A fotografia no âmbito da numismática - parte I

Tratando-se de numismática, certamente nada pode substituir o prazer da observação direta e do contato material com o objeto do nosso desejo e interesse. Contudo, a imagem fotográfica se faz necessária em diversas situações, solucionando uma série de problemas práticos, nos permitindo, de maneira simples cômoda e econômica, a visualização simultânea de anverso e reverso de um exemplar, por justaposição de imagens.
Figura ao lado: Imagem obtida com Canon EOS 5D Mark III, objetiva macro 100mm.

Basta imaginar a comodidade de possuir um arquivo digital para consulta, com imagens em alta definição, inclusive acompanhadas de suas respetivas descrições - o que pode ser realizado com facilidade na própria imagem do objeto, na posição que melhor nos convém - para compreender a importância e a necessidade da fotografia para a numismática. Não se configura apenas em mera documentação de arquivo; convém recordar que a imagem ampliada de um objeto de pequenas dimensões, como as de algumas moedas, são capazes de provocar um forte impacto visivo, revelando particularidades de um determinado exemplar, não visíveis a olho nu.

O texto e as imagens a seguir ilustram a técnica de iluminação do objeto (moeda) usando uma fonte de luz lateral difusa e uma lâmina de vidro, com o objeto colocado sobre suporte com calibrador milimétrico, sob objetiva macro em perpendicular. Esta técnica nos permite obter boas imagens no caso das moedas que possuem superfície metálica lúcida.


Material necessário:

Em primeiro lugar (e isso é fundamental), é necessário um suporte com calibrador micométrico em condições de executar ínfimos ajustes na altura da fotocâmera que deve enquadrar a moeda (objeto) na vertical, a partir do alto. Na imagem a seguir, vê-se um elenco do material mínimo, necessário à boa reprodução de imagens de moedas.

Clique na imagem, para ampliar.


  1. Suporte do objeto, com calibrador milimétrico.
  2. Fotocâmera (modelo mais econômico recomendado: Nikon D40X).
  3. Objetiva 100 macro, posicionada à mínima distância focal, regulada manualmente.
  4. Calibrador milímetrico em condições de mover a fotocâmera, acima e abaixo, com ínfimos ajustes para regulagem do foco.
  5. Visor angular para controle do foco.
  6. Dispositivo (com o sem fio) para controle do tempo de exposição
  7. Computador conectado à fotocâmera através de software Canon EOS Utility ou equivalente.

Fotocâmera com visor angular para controle do foco.



Fole de extensão macro (figura acima) - Possui a mesma função do tubo retractil da objetiva macro. A diferença é que oferece a possibilidade de regular a distância da objetiva do plano focal, aumentando a resolução de reprodução em maneira muito precisa, já que o tubo tem extensão limitada, bem menor que a do fole que pode chegar a 15 cm, possibilitando maior ampliação e estabilidade.

A moeda deve ser apoiada, de preferência, sobre uma folha de cartão, preta e opaca, de forma a não reflitir a luz. Entre a objetiva e a moeda, coloca-se uma lâmina de vidro (espessura 2mm e diâmetro máximo de 30 cm) posicionada obliquamente e voltada para a fonte de luz lateral, como se pode observar na imagem a seguir. A luz lateral incide sobre a lâmina de vidro, refletindo sobre o objeto (moeda). Movendo ligeiramente a lâmina de vidro, pode-se notar perfeitamente que a iluminação sobre o objeto (moeda), muda, a medida que mudamos a posição da lâmina de vidro. Observando atentamente através do visor angular (5), pode-se ajustar o foco e a iluminação até o momento em que a moeda aparece focada e iluminada de maneira uniforme, com os reflexos e sombras sobre os detalhes em relevo satisfatórios, nos fornecendo uma imagem clara e nítida. É suficiente ajustar o tempo de exposição num intervalo entre 5 e 10 segundos, auxiliado pelo dispositivo de controle (6). É aconselhável realizar as fotos em ambiente idôneo (quarto escuro), sem a presença de outras fontes de luz que possam interferir na iluminação. A luz deve ser difusa e dura, podendo-se colocar entre a fonte e a lâmina de vidro uma outra lâmina que permita passar iluminação mais tênue (exemplo: uma lâmina transparente como as de um vidro “leitoso”)...ver figura a seguir.
Ao aproximar a fonte de luz do objeto (moeda), o grau de difusão aumenta; ao afastar, obtemos uma luz mais dura e direcionada.


A boa performance na reprodução fotográfica de uma moeda se obtém mantendo sob controle os reflexos sobre a superfície metálica e as sombras produzidas pelos detalhes em relevo, cujo excesso prejudica a visão das particularidades e dos elementos essenciais da moeda. A imagem deve ser a mais real possível, agradável aos olhos. É necessário, em alguns casos (moeda que tenha perdido grande parte do seu brilho original, por exemplo), manter alguns pontos de reflexão e zonas sombreadas sobre o campo, de forma a produzir uma imagem esteticamente melhor. Convém recordar que um bom resultado depende, quase que exclusivamente, do sistema de iluminação que utilizamos.

Imagem obtida com iluminação indireta, com luz difusa dura e objeto posicionado lateralmente à fonte de luz. O foco foi concentrado no Carimbo de Minas, deixando o restante do campo da moeda menos nítido. Objetiva macro de 90 mm. Clique na foto para ampliar.

Para não confundir o iniciante com uma grande quantidade de informações, resolvemos terminar aqui a primeira parte que trata-se apenas de uma introdução às diversas técnicas utilizadas na fotografia numismática. A seguir, iremos tecer algumas considerações sobre a Lei de proteção à propriedade intelectual para que o leitor saiba a diferença exata entre foto artística (não é o nosso caso, ao fotografar moedas) e a mera captação de imagem por meio mecânico ou eletrônico.

Com relação às imagens de moedas (como mostradas até aqui), não cabe qualquer reivindicação de autoria artística ou de propriedade intelectual, como veremos a seguir.


Aspectos gerais e particulares da Lei de proteção à propriedade intelectual.

Tem-se falado muito a respeito da Lei 9.610/1998 que protege os direitos autorais. A correta interpretação do texto é de suma importância para o bom entendimento do que trata a matéria.

O art. 5º, XXVII, da Constituição Federal, dispõe que: “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar.”

A Constituição Federal assegura, portanto, um tipo especial de propriedade, qual seja o direito do autor de obra intelectual e cultural, interpretado como o direito de propriedade intelectual (incluindo os direitos morais) e patrimonial, protegendo o autor mesmo quando da exposição pública de sua obra.

A Lei 9.610/1998 que protege os direitos autorais, em seu art. 7º, VI, prevê : “a proteção das OBRAS fotográficas e das produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia.”

Carlos Eduardo Bittar[1] nos ensina que “o objetivo do Direito do autor é a disciplinação das relações jurídicas entre o criador e sua obra, desde que de caráter estético, ou seja, são as emanações do gênio humano das artes, da literatura, da ciência que recebem a proteção no âmbito do Direito do autor.”  

Com efeito, deve-se distinguir se a fotografia em questão destaca-se como obra de arte ou trabalho técnico, a fim de determinar se está protegida pelo direito autoral.


Ainda, segundo Carlos Alberto Bittar[1], “...a obra protegida em seu contexto é aquela que constitui exteriorização de uma determinada expressão intelectual, inserida no mundo fático em forma ideada e materializada pelo autor. A criatividade é, portanto, elemento ínsito nessa qualificação: a obra deve resultar de esforço intelectual, ou seja, de atividade criadora do autor, com o qual introduz na realidade fática manifestação intelectual estética não-existente (o plus que acresce ao acervo comum)...”

A fotografia pura e simples de objetos (no caso da numismática, as moedas) constitui-se em trabalho técnico, não havendo nenhuma criação do autor da fotografia, que simplesmente captou a imagem por meio mecânico.

Como bem salientado em sentenças anteriores, ''..o que diferencia o trabalho artístico de um trabalho técnico é a interferência do artista na realidade por ele captada. O trabalho técnico se limita a reproduzir a realidade. Já no campo artístico, há uma interferência do artista nessa realidade, de tal forma que, de sua obra destaque-se uma expressão criadora, propiciando a contemplação da beleza aos olhos dos apreciadores, tenha ou não alguma funcionalidade. O trabalho técnico é funcional e não há qualquer interesse que dele se extraia a beleza contemplativa, ainda que esta possa se fazer presente. 
Destarte, a fotografia expositiva das faces de uma moeda não se confunde com uma obra de arte. Não há qualquer interferência do autor na realidade, limitando-se apenas a captá-la como esta se lhe apresenta...''

Nesse contexto, em relação à obra fotográfica, ainda nos ensina Carlos Alberto Bittar[1] que “a protegilibidade em concreto está relacionada ao caráter artístico da forma (art. 7º, inc. VII). Daí, nem toda fotografia (como comercial ou documental) merece acolhida no regime legal [...].” 

Destarte, as alegações de propriedade intelectual sobre fotos meramente expositivas de moedas, não devem ter amparo legal, visto que são nitidamente técnicas, sem nenhuma originalidade que as identifique como obra de arte. São somente as captações da imagem de um objeto, através de um processo mecânico, nada tendo de artísticas, não se configurando, desta forma, em obra do gênio humano passível de proteção sob a alegação de propriedade intelectual.

[1]BITTAR, Carlos Alberto. Direito do Autor. 4 ed. Revista, ampliada e atualizada. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. p. 19-20.

A respeito de Carlos Alberto Bittar - De origem humilde, veio à luz na cidade fluminense de Paraíba do Sul, terra que assistiu ao florescimento e ao declínio da cultura cafeeira.

Sua passagem pelo mundo, sempre marcada pela luta e pela incessante busca da Verdade e da Justiça, jamais foi em vão. Galgou as mais altas posições a que poderia haver aspirado um jurista. Professor da USP, formando gerações de estudantes e profissionais do Direito, atingiu a Titularidade após brilhantes e inolvidáveis defesas de tese no Salão Nobre da prestigiosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Advogado militante por mais de três décadas, conquistou vaga, por meio do quinto constitucional, no Egrégio Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, colegiado que enobreceu através de atuação marcante, íntegra e escorreita, prolatando acórdãos, profunda e ricamente embasados. Doutrinador prolífico, publicou inumeráveis trabalhos científicos de grande valor, dos quais se destacam os mais de quarenta livros escritos, entre autoria e co-autoria, havendo sido escolhido, por seus pares, membro da Academia Paulista de Direito, honrado com a cadeira de que é patrono Tobias Barreto.

Carlos Alberto Bittar será para sempre lembrado como um dos maiores juristas que o Brasil já teve. Com efeito, sua vida e obra o tornaram imortal.

Ave, Caesar, morituri te salutant

A construção do Anfiteatro Flávio, que deve o seu nome à gens Flávia (Flaviana), é obra do imperador Vespasiano, edificada  apartir de 72 d.C. e financiada com a pilhagem romana da conquista de Jerusalém em 70 d.C., inaugurado pelo seu filho Tito e concluído durante o governo de Domiciano, segundo filho de Vespasiano, no ano 82 da era Cristã.
É talvez o monumento mais famoso da antiguidade, idealizado como parte de um projeto de reestruturação de Roma, ainda sob o choque do grande incêndio ocorrido durante o governo de Nero.

O grande anfiteatro surgiu sobre o lago artificial (o stagnum, citado por Marco Valério Marcial em seus escritos) construído por Nero para enfeitar a sua Domus Aurea, consequência de uma damnatio memoriae em prejuízo do imperador apontado pela história como o pirômano que mandou incendiar a cidade. Esse espelho d'água, alimentado por fontes que surgiam das fundações do templo do Divo Cláudio, foi aterrado por ordem de Vespasiano - uma espécie de ato reparatório contra a política do tirano Nero que havia usurpado o terreno público, destinando-o a uso privado - numa tentativa de mostrar à população a linha da fronteira que separava o velho do novo e atual principado.

A Domus Áurea, a monumental vila residencial construída por Nero que se apoderou de um espaço público para construir sua moradia. Em primeiro plano vê-se o lago artificial, aterrado por ordem de Vespasiano e onde se ergueu o Coliseu. No fundo, ao alto, vê-se parte da enorme estátua de Nero (o colosso) que deu origem ao nome popular do Anfiteatro Flávio. Clique na imagem para ampliar.

Ao seu redor foram construídas pequenas estruturas de apoio: depósitos, academias de exercitação física e um hospital para dar suporte aos feridos na arena. Ao que se conseguiu apurar em documentos históricos, os últimos espetáculos foram realizados em 523 d.C.

Vespasiano. AD 69-79. AV Áureo (19mm, 7.10 g). Casa da Moeda de Roma, batida em torno a AD 73. Anv.: IMP CΛES VESP ΛVG CEN, cabeça laureada de Vespasiano, voltada à direita /  Rev.: VES TΛ, Templo com quatro colunas e estátuas de Vesta.

Entre o final do século V e inicio do VI, foram desmontadas as estruturas do setor sul e executadas as obras de aterro da arena dos espetáculos. A partir da metade do século VI, com a perda total das suas funções para as quais foi idealizado, o Anfiteatro cai em fase de total abandono, sofrendo contínuas e sucessivas espoliações de material: o travertino da estrutura de ingresso, os revestimentos em mármore, os grampos metálicos que uniam os blocos de pedra, tijolos e diveros outros materiais foram subtraídos através dos anos, pela própria população paar construção de habitações. Os furos que hoje podem ser vistos no que restou do  travertino são a consequência desse saqueamento.

O Coliseu foi inaugurado pelo filho de Vespasiano, o imperador Tito, mas o projeto só foi concluído por seu irmão e sucessor, Domiciano.

Por ocasião da inauguração (antes mesmo do projeto terminado), Tito mandou bater um sestércio (figura a seguir) que retrata o Anfiteatro Flávio com admiráveis detalhes. Assim como foi executado na retratação do porto de Ostia, foi usado no desenho da moeda uma interessante combinação de duas perspectivas, de forma a ver representado seja o interno que o externo do anfiteatro. Pode-se observar com extraordinária nitidez a presença das estátuas em cada arcada. No interno notam-se as gradinatas com as respectivas subdivisões para o público, além do magote que lotava o anfiteatro durante os espetáculos, a maior parte deles bizarros, degradantes e aviltantes aos nossos olhos (pelo menos a maior parte).


À esquerda do anfiteatro (direita do observador),  vê-se a representação da Meta Sudans, a elegante fonte erguida ao lado do Coliseu, ainda em época flávia. Do outro lado (esquerda do observador), à direita do monumental anfiteatro, percebe-se, nitidamente, a representação de um pórtico. Trata-se de exemplar da mais alta raridade.

Pouco tempo depois, o segundo filho de Vespasiano, o imperador Domiciano, operou importantes modificações no Coliseu, completando a obra ad clipea (ornamentos com escudos decorativos em bronze dourado), adicionando o maenianum secundum in ligneis e realizando os subterrâneos da arena. Após essa reforma estrutural, não foi mais possível a realização das naumaquias, (em latim naumachia, literalmente "combate naval"), espectáculo no qual se representava uma batalha naval na arena transformada em uma grande piscina.

A naumaquia romana era um espetáculo onde encenavam batalhas navais em arenas transformadas em piscinas. Após as obras realizadas no Coliseu, por Domiciano, esse gênero de espetáculo foi transferido para outra arena, onde hoje se localiza a praça Navona, construída para suprir as exigências materiais da representação teatral do evento.

Durante o governo de Marco Opélio Macrino, um incêndio causado por um relâmpago que atingiu as enormes tendas que protegiam o público da exposição ao intenso sol, causou enormes danos ao anfiteatro, posteriormente restaurado por Heliogábalo (Eliogabalo). Em 223 d.C., durante o governo de Alexandre Severo, teve lugar uma segunda inauguração do Anfiteatro restaurado. Esse imperador mandou bater áureos e sestércios (figura abaixo) com a incisão do Coliseu no reverso das moedas, para comemorar o evento.

O monumento é, mais uma vez, reproduzido com o uso da dupla perspectiva, estudada pelos incisores de Severo, partindo da cunhagem executada por Tito, 150 anos antes. Contudo, nos sestércios de Alexandre Severo, o Anfiteatro tem uma concepção mais estreita, agora com os gladiadores que combatem na arena. No reverso, do lado esquerdo do Anfiteatro (direito do observador), vê-se o imperador assistido por um servo, tendo ao fundo a Meta Sudans. À direita do Anfiteatro, um templo que provavelmente simboliza um ato de sacrifício prestes a ser cumprido por Severo.

O uso da estrutura interna como habitação da plebe e de imigrantes, organizados em torno da praça central (antiga, e agora aterrada, arena), como canteiro de hortos, como abrigo para animais e depósito de mercadorias, ocorridos durante a idade média, degradou continuamente o monumento até a forma como hoje o conhecemos.

Gordiano III também ordenou obras de reestruturação no monumento, recordando seu feito, desta vez, em um medalhão. Com módulo notavelmente maior, permitiu ao sincisores maior liberdade no desenho dos detalhes, como se pode notar na figura abaixo onde se vê, nitidamente, no reverso, a imagem de um touro e um elefante na arena.
Um novo incêndio se abateu sobre o Coliseu em 250 d.C., constringindo Trajano a executar novso trabalho sde reestruturação. Em 405, o imperador Honório aboliu os espetáculos de lutas entre gladiadores, decretando o Coliseu à abscuridade e abandono parcial. Reestruturado pela última vez por Teodorico, tem início o seu declínio.
Terremotos sucessivos (422, 442, 508, 874, 1255, 1349 e 1703) o danificaram ainda mais, abatendo parte do seu perímetro externo. Subtraído durante séculos de seus mármores e estátuas, o que resta hoje são apenas as ruínas de um monumento que abrigou durante séculos a folia de imperadores sedentos de poder e de uma população tão orgulhosa e evoluída, quanto degenerada, fútil e destituída de valores morais.


O nome COLISEU, usado para indicar o Anfiteatro, foi usado pela primeira vez no século VIII, derivado da estátua colossal de Nero que se erguia na vizinhança

O caráter sacro do edifício foi estabelecido pelo Papa Bento XIV que, por ocasião do Jubileu de 1750, mandou erguer uma Cruz Cristã no centro da arena, além das 14 edículas da Via Crucis contornando o perímetro do monumento.

Após o terremoto de 1803, foram executados os primeiros trabalhos de consolidação, com a realização de duas contenções no lado oriental (1805-1807) e ocidental (1827), primeiar fase de um longo processo de recuperação e de pesquisas arqueológicas que transformaram o Coliseu em um rude monumento.

Modelo do Coliseu, relizado em madeira. Fim do século XVIII, início do século XIX.


Arquitetura

A estrutura do Anfiteatro foi realizada em blocos de travertino (muros perimetrais e pilastras dos pórticos). O externo do edifício se dispõe em quatro estilos superpostos, atingindo uma altura de quase 50 metros. A última secção hospedava uma colunata em mármore (colunas e capitéis).
O inteiro edifício tem planta elíptica, com o eixo maior medindo 188 metros e o menor 156 metros. Ao centro do edifício, a arena, onde tinham lugar os jogos.

O Anfiteatro era dotado de 80 arcadas de ingresso, 76 delas numeradas, destinadas aos espectadores e 4, orientadas segundo os pontos cardeais, reservadas ao imperador, às autoridades políticas e religiosas e ao sprotagonistas dos espetáculos. Os ingressos monumentais ao norte e ao sul do edifício conduziam a dosi palcos de honra, adjacentes à arena, sendo um deles de uso exclusivo do imperador.

Os locais assinalados e percursos obrigatórios, através das arcadas numeradas, conduziam diretamente aos assentos.

Disposição dos assentos ao interno do Coliseu. Clique na imagem para ampliar. 


Os jogos

Os espetáculos eram gratuitos e representavam para quem os oferecia (editor) a possibiliadde de demonstrar sua generosidade.
Em, Roma, o editor por excelência era o imperador e, excepcionalmente, um magistrado que, nesse caso, era obrigado a financiar os jogos com seus próprios recursos. Em ocasião de particulares eventos, os espetáculos podiam prolongar-se por muitos dias, como aconteceu quando foi inaugurado pelo imperador Tito, em 80 d.C., que se prolongou por 100 dias consecutivos. Foi nesse período que, antes da construção dos hipogeus em alvenaria, a área central foi usada como um lago artificial para a exibição das batalhas navais (naumaquias).

Os combates, ao contrário do que se imagina, raramente eram mortais. Frequentemente, o público consentia a “graça” ao gladiador. Eram em suas maioria escravos ou prisioneiros de guerra de propriedade de um empresário especializado no setor (lanista) que recebia, também,  em sua “escola”, homens livres que desejavam seguir a carreira de gladiador, na esperança de obter fama e fazer fortuna.

Um dos mais famosos lanistas foi Lêntulo Batiato. Em 73 a.C., Batiato era dono de uma escola de preparação de gladiadores em Cápua, Campânia (Itália), que reunia principalmente escravos gauleses e trácios. Segundo Plutarco, em sua “Vida de Crasso”, os maus-tratos infligidos por Batiato levaram cerca de duzentos escravos à revolta e a tentar fugir da escola. Setenta e cinco deles conseguiram, entre eles Espártaco, que viria a se tornar o principal líder da Terceira Guerra Servil (73 a.C. - 71 a.C.), a maior revolta de escravos ocorrida na Itália Romana.

Os gladiadores viviam e treinavam em grupos e depois de um certo número de combates, podiam “aposentar-se”. No caso de escravos, ganhavam a liberdade concedida pelo imperador. Alguns deles, muito amados do público, se transformaram, em verdadeiros ídolos das massas.


A jornada dos jogos era assim dividida:

Pela manhã, após uma parada inicial de todos os participantes (pompa), tinham lugar as venationes, espetáculos de combates e exibições de animais domesticados, provenientes de todo Império. A cenografia era muito acuradas, reproduzindo o habitat natural dos animais, com o uso de muitos efeitos especiais.

Mosaico mostrando combate entre gladiadores, encontrado na vila romana de Dar Buc Ammera, nos arredores de Leptus Magna, II século d.C. Vêem-se representadas as categorias Retiarius, o Secutor, o Oplomachus, o Traex do período republicano e o Mirmillo ou Mirmillone (nomenclatura definida a partir da idade augustea). 

No intervalo do almoço, a arena passava a ser palco de execuções públicas, entre as quais a damnatio ad bestias  que era a mais agressiva das penas capitais, em que o condenado era talhado com pequenos cortes e jogados a grandes felinos famintos.
À tarde tinham início os combates entre gladiadores. Existiam diversas tipologias de equipamentos que correspondiam a determinadas técnicas usadas em combate. As classes mais populares eram:


Período republicano:

1. O Samnes - A classe de gladiadores mais antiga. Su aarmadura, assim como seu nome, deriva dos guerreiros sanitas.

2. O Gallus - Provavelmente fez sua primeira aparição em época cesariana, após a campanha da Gália.

3. Traex republicano - Terceira e última classe desse período. Seu nome tem origem nos guerreiros trácios, com os quais os romanos tiveram contato pela primeira vez durante a guerra contra o rei Mítridates VI.

Belíssimo tretradacma de Mitridates VI. Mitrídates VI ou Mitridates IV (132 a.C. — 63 a.C.), chamado Eupátor Dionísio, também conhecido como Mitrídates o Grande, foi rei de Ponto (região na costa meridional do mar Negro, que atualmente se situa no nordeste da Turquia) de 120 a 63 a.C. na Anatólia, foi um dos mais formidáveis inimigos de Roma, havendo combatido três dos melhores generais romanos da Baixa República.
O Reino do Ponto estendeu-se a leste do rio Hális. A dinastia persa que fundaria o reino havia governado a cidade grega de Cio, na Mísia. O primeiro membro conhecido dessa dinastia foi Ariobarzanes I de Cio (ou da Frígia) e o último governante que teve a sua capital em Cio foi Mitrídates II de Cio. O filho deste, tornar-se-ia Mitrídates I Ktistes do Ponto.


Idade imperial:

4. Traex imperial - Este período da história de Roma, em particular o I século d.C., pode ser considerado como clássico, no que diz respeito à armadura e classes dos gladiadores. Na pesquisa da documentação da época, encontra-se uma definição bastante ampla sobre o equipamento dos gladiadores. É nessa época que os elmos sofrem uma profunda mudança, especialmente durante o período correspondente à dinastia Giulio-Claudia, com a couraça cobrindo praticamente toda face, como uma máscara com apenas dois furos para os olhos, protegidos por uma grelha. Uma espécie de capacete (tesa), protegia o alto da cabeça, indo até a nuca.
Entre o período neroniano e a disnastia Flávia, os elmos sofreram uma notável modificação. Os dois furos circulares para os olhos são substituídos por uma única grande abertura protegida por uma grelha, e a cobertura antes retilínea, agora é flexionada para baixo, em ambos os lados. Eram muito utilizados nas arenas dos anfiteatros de Pompéia e região campana do sul da Itália. Essa modificação se estendeu por toda idade médio-imperial, passando a identificar a classe de gladiadores conhecida como dos Murmillos (Mirmilones)

Cena mostrando um Traex do período imperial, em diversas posições de combate.



Elmo de um Traex do período imperial.


5. O Retiarius - Fazia uso de rede e tridente. Era o único gladiador que tinha a permissão de escapar ao combate frontal, correndo pela arena na intenção de cansar seu adversário. Não era um tipo de combatente apreciado pelo público.

6. O Murmillo - Era a classe mais comum entre os gladiadores, onde o mais famoso deles foi Espártaco. Seu nome, provavelmente, se deve a um peixe de nome murma (em grego) que adornava seu elmo, expondo-o à captura com a rede do Retiarius.


Elmo de um Murmillo.

7. O secutor.
8. O Provocator.
9. O Eques.
10. O Essediarius
11. O Saggitarius.
12. O Veles.
13. O Bestiarius
14. O Dimachero.
15. O Spataharius

Augustus Romae Princeps, introdução à amoedação augustea

Fundada, segundo a tradição romana, por Rômulo, em 21 de abril de 753 a.C., Roma foi subjugada por um período monárquico que durou 244 anos, governada por soberanos de origem latina, sabina e, sucessivamente, etrusca: O próprio Rômulo, Numa Pompílio, Tullo Ostílio, Anco Marzio, Tarquinio Prisco, Servio Tullio e Tarquinio o Soberbo.

Expulso da cidade o último rei etrusco, em 509 a.C, foi instaurada uma república oligárquica (Senatus Populusque Romanus, o senado e o povo romano). Para Roma teve início um período marcado por lutas internas entre patrícios e plebeus, e sucessivas guerras contra os povos itálicos: Etruscos, Latinos, Volscos e Équos. Depois de se tornar senhora absoluta do Lazio, Roma combateu diversas guerras contra Gauleses (populações celtas que habitavam a Gália), Oscos, Samnitas e a colônia grega de Taranto que, aliadas a Pirro (rei do Épiro), conquistou grande parte da península itálica, da zona central até a Magna Grécia. 

O I e o II século a.C. foram caracterizados pela copnquista romana do Mediterrâneo e do Oriente, após as três guerras combatidas contra a potência cartaginesa (guerras púnicas, 264-146 a.C.) e as três guerras contra a Macedônia (212-168 a.C.). Seguidamente, foram instituídas as primeiras províncias romanas: Sicília, Sardenha, Córsega, Espanha, Macedônia, Grécia (Acaia) e África.

Tarquinio, o soberbo, último Rei de Roma

Na segunda metade do II século a.C. registraram-se diversas revoltas, conjuras, guerras civis e ditaduras. São os períodos de Tibério Sempronio e Gaio Sempronio Gracco, de Jugurta, de Quinto Lutazio Catulo, de Gaio Mário, de Lúcio Cornélio Silla, de Marco Emílio Lépido, de Espartaco, de Gneo Pompeu, de Marco Licínio Crasso, de Lucio Sérgio Catilina, de Marco Túlio Cícero, de Júlio César e de Otaviano que após a dissolução do segundo Triunvirato formado com Antônio e Lépido, vem aclamado princeps civitatis, sendo-lhe conferido o título de Augusto. 

Tibério Sempronio Gracco (Roma, 163 a.C. – Roma, 133 a.C.), político romano, tribuno da plebe autor da reforma agrária a favor do povo, assassinado em 133 a.C..

Após o assassinato de Júlio César (Cesaricidio), por parte de conspiradores, ocorrido em 15 de março de 44 a.C., seguiu-se uma grande desordem em Roma, com consequente guerra civil onde, novamente, como aconteceu na anterior, travada entre Júlio César e Sexto Pompeu, todo império foi envolvido. A bem da verdade, tratavam-se de duas guerras civis: a primeira como natural consequência do assassinato do ditador, onde mais uma vez o senado viu-se dividido entre “cesarianos” e “republicanos”; a segunda, fruto da rivalidade entre Otaviano e Antônio, resultante do antagonismo oriundo da interpretação que cada um nutria com relação à herança de Júlio César, com um apoio quase maciço do senado ao lado de Otaviano, sediado em Roma, contra Antônio estabelecido no Oriente.

Vincenzo Camuccini: A morte di Júlio César. Óleo sobre tela (1798).

A herança política do ditador foi imediatamente reclamada por seu lugar-tenente Marco Antônio, enquanto Roma fervilhava, dividida entre o senado que via nos tiranicidas Bruto e Cassio os libertadores da República - mas que não ousavam manifestar inteiramente seu apoio temendo a reação popular - e os cesarianos que não não pretendiam, mesmo após a morte de Júlio César, considerar perdida a causa de sua revolução.

Denário de Júlio César: Prata, 17 mm, 4,01 g; cunhado em 49-48 a.C.. Anv: CAESAR, um elefante (símbolo di César) avança à direita e pisa uma serpente; Rev: São representados alguns objetos, um simpulum (concha), um aspergillum (aspersório), uma securis (machado) e um apex (cobertura para cabeça).
Denário de Bruto (43 a.C), os idos de março.

Denário cunhado por Gaio Cassio Longino (Gaius Cassius Longinus; Roma, 87/86 a.C. – Filippi, 42 a.C.), político e estadista romano, um dos promotores da conjura que culminou com o assassinato de Júlio César em 44 a.C.

Todavia, a condição de herdeiro e sucessor de Júlio César, pretendida por Antônio, foi imediatamente contestada por Otaviano, futuro Augusto, filho adotivo e herdeiro universal de Júlio César que, apesar de muito jovem na época, demonstrou desde o início das hostilidades, ser extremamente habilidoso e capaz da mais  inescrupulosa, sórdida, vil, imoral e mesquinha conduta política.

No início, entre os dois rivais, celebrou-se um compromisso: uma série de ações bélicas (44 - 43 a.C.), conduzida por Antônio, destruiu a força de Bruto e Cassio, forçando-os a escapar no Oriente, onde já se haviam colocado a salvo, pouco depois do brutal episódio dos idos de março.
Á época, Marco Túlio Cícero assumiu para si próprio o peso de uma tenaz batalha política contra Antônio, mas a constituição do “Segundo Triunvirato”, entre Antônio, Otaviano e Lépido (43 a.C.) - que, à diferença do primeiro, foi ratificado por parte do senado, assumindo autêntica e própria figura jurídica da magistratura (triunviratus reipublicae constituendae) - investindo os três da missão suprema de reorganizar o Estado, assinalou o fim de qualquer equívoco com relação à legitimidade das ações dos três “aliados” . Cesarianos e republicanos foram decididamente postos uns frente aos outros, e enquanto os triúnviros desencadeavam uma dura perseguição contra os rivais políticos (época em que Cícero foi também assassinado), recorrendo como Silla (Lúcio Cornélio Sula) no passado contra os proscritos, os republicanos preparavam-se para a guerra no Oriente.

Cassio na Síria e na Ásia meridional, Bruto na Macedônia e Tracia, reuniram todas as tropas que encontraram, taxando a população com pesados impostos a fim de obter o dinheiro necessário à manutenção das treze legiões que consegruiram formar, além da numerosa frota que os apoiava. Em Filipos (outono de 42 a.C.) o exército republicano de Cássio e Bruto afrontou o exército de Otaviano e Antônio.

Os tiranicidas caíram, e a vitória dos triúnviros foi completa, aclamando-os como patrões indiscutíveis do império.

Enquanto Antônio se empenhava em conseguir dinheiro e fortalecer-se no Oriente, Otaviano se viu obrigado a “domar” uma grave insurreição da população itálica instigada pelos mercenários do exército triunviral (guerra da Perúgia, 41 - 40 a.C.), sob o comando de Lúcio Antônio que já intencionava combater em favor do irmão Marco Antônio, o já evidente poder de Otaviano na Itália.

Esse primeiro grave desencontro entre Otaviano e Antônio, tendo como um dos protagonistas Sexto Pompeu no comando da grande frota republicana, foi amenizado temporariamente no episódio conhecido como “encontro de Brindisi” (verão de 40 a.C.), ocasião em que os dois triúnviros concordaram em por fim à guerra naval, com a divisão do Império. A Otaviano coube a missão de reorganizar o Ocidente, A Marco Antõnio, o Oriente e a Lépido, a África.

Após três anos de dura guerra, a frota de Sexto Pompeu foi destruída na batalha de Nauluco (36 a.C.), combatida contra Marco Vipsânio Agripa, com uma brilhante vitória do general e estadista fiel a Otaviano, o que veio a coroar uma série de precedentes sucessos parciais, concluindo uma campanha iniciada por Otaviano em 1 de julho de 36 a.C.. As duas frotas, organizadas ao largo de Nauloco, em igualdade de condições, contavam com 300 embarcações cada uma. Das naves de guerra de Sexto Pompeu, apenas dezessete conseguiram se salvar, escapando em fuga. As outras, forçadas contra a costa onde se encontrava o exército de Otaviano, foram capturadas e incendiadas. Contemporaneamente, Lépido, falido em sua tola tentativa de tomar para si o mérito e a glória da vitória de Otaviano, foi privado de sua autoridade e do território africano.

Denário de Antônio e Cleópatra. Anv.: CLEOPATRAE REGINAE REGVM FILIORVM REGVM, cabeça com diadema voltada à direita. Rev.: ANTONI ARMENIA DEVICTA, cabeça de Antônio voltada à direita, no campo, à esquerda, uma tiara armena. Prata, 21 mm, 3.45 gramas, cunhado em 32 a.C..

Marco Antônio, que no Oriente estreitou uma íntima relação com a rainha do Egito, Cleopatra VII Thea Philopatore, tentava com escassa energia a reorganização dessa parte do Império, sem impor uma autêntica resistência às investidas imperiosas e violentas do potente reino Parta (arsácidas) que desde 40 a.C. colocava em grande perigo toda a Ásia romana. Somente em 36 a.C. Antônio empreendeu uma real ofensiva, adotando uma estratégia já experimentada no passado por Alexandre III da Macedônia (Alexandre o Grande), todavia obtendo apenas uma vitória parcial com a reconquista da Armênia, depois de ver-se obrigado a renunciar ao reestabelecimento do seu poderio no Mar Cáspio. Todavia pode celebrar o seu triunfo contra os arsácidas, escolhendo como local de cerimônia não Roma, bem sim Alexandria no Egito. Sua ação ecoou desfavoravelmente em Roma, situação que foi sabiamente gestida por Otaviano que empreendeu uma maciça propaganda contra a conduta de Antônio que, aos olhos de Otaviano, já revelava qual direção estava tomando, dominado pelo indiscutível fascínio da rainha do Egito que inclusive conseguiu induzi-lo a ordenar o assassinato de sua irmã Arsinoe (41 a.C.), exilada por Júlio César e protegida no Templo de Ártemis (Artemisium, em Êfeso) e das recordações da política de orientalização de Júlio César que, à diferença do seu menos genial lugar-tenente, a havia concebido, partindo do Ocidente, com a finalidade de unir todo Império.

Antônio, porém, pretendia ir muito além, proclamando Cleópatra e Cesarione, filho natural que a rainha concebeu com Júlio César, soberanos do Egito, nomeando-os com títulos tipicamente orientais, declarando-os como “reis dos reis”, cedendo a ambos, o domínio de Cirene, a Síria e parte da Ásia Menor.

Uma grande parte do Império andava assim perdida por Roma. Era chegada a hora em que Otaviano podia e devia se apresentar como o reivindicador das conquistas republicanas e o garante da tradicional unidade do Império, centrada na Itália e em Roma. A política de Otaviano, a partir de então, foi dominada pelo conceito, amadurecida na sua rivalidade contra Antônio, do tradicional predomínio itálico e romano sobre todos os povos que formavam o Império, em claro e evidente antagonismo contra as tendências orientalizantes e cosmpolitas.

Arsínoe IV (ca. 68 a.C. — 41 a.C.), irmã de Cleópatra VI, Ptolomeu XIII, Cleópatra VII, Berenice IV e Ptolomeu XIV. Rainha de Chipre juntamente com o irmão Ptolomeu XIV, e rainha do Egito em oposição à Cleópatra VII, Filha mais nova do rei Ptolomeu XII; sua mãe foi provavelmente a rainha Cleópatra V.
Em 47 a.C, durante a Batalha do Nilo, Ptolomeu XIII, na época com apenas 12 anos de idade, morreu afogado no Nilo devido ao peso de sua armadura. Arsínoe foi capturada por Júlio César; feita prisioneira de guerra, foi conduzida à Roma e exibida no cortejo triunfal, junto com Ganimedes, para logo em seguida, ser perdoada e exilada, enviada para Éfeso, detida no templo de Ártemis, de onde teria “governado” como rainha do Egito para poucos simpatizantes. Em 41 a.C, temendo um possível regresso da irmã que tentava conseguir aliados para retornar ao trono, Cleópatra VII induziu Marco Antônio a executar Arsínoe. Tinha apenas 25 anos de idade quando foi sepultada em Éfeso numa tumba de forma octagonal em referência ao Farol de Alexandria.
Recentemente descobriu-se o esqueleto de uma jovem sepultada em Éfeso, que a arqueóloga Dra. Hilke Thur, acredita ser de Arsínoe, a irmã da última rainha da dinastia ptolemaica.

O poder dos triúnviros, já uma vez renovado, se dissolve em 32 a.C.. Contra a tentativa de Antônio de privá-lo de suas já reconhecidas conquistas políticas, Otaviano se preparou para a guerra, em nome da República Romana, oficialmente declarada somente contra Cleópatra, a fim de evitar o desprezível nome de guerra civil. A batalha de Azio (2 de setembro de 31 a.C.) colocou, frente a frente, dois grandes exércitos e duas grandes frotas. A reconstrução crítica da batalha é, ainda hoje, um tema controverso. As duas armadas eram equivalentes em número, com cerca de 400 naves de guerra cada uma.

A vitória de Otaviano foi completa. Ingressando no Egito em agosto de 30 a.C., obteve outra espetacular vitória em um embate de cavalaria às portas de Alexandria o que se concluiu com o suicídio de Cleópatra e Antônio.

A partir daí, o Egito foi reduzido à província, com um status particular; em 29 a.C., Otaviano retornou à Roma e, celebrado seu triunfo, fechou as portas do templo de Giano, simbolizando o início de um novo período de paz e prosperidade, significando que a guerra chegara a seu fim. Todavia, não teve qualquer escrúpulo em ordenar o estrangulamento de Cesarione, à época com apenas 14 anos de idade, temendo que o filho natural de Júlio César reivindicasse seu direito de herdeiro legítimo.

Imediatamente deu início à sua obra de reconstrução do Império e do Estado romano, com a qual se considera o término da história republicana e início da era imperial. A partir de então, o Estado romano terá como figura central o monarca e não mais a assembléia do senado e comícios populares.

Em 27 a.C., Otaviano adotou o nome de Augusto. O seu foi um longo reinado de paz, progresso e prosperidade, apesar das dificuldades que encontrou em combater o crescente degrado moral, vendo-se obrigado a exilar a própria filha devido à sua conduta luxuriosa. Otaviano Augusto morreu em 14 d.C., a idade de setenta e sete anos. A seguir, alguns dos principais áureos cunhados por Augusto:


Casa da Moeda espanhola (colônia caesarauguta) - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,75-7,90 gramas. Anv: Cabeça de Augusto, voltada à direita, laureada com coroa de folhas de quércia. Rev.: CAESAR / AUGUSTUS, legenda em duas linhas, entre dois ramos de louro.

Colônia Patrícia, Casa da Moeda da Espanha - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,75-7,90 gramas. Anv.: AUGUSTUS, cabeça de Otaviano Augusto, voltada à direita. Rev.: SIGNIS / RECEPTIS - S P / Q R; CL V; Escudo com inscrição CL.V, ladeado por estandarte á esquerda e águia legionária à direita.

Casa da Moeda colonial (Lugdunum) - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,75-7,90 gramas. Anv.: AUGUSTUS DIV F, cabeça de Augusto voltada à diireita. Rev.: No exergo IMP X, dois soldados armados com paradonium (adaga) que oferecem a Augusto (sentado), dois ramos.

Casa da Moeda de Brundisium (Brindisi) - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,75-8,00 gramas. Anv.: Cabeça de Augusto voltada à esquerda. Rev.: No exergo CAESAR DIV F, quadriga voltada à esquerda com carro decorado, encimado por miniatura de quadriga a galope. 



Casa da Moeda de Roma - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,75-8,00 gramas. Anv.: TVRPILIANUS III - VI (Publius Petronius Turpilianus), cabeça de Libero com coroa de edera (Hedera helix), voltada à direita. Rev.: AGVSTO OB CS, debtro de guirlanda de quércia e círculo de pérolas.

Casa da Moeda de Samos -  Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,80-7,90 gramas. Anv.: CAESAR, cabeça de Augusto voltada à direita. Rev.: AVGVSTVS, touro com a cabeça erguida, voltado à direita. Muito rara.

Casa da Moeda de Pergamum (Bérgamo) - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,80-7,95 gramas. Anv.: AVGVSTVS, cabeça de Augusto voltada à direita. Rev.: Esfinge sentada voltada à esquerda. Muito rara.


Casa da Moeda de Cirenaica (costa oriental da moderna Líbia) - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,80-7,95 gramas. Anv.: IMP CESARI   SCARPVS IMP, mão direita voltada à esquerda em sinal de paz e comunhão universal. Rev.: DIV F   AVG PONT. figura da Vitória, de pé, sobre um globo, segurando uam guirlanda na mão direita e palma na mão esquerda. Da mais alta raridade (RRRRR). É conhecido um único exemplar deset áureo de Augusto.


Casa da Moeda indeterminada (provavelmente Roma) - Áureo, diâmetro: 19-21 mm, peso: 7,90-7,95 gramas. Anv.: CAESAR, cabeça laureada de Augusto, voltada à esquerda. Rev.: AVGVSTVS, uma jovem vaca que caminha, com a cabeça abaixada, à esquerda.

Devido ao seu longo governo, as cunhagens de Augusto compreendem um vasto acervo de moedas cunhadas (em torno de 671 tipos) em diversos metais e ligas: áureos, quinários de ouro, denários de prata, sestércios, dupôndios asses, semisses, quadrantes, cistóforos, quarteniones, e muitas moedas comemorativas como a que se vê na figura a seguir: 

Casa da Moeda de Roma - Bronze, denominação incerta, peso: 9,25 a 24,72 gramas (comemorativas, moedas e medalhas). Anv.: CAESAR AVGVST PONT MAX TRIB - VNIC POT, cabeça de Augusto, voltada à esquerda, coroada com louros pela Vitória, posicionada logo atrás, à direita da nuca. Rev.: M SALVIVS OTHO IIIVIR A A A F F - SC. Não é muito claro o objetivo da cunhagem destas moedas e medalhas, classificadas por alguns autores, ora como asses, ora como dupôndios.