classificação é baseada no cunho de anverso do carimbo, basicamente caracterizado por um ponto ( ou a ausência deste ) no cruzamento das hastes dos ramos que se encontram logo acima do valor 960.


1° tipo: COM PONTO no cruzamento das hastes. Os ramos de louro têm 11 x 11 folhas e 5 x 5 frutos. Folhas: 5 externas; 5 internas e uma ao final do ramo Frutos: 2 externos e 3 internos




2° tipo: SEM PONTO no cruzamento das hastes. Os ramos de louro têm 17 x 17 folhas e 7 x 7 frutos. Folhas: 8 externas; 8 internas e uma ao final do ramo Frutos: 3 externos e 4 internos



A identificação do carimbo, por tipo, deve ser feita sempre pelo anverso, bastando para tanto, verificar se existe ou não o ponto no cruzamento das hastes, entre o escudo e o valor 960. É muito difícil uma falha de cunho atingir o ponto, mas se isto acontecer, resta como alternativa recorrer ao número de folhas e de frutos.

1° tipo: 11 x 11 folhas e 5 x 5 frutos
2° tipo: 17 x 17 folhas e 7 x 7 frutos.

Ainda é possível identificar os Carimbos de Minas por variantes. Esta classificação é feita através da combinação dos cunhos de reverso com os dois tipos de cunho de anverso e confirmada com a descrição completa dos carimbos.

O primeiro estudo sobre o assunto foi realizado pelo numismata Kurt Prober, em 1947 em seu trabalho intitulado “Carimbos de Minas”, onde a numeraçao que atribuiu aos carimbos com a finalidade de classifica-los por variantes, revela-nos uma minuciosa atençao aos detalhes particulares dos exemplares estudados. Com isso, conseguiu demonstrar, inclusive que os cunhos foram usados depois em barras de ouro, o que possibilitou a determinaçao do local de aplicaçao de grande parte dos carimbos.

Desta forma, Kurt Prober conseguiu associar às casas de fundição, diversas variantes de cunho, perfazendo um total de 20 cunhos de anverso e 19 cunhos de reverso. São estes:

• Vila Rica - 3 cunhos de anverso e 1 cunho de reverso
• Sabará - 1 cunho de anverso e 2 cunhos de reverso
• Serro Frio - 8 cunhos de anverso e 7 cunhos de reverso
• Indefinidos - 8 cunhos de anverso e 9 cunhos de reverso.

Como foram abertos 24 pares de cunhos, de acordo com o estudo realizado por Prober restavam desconhecidos 4 cunhos de anverso e 5 cunhos de reverso. Estranhamente, a conclusao nos conduz a 8 cunhos de anverso e 7 cunhos de reverso atribuidos a Serro Frio, quando na verdade a informaçao que temos é a de que cada casa de fundiçao deveria rceber 6 pares de cunho (anverso e reverso).
O numismata Nogueira da Gama publicou, em 1961, um trabalho minucioso onde catalogou as variantes dos Carimbos de Minas, classificando-as segundo um criterio ao qual chamou de “formulas”. Em seu minucioso trabalho encontramos explicaçoes detalhadas de seu metodo para classificaçao dos Carimbos de Minas.
Quase tres anos depois, publicou um aditamento a este estudo (setembro de 1963), onde revela o surgimento de novas variantes, chegando a catalogar 22 anversos e 22 reversos. Classificando as variantes segundo o criterio “COM PONTO” e “SEM PONTO” no cruzamento das hastes, combinou estes 22 cunhos de anverso com os 22 de reverso, chegando a um total de 44 variantes. Em outras palavras :

Anverso “COM PONTO” – associado com 22 cunhos de reverso.
Anverso “SEM PONTO” – associado com 22 cunhos de reverso.

Total: 44 variantes

Caso a classificaçao fosse feita seguindo o critério de combinar 24 cunhos de anverso com 24 cunhos de reverso e admitindo a hipotese de que todos poderiam combinar entre si, teriamos 576 variantes. Por isso, o criterio adotado é mais logico. Mesmo porque a possibilidade de todos se combinarem é muito remota, pois os 24 pares de cunhos nao foram enviados todos ao mesmo local, impossibilitando a combinaçao plena. Mesmo assim, levando em conta que estes foram remetidos a quatro provincias e em mesmo numero, poderiamos ter 6 anversos, cada um deles combinando com 6 reversos, o que possibilitaria 36 combinaçoes diversas em cada provincia, chegando a um total de 144 variantes. Adotando-se o método de combinar 2 variaçoes de anverso (com e sem ponto) com as variaçoes de reverso e considerando que cada provincia recebeu 6 cunhos, teriamos 12 variantes , em cada provincia, perfazendo um total de 48 variantes, sendo 24 de anverso “COM PONTO” e 24 de anverso “SEM PONTO”.


Outras contramarcas de 960 Réis
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-..-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
-Carimbo Mato Grosso
-Carimbo Cuyaba (escrito por extenso)
-Carimbo 960 com a letra C (Cuyaba)
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

Carimbo Mato Grosso – Contramarca bifacial e circular de aproximadamente 17mm de diâmetro e limitado por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o escudo Português encimado pela coroa real, arrematada por cruz latina singela. Possui legenda circular posicionada abaixo do escudo com os dizeres “MATO GROSSO”. Não possui o valor de 960 como nos “Carimbos de Minas”. Criado em conformidade com a Provisão Régia de 11 de abril de 1818 com a finalidade de carimbar, na casa de fundição de Vila Bela, as moedas hispano-americanas que circulavam naquela região. Quando esta contramarca foi criada, os “carimbos de Minas” já não mais existiam, pois nessa época já circulavam as moedas com “ cunhos plenos” de 960 Réis. Note que o carimbo MATO GROSSO surgiu 10 anos depois da criação dos famosos “Carimbos de Minas”. São raríssimos os exemplares em que se pode ler, nitidamente, a legenda MATO GROSSO. São conhecidos exemplares sobre CAROLUS III – POTOSI, FERDINANDO VII – POTOSI e sobre SOL ARGENTINO, todos igualmente raros.


Carimbo Cuyaba – Contramarca bifacial e circular de aproximadamente 17mm de diâmetro, limitada por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o escudo Português encimado pela coroa real, arrematada por cruz latina singela. Possui legenda circular posicionada abaixo do escudo com os dizeres CUYABA por extenso, com “Y” e sem acentuação gráfica. Este carimbo foi aplicado a partir do final do ano de 1820, sendo que os exemplares conhecidos das moedas hispano-americanas que receberam esta contramarca, figuram apenas os 8 Reales de Carolus IIII. Raríssimos são os exemplares em que a legenda CUYABA pode ser lida nitidamente. Dois belíssimos exemplares desta moeda que pertenciam à coleção Moura, sendo que em um deles lê-se perfeitamente a palavra CUYABA e no outro as letras CUYA (CUYABA com a letra A pouco visível e as letras B e A de BA, ilegíveis), foram leiloados em 1998 e hoje pertencem a um colecionador da cidade de Curitiba (Paraná). Igualmente raros são os carimbos CUYABA (completo ou incompleto), aplicados sobre o carimbo MATO GROSSO. Uma medida retaliativa, talvez, pois depois da casa de fundicão de Vila Bela (onde eram aplicados os carimbos MATO GROSSO) ter sido deslocada para a vila de Cuyaba, os cuiabanos decidiram (mesmo o carimbo não trazendo nenhuma alusão à cidade rival, Vila Bela) tirar de circulação os exemplares que tivessem recebido puncão em tal lugar, recarimbando assim com um carimbo novo – CUYABA - todas (ou quase) as peças com a escrita MATO GROSSO.

Carimbo 960 com a letra C – Contramarca bifacial e circular de aproximadamente 17mm de diâmetro, limitada por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o valor 960, limitado abaixo pela letra C e acima pela coroa real arrematada por cruz latina singela, ladeado por dois ramos frutificados de louro que se cruzam na parte inferior. No reverso encontramos as armas do Reino Unido (escudo Português sobre esfera armilar). Este carimbo apresenta três variantes principais de cunho: 1)A letra ”C” sem pontos, 2)A letra “C.” com um ponto e 3)A letra “.C.” entre dois pontos. Os três tipos igualmente difíceis de serem encontrados, principalmente se em bom estado de conservação. Um caso à parte é o mesmo carimbo aplicado sobre carimbo de MATO GROSSO, considerado da mais alta raridade. E a causa da existência de tal variante e a mesma da peça CUYABA por extenso sobre MATO GROSSO.


Figura - Carimbo ".C." (com pontos) sobre moeda hispano - americana de 8 Reales de Carolus IIII. Moeda do acervo particular da coleção Bentes.

Reconhecendo a base

Um dos fatores que irá determinar o grau de raridade dos “carimbos de Minas” é justamente a base em que as contramarcas foram aplicadas. Para isso devemos levar em consideração dois aspectos:

1) As moedas que possuem o busto do soberano e

2) as que não possuem o busto do soberano, conhecidas como colunários, ou mundos e mares. Em seguida vem a identificação da origem da moeda ou seja, a casa da moeda onde foi cunhada. Sendo assim, temos:

1) MOEDAS COM O BUSTO DO SOBERANO


Figura - Moeda hispano-americana de 8 reales, com o busto do soberano (Carolus III, Carolus IV, Ferdinando VII, etc).

Obs: Ainda existem moedas com o nome de um soberano e o busto de outro, como e o caso, por exemplo da moeda de Carlos IV, com o busto de Carlos III, ou Ferdinando VII, com o busto de Carlos IV (casa da moeda de Popayán).

2) MOEDAS QUE NÃO POSSUEM O BUSTO DO SOBERANO ( COLUNÁRIOS )


Figura - Cunhadas durante o reinado de Carolus III, estas moedas possuem no anverso, a alegoria dos dois mundos cercados pelos dois pilares de Hércules, representando o estreito de Gibraltar (considerado o fim do mundo conhecido até então).


Identificado o tipo de moeda (busto ou colunário), o segundo passo e determinar a casa da moeda em que a base foi cunhada. Isto se faz, identificando a letra monetaria. Na moeda do tipo busto, a letra monetária encontra-se na legenda de reverso, entre “REX” e “8R”.


Figura - No detalhe, podemos identificar a letra monetária da Casa da Moeda de Potosi. Sendo assim, podemos classificar esta base como sendo um 8 Reales, Carolus IIII de Potosi. Acervo particular coleção Bentes.



Figura - No detalhe, podemos identificar a letra monetária da Casa da Moeda de Santiago. Sendo assim, podemos classificar esta base como sendo um 8 Reales, Carolus IIII de Santiago. Acervo particular coleção Bentes.

Nota: Os Carimbos de Minas sobre moeda de Santiago, são sempre raros, sendo raríssimo se o soberano for Carolus III. Sobre moeda de Potosi são comuns, em se tratando de Carolus IIII. Todavia, os Carimbos de Minas sobre Potosi de Carolus III são raros e sobre os Colunários, raríssimos. Os carimbos de Minas sobre Carolus IV e Ferdinando VII, são extremamente raros. Mais adiante, isto será explicado de forma mais abrangente.
Já, na moeda de “COLUNÁRIO”, a letra monetária localiza-se no anverso, onde se encontram os dois mundos e as colunas de Hércules. A marca situa-se na legenda, entre florões, posicionada à direita e também à esquerda da data.
A marca M° identifica a casa da moeda da Ciudad del Mexico. (A marca M localiza-se na orla,junto a data).


Figura - Sendo assim, podemos identificar esta base como sendo um “8 Reales COLUNÁRIO, MÉXICO”.


Nota: As moedas de COLUNÁRIO com contramarcas de 960 Réis são, em geral, mais raras que as outras moedas hispano-americanas com o mesmo carimbo. Porém existem algumas extremamente raras cujo carimbo não foi aplicado sobre moeda de Colunário. É o caso, por exemplo,do carimbo de 960 Réis aplicado sobre 8 reales de Ferdinando VII, que é raríssimo (são conhecidas apenas 4 Carimbos de Minas, aplicados sobre moeda de Ferdinando VII).


Figura - Carimbo de Minas sobre moeda hispano-americana de 8 Reales FERDIN VII 1809 México (da mais alta raridade).

As marcas que identificam as casas da moeda são as seguintes:




Existe também (figura a seguir) a marca LM (Lima) sobre 8 reales colunário. Porém, até o momento, não são conhecidos Carimbos de Minas aplicados sobre esta moeda.



Valoração - O grau de raridade dessas moedas deve-se, em primeiro lugar, à moeda que recebeu a contramarca (moeda base). Em seguida ao estado de conservação da contramarca e por último ao estado de conservação da moeda base. É conveniente esclarecer que as moedas que serviram de base à aplicação dessas contramarcas, via de regra, não são raras.A combinação da contramarca de 960 Réis com um determinado tipo de base é que constitue a raridade, o que irá, a princípio, estabelecer o valor da moeda. É lógico que se dois carimbos aplicados em bases idênticas, possuem o mesmo estado de conservação, a valorização dar-se-á em função do estado de conservação da base. Sendo assim, o preço máximo para um determinado carimbo será fixado para a moeda que possuir carimbo flor de cunho sobre base flor de cunho.
Os valores a seguir se referem ao estado de conservação dos carimbos. Valores. Obs: Os valores são dados em EUROS e para o estado de conservação Extremely Fine (quase bela). Na classificação brasileira seria soberba. Deve-se acrescentar 50% a este valor caso a base, e também o carimbo, sejam flor de cunho (classificação soberba, para Portugal).
Nota: Os valores são aqueles entendidos pela Numismática Bentes e apurados através da nossa experiência em comercializar com estas moedas. Trata-se do preço máximo, final para o colecionador. Alguns leilões superam esta expectativa, devido à raridade da moeda, seu estado de conservação e o interesse dos participantes. Desta forma, estas moedas podem atingir valores maiores (ou menores) do que aqueles expostos pela nossa avaliação. Porém, via de regra, os preços se mantém nesta faixa, variando em torno de 10%, para mais ou para menos.


As moedas de 960 Réis - Os “carimbos de Minas” (contramarcas de 960 Réis) foram os precursores dessas moedas que circularam de 1810 a 1834 com o objetivo principal de por um fim a circulaçao de moeda estrangeira de prata no pais. Na época, os pesos espanhóis, como eram conhecidos, circulavam livremente no Brasil, sendo aceitos como moeda corrente. Essas moedas, oriundas da Espanha e de suas colonias americanas, começaram a ser nacionalizadas a partir de 1808 quando receberam a contramarca de 960 Réis (Carimbos de Minas) que a seguir foi substituida pela cunhagem no mesmo valor (960 Réis), o que foi feito nas Casas da Moeda do Rio de Janeiro, Bahia e também na Casa de Fundiçao de Vila Rica em Minas. Foi cunhada em tres períodos distintos, a saber:

1) Colônia (1810 a 1818),
2) Reino Unido (1819 a 1822) e
3) Império (1823 a 1834),



sendo que, no Reinado de D. Pedro II, nos anos de 1832, 1833 e 1834, passaram a ser cunhadas em discos proprios e nao mais recunhadas sobre "pesos espanhois".
Diferentemente das contramarcas de 960 Réis que foram aplicadas apenas em moedas hispano-americanas, as cunhagens dos 960 Réis nao obedeciam, à risca, a determinação de cunhar apenas os pesos espanhóis. Como o processo praticamente tornava invisível os traços da moeda base, qualquer moeda de prata que se assemelhava, em tamanho e peso ,a um peso espanhol, entrava no processo de cunhagem. Dessa forma, temos 960 Réis cunhados sobre moeda Francesa, Italiana, Holandesa, Austríaca, Inglesa e até Norte-americana, além de outras. Como exemplo, temos 960 Réis cunhados sobre 5 Francos Franceses de Napoleão, sobre 2 ½ Gulden Holandes, sobre Ducatone di Napoli e sobre 1 Dolar Norte-americano (Draped Bust Type – Heraldic Eagle de 1799). Algumas moedas Hispano-americanas que haviam recebido o “Carimbo de Minas”, também foram cunhadas, deixando visíveis os vestígios da contramarca.

Os “carimbos de Minas” (contramarcas de 960 Réis) foram os precursores dessas moedas que circularam de 1810 a 1834 com o objetivo principal de por um fim à circulação de moeda estrangeira de prata no pais. Na época, os pesos espanhóis, como eram conhecidos, circulavam livremente no Brasil, sendo aceitos como moeda corrente. Essas moedas, oriundas da Espanha e de suas colonias americanas, começaram a ser nacionalizadas a partir de 1808 quando receberam a contramarca de 960 Réis (Carimbos de Minas) que a seguir foi substituída pela cunhagem no mesmo valor (960 Réis), o que foi feito nas Casas da Moeda do Rio de Janeiro, Bahia e também na Casa de Fundição de Vila Rica em Minas. Foi cunhada em três períodos distintos, a saber:

1) Colônia (1810 a 1818),
2) Reino Unido (1819 a 1822) e
3) Império (1823 a 1834),

sendo que, no Reinado de D. Pedro II, nos anos de 1832, 1833 e 1834, passaram a ser cunhadas em discos próprios e não mais recunhadas sobre "pesos espanhóis".

Diferentemente das contramarcas de 960 Réis que foram aplicadas apenas em moedas hispano-americanas, as cunhagens dos 960 Réis nao obedeciam, à risca, a determinação de cunhar apenas os pesos espanhóis. Como o processo praticamente tornava invisível os traços da moeda base, qualquer moeda de prata que se assemelhava, em tamanho e peso , a um peso espanhol, entrava no processo de cunhagem. Dessa forma, temos 960 Réis cunhados sobre moeda Francesa, Italiana, Holandesa, Austríaca, Inglesa e até Norte-americana, além de outras. Como exemplo, temos 960 Réis cunhados sobre 5 Francos Franceses de Napoleão, sobre 2 ½ Gulden Holandês, sobre Ducatone di Napoli e sobre 1 Dólar Norte-americano (Draped Bust Type – Heraldic Eagle de 1799). Algumas moedas Hispano-americanas que haviam recebido o “Carimbo de Minas”, também foram cunhadas, deixando visíveis os vestigios da contramarca.

Popularmente chamada de “PATACÃO”(*¹), essa moeda transformou-se em um dos mais importantes elementos do colecionismo numismático brasileiro.


Figura: Exemplo de 960 Réis, cunhado na Casa da Moeda da Bahia, onde sao visíveis os traços da moeda que serviu de base (8 Reales de 1807, cunhado no México).

(*¹) – PATACÃO- Moeda Portuguesa de cobre (10 Réis) de D. João II. Nome popular e mesmo oficial dado no Brasil a moeda de 960 Réis. Equivalente a 3 patacas. ( Glossário Numismático – Kurt Prober )
PATACA – Moeda brasileira de prata com o valor circulante de 320 Réis. ( Glossário Numismatico – Kurt Prober )

PATACA – Dizem alguns autores ser essa palavra derivada do Arabe “ABUTACA”. Nesse idioma ela se apresenta como “PATAC”. Como “PATARD ou PATAR”, foi pequena moeda de cobre tendo curso em Flandres e na França, onde se empregou como sinônimo de “óbulo” para designar uma moeda sem valor. Alguns numismatas franceses dizem que PATAR pode ser uma corrupção de PETER, forma alemã de Pedro, porque o PATAR de Flandres tem sobre uma das faces , imagem do santo desse nome.

Hoffman, no seu “ Livro das Moedas Reais da França até Louis XVI”, descreve dois “PATARDS” de Louis XI. No Brasil, a palavra “PATACA” foi usada para caracterizar a moeda espanhola de 8 Reales que a princípio valia 320 Réis. Ficou depois, no Sistema Provincial, como denominação da peça desse valor. (Ensaios de Numismatica e Ourivesaria – Mario Barata).

Por possuir muitas particularidades, essa moeda acabou gerando diversas formas de colecionismo, constituindo-se numa fonte quase inesgotável de estudo e pesquisa. A seguir temos as formas de colecionismo mais comuns, entre aqueles que se dedicam a essa moeda.

I) COLEÇÃO POR TIPOS – Leva em consideração somente o período e a Casa onde a moeda foi cunhada, procurando sempre adquirir exemplares no melhor estado de conservação possível. Por ser a forma mais simples de colecionismo e por não exigir conhecimentos profundos sobre o assunto, e a forma mais indicada para quem está iniciando. Sendo assim, uma coleção de 960 Réis por tipo deve conter os seguintes exemplares:

1) Um carimbo de Minas,

2) Um patacão da Colônia com a letra “R”,

3) Um patacão da Colônia com a letra “B”,

4) Um patacão da Colônia com a letra”M”,

5) Um patacão do Reino Unido com a letra “R”,

6) Um patacão do Reino Unido com a letra “B”,

7)Um patacão do Império (D. Pedro I) com a letra “R”,

8)Um patacão do Império (D. Pedro I) com a letra “B”,

9) Um patacão do Império (D. Pedro II) com a letra R, e ainda

10) Um patacão da chamada “série especial”.

Nota: SÉRIE ESPECIAL – Em 1815, Portugal passou a ser um Reino Unido (Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves). Em consequência, ordenou-se que, entre outras coisas, que as moedas, a partir de então, fossem cunhadas com nova legenda e novo desenho alusivos ao novo Reino. Nessa época, D. João ainda era Príncipe Regente e como o novo desenho ainda não havia sido instituído, foi cunhada em 1816, na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, uma série de 5 moedas com letra monetária R, onde apenas a legenda foi alterada, demonstrando a elevação do Brasil à condiçao de Reino Unido a Portugal e Algarves. Essa série de 5 moedas, hoje conhecida como “série especial”, é composta de

-2 moedas de cobre (20 e 40 Réis),

-2 moedas de ouro ( 4000 e 6400 Réis ) e

-uma moeda de prata (960 Réis).

Convém ressaltar que o desenho colonial não foi alterado. A alteração do desenho somente se deu em meados de 1818. Em 1817 e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com legenda e desenho da Colônia.


Figura: Patacao da Colônia com legenda original JOANNES .D. G. PORT. P. REGENS. ET. BRAS. D. (JOANNES.Dei.Gratia. PORTugaliae. Princeps. REGENS. ET. BRASiliae. Dominus)*.

*João pela graça de Deus Príncipe Regente de Portugal e Senhor do Brasil.


No "patacão" da chamada série especial (figura a seguir) a legenda, de anverso, passa a ser: "JOANNES.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.P.REGENS"

(JOANNES.Dei.Gratia.PORTugaliae.BRASiliae.ET.ALGarbiorum.Princeps.REGENS)(*¹), o que demonstra a elevação do Brasil a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. (Patacão da série especial ).
(*¹) João pela graça de Deus Príncipe Regente de Portugal, Brasil e Algarves.


960 Réis de 1816R, série especial, com desenhos da Colônia, mas já fazendo parte do Reino Unido.


Em 1817 e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com o desenho colonial antigo e legenda original - JOANNES.D.G.PORT.P.REGENS.ET.BRAS.D - apesar do Brasil não ser mais uma Colônia.
Posteriormente, com a coroação (1818), D. João passou da condição de Príncipe Regente para a condição de Rei sob o título D. João VI, e aprovou o novo desenho e a nova legenda (JOANNES.VI.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.REX) para as moedas que seriam cunhadas no Reino Unido.
Dessa forma, foram cunhados (com letra monetária R), no período que vai de 1816 a meados de 1818 , patacões com:
a) Desenho Colonial e legenda original, tendo D. João como Príncipe Regente.
b) Desenho Colonial e legenda alusiva à elevação do Brasil a categoria de Reino Unido, tendo D.João como Príncipe Regente (1816R – série especial)
c) Desenho Colonial, retornando à legenda original (1817R e 1818R), ainda com D. João como Príncipe Regente, apesar do Brasil não ser mais considerado uma Colônia.
d) Desenho e legenda novos (Reino Unido – 1818R).
Assim sendo, existem dois tipos diversos de patacões com a data 1816R, um tipo com a data 1817R e dois tipos com a data 1818R.


Figura: Patacão 1816R da serie especial com desenho da Colônia e legenda alusiva ao novo Reino Unido (D.Joao Príncipe Regente).



Figura: Patacão 1817R, com desenho e legenda da Colônia, cunhagem do Reino Unido ( D.João Principe Regente).



Figura: Patacão 1818R, com desenho e legenda da Colônia, cunhado no Reino Unido (D.João Príncipe Regente).



Figura: Patacão 1818R, com desenho e legenda novos do Reino Unido (D.João VI, Rei de Portugal, Brasil e Algarves).


2) Coleção por datas – É o tipo de colecionismo mais comum entre os numismatas. Os poucos catálogos brasileiros, em sua maioria, apresentam as moedas dispostas, inicialmente pelo metal em que foram confeccionadas (ouro, prata, cobre, etc) e a partir daí, são ordenadas de acordo com as datas e em cada data, vez por outra, são apresentadas as variantes clássicas. Esta forma de colecionismo requer um investimento consideravelmente maior que aquele dispensado à coleçao por tipos, sem contar que algumas datas sao consideradas raríssimas ou mesmo peças únicas, o que praticamente impossibilita o “fechamento” de uma coleção completa de moedas de 960 Réis (por datas).
É indicada aos colecionadores que por, presumivelmente, já possuirem uma coleção por tipos com muitas peças, já adquiriram experiência e conhecimento suficientes para se dedicarem a esta forma de colecionismo.

3) Coleção por variantes – Como o processo de cunhagem era mecânico, exigindo constantes trocas dos cunhos de anverso e reverso, devido a empastamento (desgaste) ou até pela rachadura e quebra dos mesmos, diversas matrizes de uma mesma data eram feitas. Como os cunhos eram abertos à mão, era praticamente impossível que um cunho fosse igual ao outro. Alguns pesquisadores como Lupércio Gonçalves Ferreira (no seu Catálogo das Variantes dos Patacões da Casa da Moeda do Rio de Janeiro) e Renato Berbert de Castro (no seu Catálogo das Variantes dos Patacões da Casa da Moeda da Bahia), já relacionaram e cadastraram, com base na observação de um grande número de exemplares, uma grande quantidade de variantes. Porém, esse número não pode ser considerado definitivo uma vez que, volta e meia, surge uma nova variante devido à combinação de um determinado cunho de anverso com outro de reverso, ou mesmo devido a um cunho novo (o que é mais raro). Esse tipo de colecionismo requer alguns conhecimentos básicos dos elementos que constituem os cunhos de anverso e reverso de um patacão tais como a perolagem da coroa e as partes da esfera armilar. Além dos catálogos especializados citados acima, boas lentes ou uma lupa estereoscópica, são recomendadas. Como algumas variantes tornaram-se clássicas como o “COROA de 640 RÉIS” e o “IGNO” entre outras, estas passaram a ser incluídas em catálogos não especializados no assunto. É difícil avaliar as outras variantes! Como regra, adotam-se preços diferenciados entre as variantes comuns (C), as raras (R), as muito raras (RR) e as raríssimas (RRR).


Figura: Patacão com Coroa de 640 Réis. Variante 4A (Catálogo Descritivo dos 960 Réis da Casa da Moeda da Bahia) dos autores José Serrano Junior e Flávio Barbosa Rebouças. Florões intercalados por pontos, Frontal com uma pérola e Legenda apresentando a serifa do A de JOANNES com reentrância no "O". No catálogo Berbert de Castro, a mesma variante aparece com o número 12.

Num próximo artigo, iremos tratar as bases que foram usadas nos recunhos das moedas de 960 réis.

Fim deste artigo