As moedas de 960 Réis - 1ª parte

Preâmbulo
"Rio de Janeiro, cidade a mais ditosa do Novo Mundo! Rio de Janeiro, aí tens a tua augusta Rainha e o teu excelso Príncipe com a sua Real Família, as primeiras majestades que o hemisfério austral viu e conheceu. Estes são os teus soberanos e senhores, descendentes e herdeiros daqueles grandes reis que te descobriram, te povoaram, e te engrandeceram, ao ponto de seres de hoje em diante princesa de toda a América e Corte dos senhores reis de Portugal; enche-te de júbilo, salta de prazer, orna-te dos teus mais ricos vestidos, sai ao encontro dos teus soberanos, e recolhe com todo o respeito, veneração e amor o Príncipe ditoso, que vem em nome do Senhor visitar o seu povo". 
Gonçalves dos Santos, Padre Luiz - Memória para servir à História do Brasil, tomo I.

Ao transferir, voluntariamente, a sua Corte para os domínios portugueses da América, o Príncipe Regente D. João salvara a monarquia com todas as suas colônias ultramarinas. Em vez de uma expatriação ignominiosa, com prisão no lugar do desterro, como aquela que Napoleão impusera aos reis de Espanha, o Príncipe Regente de Portugal fundara no Brasil um novo império perpetuador dos vínculos históricos da nação portuguesa.
A mudança da família real e da Corte portuguesa para o Brasil foi conseqüência da situação européia no início do século XIX. Naquela época, a Europa estava inteiramente dominada pelo imperador dos franceses, Napoleão Bonaparte que através de sua política expansionista, submetera a maior parte dos países europeus à dominação francesa.
O principal inimigo de Napoleão era a Inglaterra, cuja poderosa armada o imperador não pudera vencer. Em 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental, obrigando todas as nações da Europa continental a fecharem seus portos ao comércio inglês. Com essa medida, pretendia enfraquecer a Inglaterra, privando-a de seus mercados consumidores e de suas fontes de abastecimento. Nessa época Portugal era governado pelo Príncipe Regente Dom João; sua mãe, a Rainha Dona Maria I, sofria das faculdades mentais, o que a impossibilitava governar. Pressionado por Napoleão, que exigia o fechamento dos portos portugueses ao comércio inglês, e ao mesmo tempo pretendendo manter as relações com a Inglaterra, Dom João tentou adiar ao máximo uma decisão definitiva sobre o assunto.

"... A balança da Europa está tão mudada que os cálculos de há dez anos saem todos errados na era presente. Em todo o caso o que é preciso é que V. A. R. continue a reinar, e que não suceda à sua Coroa o que sucedeu à de Sardenha, à de Nápoles e o que talvez entra no projeto das grandes potências que suceda a todas as coroas de segunda ordem na Europa. V. A. R. tem um grande Império no Brasil, e o mesmo inimigo que ataca agora com tanta vantagem, talvez que trema, e mude de projeto, se V. A. R. o ameaçar de que se dispõe a ser imperador naquele vasto território adonde pode facilmente conquistar as colônias espanholas e aterrar em pouco tempo as de todas as potências da Europa. Portanto é preciso que V. A. R. mande armar com toda a pressa os seus navios de guerra, e todos os de transporte, que se acharem na praça de Lisboa — que meta neles a Princesa, os seus filhos, e os seus tesoiros, e que ponha tudo isto pronto a partir sobre a barra de Lisboa, e que a pessoa de V. A. R. venha a esta Fronteira da Beira, aparecer aos seus povos, e acender o seu entusiasmo. Talvez que esta aparência imponha ao inimigo. Se não impuser, e nos atacarem, apesar de tudo brigaremos como desesperados; talvez que por excesso de furor cheguemos a ser vitoriosos, apesar de nos faltarem os meios — mas se formos vencidos, sempre podemos cobrir a retirada de V.A.R., e então V. A. R. parte com toda a sua família para os seus estados do Brasil, e a nação portuguesa sempre ficará sendo nação portuguesa, porque ainda que estas cinco províncias padeçam algum tempo, debaixo do jugo estrangeiro; V. A. R. poderá criar tal poder que lhe seja fácil resgatá-las, mandando aqui um socorro, que junto com o amor nacional as liberte de todo. Dizem que é mal visto todo o homem que aconselha isto a V. A. R. mas como assento que é a melhor cousa que lhe posso dizer, digo-lha. E V. A. R. fará de mim o que quiser, porque em tudo e por tudo sou seu, e se V. A. R. tomar este partido, o que lhe posso segurar é que, se me não matarem nessa guerra, deixarei tudo quanto cá tenho, e para lá o vou servir..." 
Trecho da carta expositória dirigida ao Príncipe Regente, em 30 de maio de 1801, por Dom Pedro, Marquês de Alorna, in Arquivo Público do Rio de Janeiro.

Se aderisse ao Bloqueio Continental, Portugal ficaria em condições extremamente difíceis, porque a economia portuguesa dependia basicamente da Inglaterra. Os ingleses eram os maiores fornecedores dos produtos manufaturados consumidos em Portugal e também os maiores compradores das mercadorias portuguesas e brasileiras. A Inglaterra, por sua vez, também não queria perder seu velho aliado, principalmente porque o Brasil representava um excelente mercado consumidor de seus produtos.

Vista do morro da Glória à época da chegada da Família Real ao Rio de Janeiro.

Para resolver a situação de acordo com os interesses de seu país, o embaixador inglês em Lisboa, Lorde Percy Clinton Smith, Visconte de Strangford, conseguiu convencer Dom João a transferir-se com sua Corte para o Brasil. Desse modo, os ingleses garantiam o acesso ao mercado consumidor brasileiro.


D. João nasceu em Lisboa em 13 de Maio de 1767, batizado como João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança. Segundo filho de D. Maria I e de D. Pedro III (tio desta), tornou-se herdeiro da coroa como Príncipe do Brasil e 21º Duque de Bragança, após a morte do irmão mais velho José (Duque de Bragança, em 11 de setembro de 1788), vitimado pela varíola. Viu-se obrigado a assumir o governo ainda muito jovem, à idade de 25 anos (10 de Fevereiro de 1792) devido à doença da rainha mãe. Foi sucessivamente Duque de Bragança, Príncipe do Brasil, Príncipe Regente de Portugal, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Rei de Portugal e Imperador Titular do Brasil. A partir de 15 de Julho de 1799, assumiu o governo na qualidade de Príncipe Regente, até a morte de sua mãe. Em 16 de dezembro de 1815 foi Príncipe Regente do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves.

A guerra do Rossilhão (1793), a guerra com a Espanha e o desastroso tratado de paz de Badajoz, marcaram os primeiros tempos de sua regência. Em 1793, D.João aliou-se à Espanha no combate à Revolução Francesa, que ameaçava todas as monarquias européias. Em 1801, Napoleão, que reiniciara a luta contra a Inglaterra e procurava aliados, convenceu a Espanha a atacar Portugal; D. João, não tendo condições de enfrentá-la, pediu a paz, prometendo fechar seus portos à Inglaterra. Contudo, a economia portuguesa estava profundamente ligada à nação britânica. Portugal corria o risco de ver seus portos bloqueados pela eficiente e poderosa armada inglesa. Enquanto isso, Carlota Joaquina, fiel às suas origens espanholas, conspirava na corte portuguesa planejando, inclusive, tomar a regência a D. João que tentava ganhar tempo. Porém, em 1806, Napoleão I fez um ultimato: ou Portugal fechava os portos à Inglaterra ou a França invadiria o reino luso.

No ano seguinte, em 1807, Napoleão assinou com a Espanha um tratado que suprimia o Reino de Portugal do mapa político da Europa, dividindo o território português em três estados que seriam “dados” ao Rei da Etrúria, ao Príncipe da Paz, ficando a França com o terceiro lote. Nesse ano, um exército comandado por Junot invadiu Portugal.

Num ofício dirigido em 7 de setembro de 1807 a Dom Domingos Antônio de Sousa Coutinho, ministro de Portugal em Londres, comunicava-se que S.M. tinha tomado "a resolução de aprontar a sua marinha para o caso de ser urgente a sua retirada e da Real Família". "Dois acontecimentos podem obrigar a esta resolução", dizia o mesmo ofício: "o primeiro a determinação de uma conquista; e o segundo a pretensão de introduzir tropas no país para guarnecer as costas debaixo do pretexto de amizade, o que seria para a monarquia mais perigoso do que a conquista ..."

Em 22 de outubro de 1807, a Convenção Secreta ratificada pelo Príncipe Regente e por Jorge III da Grã-Bretanha, sobre a transferência para o Brasil da sede da monarquia portuguesa e ocupação temporária da Ilha da Madeira por forças britânicas, vem atestar a reflexão e o estudo que tal resolução mereceu, para não poder confundir-se com um repentino ato de fuga, praticado num momento de pânico invencível, com todo o alor de um medo coletivo.

No preâmbulo dessa Convenção, definia-se perfuntoriamente a triste posição em que se encontrava o país em consequência das exigências injustas do governo de França, expondo o Regente a decisão que havia tomado de transferir para o Brasil a sede e fortuna da monarquia portuguesa "antes do que aceder à totalidade das ditas exigências e especialmente àquelas pelas quais o governo francês insistia na apreensão das pessoas dos súditos de Sua Majestade britânica residentes em Portugal, e na confiscação de todas as propriedades inglesas, bem como na declaração de guerra contra a Grã-Bretanha ..."

E mais certificava pelo mesmo tempo S.M., por intermédio do seu ministro em Londres, garantindo ao governo inglês a sua firmeza em não assentir às proposições a respeito da prisão dos súditos ingleses e ao confisco dos seus bens, conquanto não quisesse precipitar a partida, "porque Sua Alteza Real não deve mostrar que abandona sem justa causa os seus vassalos na Europa".

As mesmas intenções e desígnios eram confirmados em uma nota entregue ao ministro inglês, Lorde Strangford, representante de S.M. britânica em Lisboa:
"Sua Alteza Real, não havendo assentido à totalidade das proposições da parte das duas potências aliadas (Espanha-França) de que resultou o retirarem-se desta Corte os seus agentes, tem a íntima satisfação de que não obstante o perigo a que se expôs, os súditos de Sua Majestade britânica ficarão ilesos na sua liberdade pessoal e nas suas propriedades. Sua Alteza Real cumpriu quanto lhe foi possível a sua palavra, dando todo o tempo para os súditos ingleses se retirarem e exportarem os seus efeitos, com isenção completa de direitos; agora, porém, instando a França pela execução da sua proposição a este respeito, com ameaças e com a marcha do exército de Baiona para o interior da Espanha, foi Sua Alteza Real obrigada, bem que muito a seu pesar, a fazer a demonstração exigida, a fim de ver se ainda por este modo evita o ataque de Portugal; e Sua Majestade britânica pode então estar certo de que os súditos britânicos experimentarão nas suas pessoas, e em algum resto dos seus bens, os efeitos possíveis da sua Real proteção."
Mas, Sua Majestade britânica perante quem, lealmente, sua Majestade Fidelíssima justificava a política de dobrês e as ambiguidades intencionais do seu governo e da sua diplomacia, ainda se não dera por satisfeita; usava de represálias; mandava bloquear Lisboa e ocupar a Ilha da Madeira. Nem todo o ouro do Brasil, espalhado abundantemente em sucessivos subornos, pôde travar os acontecimentos, demover Napoleão, aplacar o Príncipe da Paz e protelar por mais tempo a invasão inevitável. Em todo o caso, nas observações oficialmente aditadas à carta de ratificação da referida convenção secreta entre a Grã-Bretanha e Portugal, expunham-se as razões de Estado que levavam o governo português a revogar o artigo primeiro adicional desse acôrdo. Eram ainda falaciosas e habilíssimas disposições para ganhar tempo.

"Sua Alteza Real tinha concebido o projeto de estabelecer na ilha de Santa Catarina um porto para o comércio do Brasil, quando intentou mandar para aquela colônia seu filho primogênito — o Príncipe da Beira; mas como não se efetuou a sua partida não se pode por ora estabelecer um plano de comércio instituindo uma alfândega geral para esse fim. Se acaso Sua Alteza Real partir com toda a Real Família, fica tirada toda a dúvida; quando não, será preciso convir com a Inglaterra de algum meio (o que é possível) de dirigir o comércio, que o mesmo Senhor quere favorecer, tanto para comprazer com Sua Majestade britânica, como porque as manufaturas inglesas permitidas são de primeira necessidade para os habitantes daquela colônia.
Mas no momento atual o estabelecimento na ilha de Santa Catarina faria irritar as duas potências aliadas do continente, o que Sua Alteza quere por último modo evitar. Resta pois a convir com a Inglaterra em um meio mais disfarçado para este comércio para o que se tratará com o governo britânico quando ele queira: e esta é a razão de não ser ratificado este artigo.
Para a execução de qualquer plano a este respeito é preciso termos a certeza de haver comunicações com o Brasil, a fim de se poderem dar ordens competentes aos governadores, porque presentemente não existe comunicação com aquele continente, estando o comércio na maior incerteza.
Necessita-se também estipular a segurança de navios que forem avulsos, e a concessão para se cruzar contra os Argelinos para a proteção deste comércio, como já foi ordenado ao Ministério de Sua Alteza Real em Londres, que o requereu."

Estes interessantíssimos documentos, reveladores da coartada liberdade em que Portugal se contorcia, além de denunciarem as interesseiras intenções comercialistas da Inglaterra, concedem, por legítima dedução, um aspecto inédito ao problema da transferência da monarquia portuguesa, enrolada, nas vésperas da invasão francesa, a compromissos irreconciliáveis, cuja peremptoriedade de prazos o governo português ia dilatando com os recursos extremos de uma notável dialética política.

Figura: Aspecto da antiga Rua Direita, atual Rua 1º de Março, no centro da cidade do Rio de Janeiro, à época da chegada da Família real.

Decidiu então D.João pela saída da família real, de Portugal rumo o Brasil, escapando à invasão napoleônica e ao perigo que representava para a manutenção da autonomia portuguesa. O desejo de manter o Brasil em poder de Portugal, o fez ainda mais dependente em relação à Inglaterra, com a imposição da abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional e o tratado Luso-Britânico de 1810, desastroso para a economia portuguesa. Diante das disputas entre a Inglaterra e a França, pensando poder estabelecer a paz, chegou a oferecer seu filho D. Pedro de apenas nove anos em casamento com a sobrinha do monarca francês, nao obtendo sucesso.

Embarcaram para o Brasil a rainha D. Maria I, D. João e sua esposa D. Carlota Joaquina, seus filhos, D. Pedro e D. Miguel, suas filhas, as infantas Maria Teresa de Bragança, Maria Isabel de Bragança, Maria da Assunção de Bragança, Isabel Maria de Bragança, Maria Francisca de Assis e Ana de Jesus Maria de Bragança e ainda as infantas D. Maria Ana Francisca e a viúva D. Maria Francisca Benedita, irmãs da Rainha, e o infante Pedro Carlos da Espanha, além de praticamente toda a corte, fidalgos e nobres.

A crítica histórica demonstrou já que essa transmigração fora o resultado inteligente de um plano preconcebido: o único meio de fazer subsistir a monarquia portuguesa; a única solução impeditiva do seu fatal desaparecimento. Além de representar uma conversão de instintiva defesa contra o poder invencível do furor napoleônico, o ato de transposição da sede da realeza, de Lisboa para o Rio de Janeiro, não tinha apenas um interesse nacional, português. Essa translação política interessava à Europa inteira; asseverava a continuidade dos princípios unitários das monarquias continentais europeias; defendia-lhes, afinal, os ideais de autonomia contra a concepção autocrática de um só imperialismo francês; salvava o sistema monárquico europeu da subversão dos Estados, cujos soberanos eram prisioneiros ou reféns de Napoleão e cujas fronteiras eram por ele e para ele traçadas, ampliadas ou suprimidas, no sonho da monarquia universal que visionara.

Se a saída de Dom João VI para a América do Sul teve, em dado momento, a exclusiva aparência dum pânico liberativo e se a atitude da Corte, embarcando numa esquadra, em trigosa debandada, dava ao quadro aspectos de fuga, de naufrágio ou de qualquer outra catástrofe, nem por isso é lícito concluir que se tratava de um ato impensado, indecoroso, pois é certo que o embarque da Família Real fora previsto com antecedência de muitos anos e refletido em todas as suas consequências.

"Nobre e resoluta determinação" — dizia ao Príncipe Regente o seu ministro Dom Rodrigo de Sousa Coutinho; a ela se deve naturalmente a sobrevivência da nacionalidade portuguesa, diferenciada e salva da revoluta e absorvente doutrina de Bonaparte.

Em 22 de Janeiro de 1808, D. João chegou com sua corte a Salvador. Na Bahia, em 28 de Janeiro de 1808, decretou a abertura dos portos brasileiros às nações amigas (entre as quais, evidentemente, a Inglaterra). Aconselhado por José da Silva Lisboa, que mais tarde torna-se-ia o Visconde de Cairu, decretou a abertura dos portos brasileiros, pondo fim ao Pacto Colonial. Foi o ato que mais celebrizou seu governo na América portuguesa. A Inglaterra foi a maior beneficiada; em 1810 foi assinado o tratado de comércio e navegação que fixava em 15% a taxa alfandegária sobre produtos ingleses vendidos para o Brasil, um grande privilégio, já que os demais países pagavam uma taxa de 24% e Portugal 16%. Somente em 1816 foram equiparadas as taxas alfandegárias inglesa e portuguesa.

Em março, D. João transferiu-se para o Rio de Janeiro, transformando a cidade em sede da Monarquia. Ali formou o seu Ministério, aboliu a proibição da criação de indústrias, atacou e ocupou a Guiana Francesa, fundou escolas e bibliotecas. Enquanto isso, na Europa, Napoleão destituia o rei de Espanha e em seu lugar colocava José Bonaparte, seu irmão.

Abandonar a Europa para fundar no Brasil um grande império, fora, em Portugal, desde o século XVI, um plano esboçado, estudado longamente por soberanos e estadistas, quando circunstâncias políticas tornaram periclitante a soberania continental portuguesa, ou esta foi ameaçada por estranhas tentativas de absorção fulminante. Martim Afonso de Sousa, organizador da colonização sistemática do Brasil, teria sido um dos primeiros a aconselhar a transmigração da Família Real para a América do Sul, revelando a Dom João III a extensão dos seus domínios neste continente e o valor prodigioso das riquezas que nele se encontravam profusamente distribuídas. Poucos anos depois, em 1580, Filipe II da Espanha, no desejo de afastar Dona Catarina de Bragança da concorrência ao trono de Portugal, prometeu elevar, a favor dela, a colônia do Brasil à categoria de reino independente. Mais tarde, Dom João IV, receando pela independência portuguesa, admitia, como propusera o padre Antônio Vieira, a trasladação da Corte para o Rio de Janeiro, lugar mais seguro e distante das cobiças castelhanas, disposto a sacrificar às contingências políticas da península seu filho Teodósio, que ele desejava casar com uma princesa francesa.

A transferência da Corte era uma boa solução também para a família real, pois evitava a deposição da dinastia de Bragança pelas forças napoleônicas. O Tratado de Fontainebleau, estabelecido entre a França e a Espanha em outubro de 1807, apressou a decisão do Príncipe Regente Dom João a abandonar a metrópole. Por aquele tratado, Portugal e suas colônias, inclusive o Brasil, seriam repartidos entre a França e a Espanha. No dia 29 de novembro, Dom João e sua família, acompanhados por um séquito de 15.000 pessoas, partiram para o Brasil. No dia seguinte, as tropas francesas do general Junot invadiram Lisboa. Quatro navios britânicos escoltaram as embarcações portuguesas até o Brasil; parte da esquadra portuguesa aportou na Bahia e parte no Rio de Janeiro. A chegada de Dom João à Bahia, onde ficou pouco mais de um mês, ocorreu em 22 de janeiro de 1808.

Teve início, então, uma nova História do Brasil, pois a colônia foi a grande beneficiada com a transferência da Corte. A presença da administração real criou, pouco a pouco, condições para a futura emancipação política da colônia. Da Bahia, Dom João seguiu para o Rio de Janeiro. Ali, o alojamento da numerosa comitiva do príncipe causou grandes problemas. As melhores residências da cidade foram requisitadas para os altos funcionários da Corte, não sendo poucas as pessoas despejadas de suas casas para hospedar os recém-chegados.


PRECURSORES DOS 960 RÉIS

O Brasil ainda era uma colônia quando a Família Real desembarcou na Bahia, depois de quase 2 meses de exaustiva viagem. Esta chegada repentina de cerca 15.000 pessoas acostumadas com o luxo e o conforto da corte portuguesa, causou um aumento inesperado nas despesas da Colônia, agravando a já difícil situação em que se encontrava o Tesouro Real.

Quando D. João Príncipe Regente chegou ao Brasil em 1808, circulavam legalmente no país, moedas de ouro, prata e cobre. Entre as moedas de prata oficiais, circulavam os 80, 160, 320 e 640 Réis(*¹). Também circulavam nessa época, uma grande variedade de moedas estrangeiras de prata. Eram originárias da Espanha e de suas colônias americanas (Bolívia, Peru, Chile, Argentina, México e Guatemala) e possuíam um diâmetro que variava de 37 a 42 mm. Pesavam em torno de 27 gramas e o seu teor de prata era, em geral, de 896 a 917 partes por 1000. Conhecidas como Pesos Espanhóis, as moedas hispano-americanas e metropolitanas de 8 Reales circulavam valendo de 320 Réis a princípio, alçada até 750 Réis quando foi proibida a sua circulação pelo Alvará de 01 de Setembro de 1808 Réis(*²). A partir desta data, a Coroa determinou que os 8 Reales fossem recolhidos e com o Aviso de 9 de novembro de 1808 ordenou que fossem enviados às 4 casas de fundição de MINAS GERAIS (Vila Rica, Sabará, Serro Frio e Rio das Mortes), 24 pares de cunhos com as Armas Reais para a carimbagem dos Pesos Espanhóis, divididos em 6 pares para cada uma das 4 casas de fundição. Foram enviados inicialmente (novembro de 1808) 70.137 pesos à Junta de Fazenda de Minas Gerais que depois de carimbados, deveriam ser empregados no resgate dos outros cuja circulação havia sido proibida. Em junho de 1809 houve autorização para compra de 100.000 pesos, ao preço unitário de 800 réis, para serem remetidos às províncias de Goiás, Mato Grosso e São Paulo para que nestes locais fossem aplicadas as determinações do Alvará de outubro de 1808, o que indica que, provavelmete, a carimbagem não se restringiu apenas à província de Minas Gerais. O “Carimbo de Minas” tinha o carater de moeda regional, devendo circular exclusivamente na Provincia de Minas Gerais e nao se sabe, com certeza, se houve remessa de pesos ou de cunhos para outras províncias.




Surgia assim a contramarca bifacial e circular, de aproximadamente 17mm de diâmetro, e limitada por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o escudo português encimado pela Coroa Real arrematada por cruz latina singela, ladeado por dois ramos frutificados de louro que se cruzam na parte inferior onde, sob o cruzamento dos ramos, lê-se o valor 960 .
Em novembro de 1809 foi criada a moeda de “três patacas” ou “patacão” (960 réis), pondo-se fim à aplicação da contramarca nos pesos espanhóis. Desta forma, podemos concluir que, desde a sua instituição em outubro de 1808 (partindo da remessa de cunhos em novembro do mesmo ano) até a criação da moeda de “ três patacas “, a aplicação da contramarca de 960 réis, mais conhecida como Carimbo de Minas, foi limitada ao período de novembro de 1808 a dezembro de 1809 (praticamente, um ano).


O CARIMBO

É bi-facial, circular, tendo aproximadamente 17 mm de diâmetro, limitado por uma cercadura de traços radiais. Era aplicado de modo a que ANVERSO e REVERSO do carimbo correspondessem ao ANVERSO e REVERSO da moeda espanhola. Vinha geralmente aplicado na metade inferior desta, permitindo, na grande maioria dos casos, a leitura da data primitiva da moeda que recebia o carimbo. Por haverem sido contramarcadas pela primeira vez nas casas de fundição de Minas Gerais, essas moedas são hoje conhecidas como “CARIMBOS DE MINAS”.



(*1) – Os 20 e 40 réis de prata haviam sido extintos, prevalecendo as moedas de cobre com estes valores.


(*2) - Manoel Jacinto Nogueira da Gama, escrivão deputado da Junta da Fazenda e futuro Marquês de Baependi, em princípios de 1808, em ofício que dirigiu ao Ministro Dom Rodrigo de Souza Coutinho, Conde de Linhares, sugeriu a “... aplicação de um carimbo nos pesos espanhóis “, com o valor de 960 réis. A idéia foi bem aceita, tendo sido determinada a sua execução por Alvará de 1° de setembro de 1808. Um novo Alvará, com data de 8 de outubro do mesmo ano, determinava que em Minas Gerais não circulassem mais os pesos espanhóis sem a contra-marca e que nem mesmo fossem negociados como gênero de comércio. A partir de então, os pesos marcados com o carimbo de 960 réis passaram a circular como moeda provincial.


(*3) – Pataca: Dizem alguns autores ser esta palavra derivada do árabe “ABUTACA”. Nesse idioma ela se apresenta como “PATAC“. Como “PATARD ou PATAR”, foi pequena moeda de cobre tendo curso em Flandres e na França, onde se empregou como sinônimo de “óbulo” para designar uma moeda sem valor. Alguns numismatas franceses dizem que PATAR pode ser uma corrupção de Peter, forma alemã de Pedro, porque o PATAR de Flandres tem sobre uma das faces a imagem do santo desse nome. Hoffman no seu livro das moedas reais da França até Louis XVI, descreve dois interessantes “PATARDS” de Louis XI ( 1461-1583 ). No Brasil, a palavra PATACA foi usada para caracterizar a moeda espanhola de 8 reales que a príncipio valia 320 réis. Ficou depois, no sistema provincial, como denominação da peça desse valor. ( Ensaios de Numismática e Ourivessaria – Mário Barata ). Pataca: Moeda brasileira de prata com o valor circulatório de 320 réis ( Glossário Numismático – Kurt Prober ) Patacão: Moeda portuguesa de cobre ( 10 réis ) de D. João II. Nome popular e mesmo oficial dado no Brasil à moeda de prata de 960 réis. Equivale a 3 patacas. ( Glossário Numismático – Kurt Prober ).


ANVERSO DO CARIMBO: Escudo português, encimado pela coroa real arrematada por cruz latina singela, ladeado por dois ramos frutificados de louro que se cruzam na parte inferior. No exergo, sob o cruzamento dos ramos, aparece o valor 960.


REVERSO DO CARIMBO: Esfera armilar encimada por cruz latina singela e arrematada por um “pé”. Em média o diâmetro da esfera é de 11,5 mm havendo, ao seu redor, um largo campo liso. Quanto à posição, podemos dizer que o REVERSO é intencionalmente “direito”, embora seja frequente encontrá-lo com pequena inclinação.


TIPOS DE CARIMBOS

Existem dois tipos de carimbos. Esta classificação é baseada no cunho de anverso do carimbo, basicamente caracterizado por um ponto ( ou a ausência deste ) no cruzamento das hastes dos ramos que se encontram logo acima do valor 960.


1° TIPO: COM PONTO no cruzamento das hastes. Os ramos de louro têm 11 x 11 folhas e 5 x 5 frutos. Folhas: 5 externas; 5 internas e uma ao final do ramo Frutos: 2 externos e 3 internos




2° TIPO: SEM PONTO no cruzamento das hastes. Os ramos de louro têm 17 x 17 folhas e 7 x 7 frutos. Folhas: 8 externas; 8 internas e uma ao final do ramo Frutos: 3 externos e 4 internos



A identificação do carimbo, por tipo, deve ser feita sempre pelo anverso, bastando para tanto, verificar se existe ou não o ponto no cruzamento das hastes, entre o escudo e o valor 960. É muito difícil uma falha de cunho atingir o ponto, mas se isto acontecer, resta como alternativa recorrer ao número de folhas e de frutos.

1° Tipo: 11 x 11 folhas e 5 x 5 frutos
2° Tipo: 17 x 17 folhas e 7 x 7 frutos.

Ainda é possível identificar os Carimbos de Minas por variantes. Esta classificação é feita através da combinação dos cunhos de reverso com os dois tipos de cunho de anverso e confirmada com a descrição completa dos carimbos.

O primeiro estudo sobre o assunto foi realizado pelo numismata Kurt Prober, em 1947 em seu trabalho intitulado “Carimbos de Minas”, onde a numeraçao que atribuiu aos carimbos com a finalidade de classifica-los por variantes, revela-nos uma minuciosa atençao aos detalhes particulares dos exemplares estudados. Com isso, conseguiu demonstrar, inclusive que os cunhos foram usados depois em barras de ouro, o que possibilitou a determinaçao do local de aplicaçao de grande parte dos carimbos.

Desta forma, Kurt Prober conseguiu associar às casas de fundição, diversas variantes de cunho, perfazendo um total de 20 cunhos de anverso e 19 cunhos de reverso. São estes:

• VILA RICA - 3 cunhos de anverso e 1 cunho de reverso
• SABARA - 1 cunho de anverso e 2 cunhos de reverso
• SERRO FRIO - 8 cunhos de anverso e 7 cunhos de reverso
• INDEFINIDOS - 8 cunhos de anverso e 9 cunhos de reverso.

Como foram abertos 24 pares de cunhos, de acordo com o estudo realizado por Prober restavam desconhecidos 4 cunhos de anverso e 5 cunhos de reverso. Estranhamente, a conclusao nos conduz a 8 cunhos de anverso e 7 cunhos de reverso atribuidos a Serro Frio, quando na verdade a informaçao que temos é a de que cada casa de fundiçao deveria rceber 6 pares de cunho (anverso e reverso).

O numismata Nogueira da Gama publicou, em 1961, um trabalho minucioso onde catalogou as variantes dos Carimbos de Minas, classificando-as segundo um criterio ao qual chamou de “formulas”. Em seu minucioso trabalho encontramos explicaçoes detalhadas de seu metodo para classificaçao dos Carimbos de Minas. Quase três anos depois, publicou um aditamento ao seu estudo (setembro de 1963), onde revela o surgimento de novas variantes, chegando a catalogar 22 anversos e 22 reversos. Classificando as variantes segundo o criterio “COM PONTO” e “SEM PONTO” no cruzamento das hastes, combinou estes 22 cunhos de anverso com os 22 de reverso, chegando a um total de 44 variantes. Em outras palavras :

Anverso “COM PONTO” – associado com 22 cunhos de reverso.
Anverso “SEM PONTO” – associado com 22 cunhos de reverso.

Total: 44 variantes

Caso a classificaçao fosse feita seguindo o critério de combinar 24 cunhos de anverso com 24 cunhos de reverso e admitindo a hipotese de que todos poderiam combinar entre si, teriamos 576 variantes. Por isso, o criterio adotado é mais logico. Mesmo porque a possibilidade de todos se combinarem é muito remota, pois os 24 pares de cunhos nao foram enviados todos ao mesmo local, impossibilitando a combinaçao plena. Mesmo assim, levando em conta que estes foram remetidos a quatro provincias e em mesmo numero, poderiamos ter 6 anversos, cada um deles combinando com 6 reversos, o que possibilitaria 36 combinaçoes diversas em cada provincia, chegando a um total de 144 variantes. Adotando-se o método de combinar 2 variaçoes de anverso (com e sem ponto) com as variaçoes de reverso e considerando que cada provincia recebeu 6 cunhos, teriamos 12 variantes , em cada provincia, perfazendo um total de 48 variantes, sendo 24 de anverso “COM PONTO” e 24 de anverso “SEM PONTO”.


Outras contramarcas de 960 Réis
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-Carimbo Mato Grosso
-Carimbo Cuyaba (escrito por extenso)
-Carimbo 960 com a letra C (Cuyaba)
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Carimbo Mato Grosso – Contramarca bifacial e circular de aproximadamente 17mm de diâmetro e limitado por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o escudo Português encimado pela coroa real, arrematada por cruz latina singela. Possui legenda circular posicionada abaixo do escudo com os dizeres “MATO GROSSO”. Não possui o valor de 960 como nos “Carimbos de Minas”. Criado em conformidade com a Provisão Régia de 11 de abril de 1818 com a finalidade de carimbar, na casa de fundição de Vila Bela, as moedas hispano-americanas que circulavam naquela região. Quando esta contramarca foi criada, os “carimbos de Minas” já não mais existiam, pois nessa época já circulavam as moedas com “ cunhos plenos” de 960 Réis. Note que o carimbo MATO GROSSO surgiu 10 anos depois da criação dos famosos “Carimbos de Minas”. São raríssimos os exemplares em que se pode ler, nitidamente, a legenda MATO GROSSO. São conhecidos exemplares sobre CAROLUS III – POTOSI, FERDINANDO VII – POTOSI e sobre SOL ARGENTINO, todos igualmente raros.


Carimbo Cuyaba – Contramarca bifacial e circular de aproximadamente 17mm de diâmetro, limitada por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o escudo Português encimado pela coroa real, arrematada por cruz latina singela. Possui legenda circular posicionada abaixo do escudo com os dizeres CUYABA por extenso, com “Y” e sem acentuação gráfica. Este carimbo foi aplicado a partir do final do ano de 1820, sendo que os exemplares conhecidos das moedas hispano-americanas que receberam esta contramarca, figuram apenas os 8 Reales de Carolus IIII. Raríssimos são os exemplares em que a legenda CUYABA pode ser lida nitidamente. Dois belíssimos exemplares desta moeda que pertenciam à coleção Moura, sendo que em um deles lê-se perfeitamente a palavra CUYABA e no outro as letras CUYA (CUYABA com a letra A pouco visível e as letras B e A de BA, ilegíveis), foram leiloados em 1998 e hoje pertencem a um colecionador da cidade de Curitiba (Paraná). Igualmente raros são os carimbos CUYABA (completo ou incompleto), aplicados sobre o carimbo MATO GROSSO. Uma medida retaliativa, talvez, pois depois da casa de fundicão de Vila Bela (onde eram aplicados os carimbos MATO GROSSO) ter sido deslocada para a vila de Cuyaba, os cuiabanos decidiram (mesmo o carimbo não trazendo nenhuma alusão à cidade rival, Vila Bela) tirar de circulação os exemplares que tivessem recebido puncão em tal lugar, recarimbando assim com um carimbo novo – CUYABA - todas (ou quase) as peças com a escrita MATO GROSSO.


Carimbo 960 com a letra C – Contramarca bifacial e circular de aproximadamente 17mm de diâmetro, limitada por uma cercadura de traços radiais, tendo no anverso o valor 960, limitado abaixo pela letra C e acima pela coroa real arrematada por cruz latina singela, ladeado por dois ramos frutificados de louro que se cruzam na parte inferior. No reverso encontramos as armas do Reino Unido (escudo Português sobre esfera armilar). Este carimbo apresenta três variantes principais de cunho: 1)A letra ”C” sem pontos, 2)A letra “C.” com um ponto e 3)A letra “.C.” entre dois pontos. Os três tipos igualmente difíceis de serem encontrados, principalmente se em bom estado de conservação. Um caso à parte é o mesmo carimbo aplicado sobre carimbo de MATO GROSSO, considerado da mais alta raridade. E a causa da existência de tal variante e a mesma da peça CUYABA por extenso sobre MATO GROSSO.

Figura - Carimbo ".C." (com pontos) sobre moeda hispano - americana de 8 Reales de Carolus IIII. Moeda do acervo particular da coleção Bentes.


Reconhecendo a base.
Um dos fatores que irá determinar o grau de raridade dos “carimbos de Minas” é justamente a base em que as contramarcas foram aplicadas. Para isso devemos levar em consideração dois aspectos:

1) As moedas que possuem o busto do soberano e;
2) as que não possuem o busto do soberano, conhecidas como colunários, ou mundos e mares. Em seguida vem a identificação da origem da moeda ou seja, a casa da moeda onde foi cunhada. Sendo assim, temos:

1) MOEDAS COM O BUSTO DO SOBERANO.


Figura - Moeda hispano-americana de 8 reales, com o busto do soberano (Carolus III, Carolus IV, Ferdinando VII)

Obs: Ainda existem moedas com o nome de um soberano e o busto de outro, como e o caso, por exemplo da moeda de Carlos IV, com o busto de Carlos III, ou Ferdinando VII, com o busto de Carlos IV (casa da moeda de Popayán).

2) MOEDAS QUE NÃO POSSUEM O BUSTO DO SOBERANO ( COLUNÁRIOS ).


Figura - Cunhadas durante o reinado de Carolus III, estas moedas possuem no anverso, a alegoria dos dois mundos cercados pelos dois pilares de Hércules, representando o estreito de Gibraltar (considerado o fim do mundo conhecido até então).

Identificado o tipo de moeda (busto ou colunário), o segundo passo e determinar a casa da moeda em que a base foi cunhada. Isto se faz, identificando a letra monetaria. Na moeda do tipo busto, a letra monetária encontra-se na legenda de reverso, entre “REX” e “8R”.

Figura - No detalhe, podemos identificar a letra monetária da Casa da Moeda de Potosi. Sendo assim, podemos classificar esta base como sendo um 8 Reales, Carolus IIII de Potosi. Acervo particular coleção Bentes.


Figura - No detalhe, podemos identificar a letra monetária da Casa da Moeda de Santiago. Sendo assim, podemos classificar esta base como sendo um 8 Reales, Carolus IIII de Santiago. Acervo particular coleção Bentes

Obs: Os Carimbos de Minas sobre moeda de Santiago, são sempre raros, sendo raríssimo se o soberano for Carolus III. Sobre moeda de Potosi são comuns, em se tratando de Carolus IIII. Todavia, os Carimbos de Minas sobre Potosi de Carolus III são raros e sobre os Colunários, raríssimos. Os carimbos de Minas sobre Carolus IV e Ferdinando VII, são extremamente raros. Mais adiante, isto será explicado de forma mais abrangente.
Já, na moeda de “COLUNÁRIO”, a letra monetária localiza-se no anverso, onde se encontram os dois mundos e as colunas de Hércules. A marca situa-se na legenda, entre florões, posicionada à direita e também à esquerda da data.
A marca M° identifica a casa da moeda da Ciudad del Mexico. (A marca M localiza-se na orla,junto a data).


Figura - Sendo assim, podemos identificar esta base como sendo um “8 Reales COLUNÁRIO, MÉXICO”

Nota: As moedas de COLUNÁRIO com contramarcas de 960 Réis são, em geral, mais raras que as outras moedas hispano-americanas com o mesmo carimbo. Porém existem algumas extremamente raras cujo carimbo não foi aplicado sobre moeda de Colunário. É o caso, por exemplo,do carimbo de 960 Réis aplicado sobre 8 reales de Ferdinando VII, que é raríssimo (são conhecidas apenas 4 Carimbos de Minas, aplicados sobre moeda de Ferdinando VII).

Figura - Carimbo de Minas sobre moeda hispano-americana de 8 Reales FERDIN VII 1809 México (da mais alta raridade). Imagem gentilmente cedida pelo Museu de Valores do Banco Central do Brasil. Acervo do MVBC.

As marcas que identificam as casas da moeda são as seguintes:


Existe também (figura a seguir) a marca LM (Lima) sobre 8 reales colunário. Porém, até o momento, não são conhecidos Carimbos de Minas aplicados sobre esta moeda.




Avaliação.


O grau de raridade dessas moedas deve-se, em primeiro lugar, à moeda que recebeu a contramarca (moeda base). Em seguida ao estado de conservação da contramarca e por último ao estado de conservação da moeda base. É conveniente esclarecer que as moedas que serviram de base à aplicação dessas contramarcas, via de regra, não são raras.

A combinação da contramarca de 960 Réis com um determinado tipo de base é que constitue a raridade, o que irá, a princípio, estabelecer o valor da moeda. É lógico que se dois carimbos aplicados em bases idênticas, possuem o mesmo estado de conservação, a valorização dar-se-á em função do estado de conservação da base. Sendo assim, o preço máximo para um determinado carimbo será fixado para a moeda que possuir carimbo flor de cunho sobre base flor de cunho.

Os valores a seguir se referem ao estado de conservação dos carimbos. Valores. Obs: Os valores são dados em EUROS e para o estado de conservação Extremely Fine (quase bela). Na classificação brasileira seria soberba. Deve-se acrescentar 50% a este valor caso a base, e também o carimbo, sejam flor de cunho (classificação soberba, para Portugal).

Nota: Os valores são aqueles entendidos pela Numismática Bentes e apurados através da nossa experiência em comercializar com estas moedas. Trata-se do preço máximo, final para o colecionador. Alguns leilões superam esta expectativa, devido à raridade da moeda, seu estado de conservação e o interesse dos participantes. Desta forma, estas moedas podem atingir valores maiores (ou menores) do que aqueles expostos pela nossa avaliação. Porém, via de regra, os preços se mantém nesta faixa, variando em torno de 10%, para mais ou para menos.

CARIMBO DE MINAS - VALORES
1) SOBRE 8 REALES COLUNÁRIO
1a) MÉXICO (Colunário)....................................
RRRRR
2) SOBRE 8 REALES DE CAROLUS III
2a) POTOSI..........................................................
1.400,00
2b) MÉXICO........................................................
2.000,00
2c) LIMA..............................................................
1.800,00
2d) SANTIAGO...................................................
2.500,00
3) CAROLUS IV
3a) POTOSI..........................................................
1.800,00
3b) MÉXICO........................................................
2.000,00
3c) LIMA..............................................................
2.500,00
3d) SANTIAGO...................................................
RRRR
4) CAROLUS IIII
4a) POTOSI..........................................................
250,00
4b) MÉXICO........................................................
1.000,00
4c) LIMA..............................................................
450,00
4d) SANTIAGO...................................................
800,00
5) FERDIN VII.....................................................
RRRRR - Da mais alta raridade.
Outros Carimbos
1) MATO GROSSO.............................................
7.000,00
2) CUYABA.........................................................
15.000 (CUYABA visível)
3) CUYABA.........................................................
10.000 (quando visível parte do nome)
4) CARIMBO "C"................................................
3.000,00
5) CARIMBO "C" S/MATO GROSSO................
RRRRR



As MOEDAS de 960 Réis.

Os “carimbos de Minas” (contramarcas de 960 Réis) foram os precursores dessas moedas que circularam de 1810 a 1834 com o objetivo principal de por um fim a circulaçao de moeda estrangeira de prata no pais. Na época, os pesos espanhóis, como eram conhecidos, circulavam livremente no Brasil, sendo aceitos como moeda corrente. Essas moedas, oriundas da Espanha e de suas colonias americanas, começaram a ser nacionalizadas a partir de 1808 quando receberam a contramarca de 960 Réis (Carimbos de Minas) que a seguir foi substituida pela cunhagem no mesmo valor (960 Réis), o que foi feito nas Casas da Moeda do Rio de Janeiro, Bahia e também na Casa de Fundiçao de Vila Rica em Minas. Foi cunhada em tres períodos distintos, a saber:

1) Colônia (1810 a 1818),
2) Reino Unido (1819 a 1822) e
3) Império (1823 a 1834),

sendo que, no Reinado de D. Pedro II, nos anos de 1832, 1833 e 1834, passaram a ser cunhadas em discos proprios e nao mais recunhadas sobre "pesos espanhois".
Diferentemente das contramarcas de 960 Réis que foram aplicadas apenas em moedas hispano-americanas, as cunhagens dos 960 Réis nao obedeciam, à risca, a determinação de cunhar apenas os pesos espanhóis. Como o processo praticamente tornava invisível os traços da moeda base, qualquer moeda de prata que se assemelhava, em tamanho e peso ,a um peso espanhol, entrava no processo de cunhagem. Dessa forma, temos 960 Réis cunhados sobre moeda Francesa, Italiana, Holandesa, Austríaca, Inglesa e até Norte-americana, além de outras. Como exemplo, temos 960 Réis cunhados sobre 5 Francos Franceses de Napoleão, sobre 2 ½ Gulden Holandes, sobre Ducatone di Napoli e sobre 1 Dolar Norte-americano (Draped Bust Type – Heraldic Eagle de 1799). Algumas moedas Hispano-americanas que haviam recebido o “Carimbo de Minas”, também foram cunhadas, deixando visíveis os vestígios da contramarca.

Popularmente chamada de “PATACÃO”(*¹), essa moeda transformou-se em um dos mais importantes elementos do colecionismo numismático brasileiro.


Figura: Exemplo de 960 Réis, cunhado na Casa da Moeda da Bahia, onde sao visíveis os traços da moeda que serviu de base (8 Reales de 1807, cunhado no México).

(*¹) – PATACÃO- Moeda Portuguesa de cobre (10 Réis) de D. João II. Nome popular e mesmo oficial dado no Brasil a moeda de 960 Réis. Equivalente a 3 patacas. ( Glossário Numismático – Kurt Prober )
PATACA – Moeda brasileira de prata com o valor circulante de 320 Réis. ( Glossário Numismatico – Kurt Prober )

PATACA – Dizem alguns autores ser essa palavra derivada do Arabe “ABUTACA”. Nesse idioma ela se apresenta como “PATAC”. Como “PATARD ou PATAR”, foi pequena moeda de cobre tendo curso em Flandres e na França, onde se empregou como sinônimo de “óbulo” para designar uma moeda sem valor. Alguns numismatas franceses dizem que PATAR pode ser uma corrupção de PETER, forma alemã de Pedro, porque o PATAR de Flandres tem sobre uma das faces , imagem do santo desse nome.

Hoffman, no seu “ Livro das Moedas Reais da França até Louis XVI”, descreve dois “PATARDS” de Louis XI. No Brasil, a palavra “PATACA” foi usada para caracterizar a moeda espanhola de 8 Reales que a princípio valia 320 Réis. Ficou depois, no Sistema Provincial, como denominação da peça desse valor. (Ensaios de Numismatica e Ourivesaria – Mario Barata).

Por possuir muitas particularidades, essa moeda acabou gerando diversas formas de colecionismo, constituindo-se numa fonte quase inesgotável de estudo e pesquisa. A seguir temos as formas de colecionismo mais comuns, entre aqueles que se dedicam a essa moeda.

I) COLEÇÃO POR TIPOS – Leva em consideração somente o período e a Casa onde a moeda foi cunhada, procurando sempre adquirir exemplares no melhor estado de conservação possível. Por ser a forma mais simples de colecionismo e por não exigir conhecimentos profundos sobre o assunto, e a forma mais indicada para quem está iniciando. Sendo assim, uma coleção de 960 Réis por tipo deve conter os seguintes exemplares:

1) Um carimbo de Minas,
2) Um patacão da Colônia com a letra “R”,
3) Um patacão da Colônia com a letra “B”,
4) Um patacão da Colônia com a letra”M”,
5) Um patacão do Reino Unido com a letra “R”,
6) Um patacão do Reino Unido com a letra “B”,
7) Um patacão do Império (D. Pedro I) com a letra “R”,
8) Um patacão do Império (D. Pedro I) com a letra “B”,
9) Um patacão do Império (D. Pedro II) com a letra R, e ainda
10) Um patacão da chamada “série especial”.

Nota: SÉRIE ESPECIAL – Em 1815, Portugal passou a ser um Reino Unido (Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves). Em consequência, ordenou-se que, entre outras coisas, que as moedas, a partir de então, fossem cunhadas com nova legenda e novo desenho alusivos ao novo Reino. Nessa época, D. João ainda era Príncipe Regente e como o novo desenho ainda não havia sido instituído, foi cunhada em 1816, na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, uma série de 5 moedas com letra monetária R, onde apenas a legenda foi alterada, demonstrando a elevação do Brasil à condiçao de Reino Unido a Portugal e Algarves. Essa série de 5 moedas, hoje conhecida como “série especial”, é composta de

  • 2 moedas de cobre (20 e 40 Réis),
  • 2 moedas de ouro ( 4000 e 6400 Réis ) e
  • uma moeda de prata (960 Réis).
Convém ressaltar que o desenho colonial não foi alterado. A alteração do desenho somente se deu em meados de 1818. Em 1817 e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com legenda e desenho da Colônia.
Na imagem acima, o raríssimo 960 réis 1809R - Patacão da Colônia com legenda original JOANNES .D. G. PORT. P. REGENS. ET. BRAS. D. (JOANNES.Dei.Gratia. PORTugaliae. Princeps. REGENS. ET. BRASiliae. Dominus)*. Imagem gentilmente cedida pelo Museu de Valores do Banco Central do Brasil. Acervo do MVBC. Clique na imagem para ampliar.

*João pela graça de Deus Príncipe Regente de Portugal e Senhor do Brasil.


No "patacão" da chamada série especial (figura a seguir) a legenda, de anverso, passa a ser: "JOANNES.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.P.REGENS"

(JOANNES.Dei.Gratia.PORTugaliae.BRASiliae.ET.ALGarbiorum.Princeps.REGENS)(*¹), o que demonstra a elevação do Brasil a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. (Patacão da série especial ).
(*¹) João pela graça de Deus Príncipe Regente de Portugal, Brasil e Algarves.

Figura: 960 Réis de 1816R, série especial, com desenhos da Colinia, mas ja fazendo parte do Reino Unido.


Em 1817 e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com o desenho colonial antigo e legenda original - JOANNES.D.G.PORT.P.REGENS.ET.BRAS.D - apesar do Brasil não ser mais uma Colônia.
Posteriormente, com a coroação (1818), D. João passou da condição de Príncipe Regente para a condição de Rei sob o título D. João VI, e aprovou o novo desenho e a nova legenda (JOANNES.VI.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.REX) para as moedas que seriam cunhadas no Reino Unido.
Dessa forma, foram cunhados (com letra monetária R), no período que vai de 1816 a meados de 1818 , patacões com:

a) Desenho Colonial e legenda original, tendo D. João como Príncipe Regente.
b) Desenho Colonial e legenda alusiva à elevação do Brasil a categoria de Reino Unido, tendo D.João como Príncipe Regente (1816R – série especial)
c) Desenho Colonial, retornando à legenda original (1817R e 1818R), ainda com D. João como Príncipe Regente, apesar do Brasil não ser mais considerado uma Colônia.
d) Desenho e legenda novos (Reino Unido – 1818R).
Assim, existem dois tipos diversos de patacões com a data 1816R, um tipo com a data 1817R e dois tipos com a data 1818R.

Figura: Patacão 1816R da serie especial com desenho da Colônia e legenda alusiva ao novo Reino Unido (D.Joao Príncipe Regente).

Figura: Patacão 1817R, com desenho e legenda da Colônia, cunhagem do Reino Unido (D.João P.R.).

Figura: Patacão 1818R, com desenho e legenda da Colônia, cunhado no Reino Unido (D.João Príncipe Regente).


Figura: Patacão 1818R, com desenho e legenda novos do Reino Unido (D.João VI, Rei de Portugal, Brasil e Algarves).


II) COLEÇÃO POR DATAS – É o tipo de colecionismo mais comum entre os numismatas. Os poucos catálogos brasileiros, em sua maioria, apresentam as moedas dispostas, inicialmente pelo metal em que foram confeccionadas (ouro, prata, cobre, etc) e a partir daí, são ordenadas de acordo com as datas e em cada data, vez por outra, são apresentadas as variantes clássicas. Esta forma de colecionismo requer um investimento consideravelmente maior que aquele dispensado à coleçao por tipos, sem contar que algumas datas sao consideradas raríssimas ou mesmo peças únicas, o que praticamente impossibilita o “fechamento” de uma coleção completa de moedas de 960 Réis (por datas).
É indicada aos colecionadores que por, presumivelmente, já possuirem uma coleção por tipos com muitas peças, já adquiriram experiência e conhecimento suficientes para se dedicarem a esta forma de colecionismo.

III) COLEÇÃO POR VARIANTES – Como o processo de cunhagem era mecânico, exigindo constantes trocas dos cunhos de anverso e reverso, devido a empastamento (desgaste) ou até pela rachadura e quebra dos mesmos, diversas matrizes de uma mesma data eram feitas. Como os cunhos eram abertos à mão, era praticamente impossível que um cunho fosse igual ao outro. Alguns pesquisadores como Lupércio Gonçalves Ferreira (no seu Catálogo das Variantes dos Patacões da Casa da Moeda do Rio de Janeiro) e Renato Berbert de Castro (no seu Catálogo das Variantes dos Patacões da Casa da Moeda da Bahia), já relacionaram e cadastraram, com base na observação de um grande número de exemplares, uma grande quantidade de variantes. Porém, esse número não pode ser considerado definitivo uma vez que, volta e meia, surge uma nova variante devido à combinação de um determinado cunho de anverso com outro de reverso, ou mesmo devido a um cunho novo (o que é mais raro). Esse tipo de colecionismo requer alguns conhecimentos básicos dos elementos que constituem os cunhos de anverso e reverso de um patacão tais como a perolagem da coroa e as partes da esfera armilar. Além dos catálogos especializados citados acima, boas lentes ou uma lupa estereoscópica, são recomendadas. Como algumas variantes tornaram-se clássicas como o “COROA de 640 RÉIS” e o “IGNO” entre outras, estas passaram a ser incluídas em catálogos não especializados no assunto. É difícil avaliar as outras variantes! Como regra, adotam-se preços diferenciados entre as variantes comuns (C), as raras (R), as muito raras (RR) e as raríssimas (RRR).

Figura acima: Raríssimo patacão com Coroa de 640 Réis. Variante 4A (Catálogo Descritivo dos 960 Réis da Casa da Moeda da Bahia) dos autores José Serrano Junior e Flávio Barbosa Rebouças. Florões intercalados por pontos, Frontal com uma pérola e Legenda apresentando a serifa do A de JOANNES com reentrância no "O". No catálogo Berbert de Castro, a mesma variante aparece com o número 12.

Figura acima: 960 Reis, 1814 B (15ª variante) Cunho de anverso 1814 e cunho de reverso 1816, com a letra  monetaria B. Algumas dessas variantes foram recunhadas sobre moedas de 960 Reis 1816 B ou seja, re-recunhadas sobre 8 Reales. Devido ao desgaste dos cunhos de anverso com a data 1816 B, ainda foram utilizados em substituição a estes os cunhos com a data 1814, juntamente com cunho de reverso 1816. Provavelmente ainda havia um lote de moedas a serem cunhadas, e não encontrando um cunho de anverso de 1816 em boas condições, resolveram usar um remanescente de 1814 em bom estado. Devido ao desgaste avançado dos cunhos de anverso de 1816, algumas moedas foram, por assim dizer, “mal cunhadas” com essa data, dessa forma retornando às oficinas de cunhagem onde foram re-recunhadas com o cunho de anverso de 1814 e reverso de 1816. Tudo isso pode ser constatado através do 960 Reis 1814 B (15ª variante) que possui cunho de anverso 1814 e reverso 1816. Contudo este fato, por si só, não comprovaria a recunhagem (com cunho de anverso 1814) sobre um 960 Réis 1816 B.  Porém, em algumas peças de 1814 B (próprio na 15ª variante), vê-se nitidamente a data 1816 sob 1814, o que não deixa margem à duvidas.Destarte, a 15ª variante do 1814B, recunhada sobre moeda hispano-americana e recunhada sobre 960 Reis 1816B - ou seja, re-recunhada sobre 8 Reales - conquista status de variante clássica por possuir características que esclarecem muito do que aconteceu nas oficinas de cunhagem das Casas da Moeda no Brasil colonial.

FIM DA PRIMEIRA PARTE

Próximos artigos sobre os 960 réis
  • A coleção por recunhos
  • Recunhos raros
  • Variantes clássicas e suas cotações
Em breve