As Casas da Moeda Provisionais do México - 1ª parte

INTRODUÇÃO

Com o movimento de independência do México, a cunhagem de moedas foi bastante afetada pela luta armada, dificultando a distribuição de moedas em diversas regiões.
As primeiras tentativas de estabelecer Casas da Moeda Provinciais datam de 1573, quando se planejou abrir uma delas na Província de Nueva Galícia na cidade de Guadalajara. Além desta, os mineiros e comerciantes de Zacatecas elaboraram uma petição para instalação de uma Casa da Moeda nessa localidade em 1575 e, novamente, em 1576. A petição não foi aprovada em nenhuma das duas oportunidades, o que foi decidido sem maiores explicações. Dois séculos mais tarde, o Vice-rei Juan de Acuña y Bejarano (marquês de Casa Fuerte, abaixo), em 1728, encerrou a questão, declarando-se contrário à iniciativa, por considerar incoveniente habilitar Casa da Moeda nestas cidades.

Na verdade, existiam vários motivos para manter o monopólio da cunhagem na Cidade do México: na Europa, somente a Casa da Moeda mexicana da capital poderia obter e oferecer crédito; além do mais, com abertura de outras Casas de Moeda, a Cidade do México perderia a exclusividade da cunhagem, os grandes comerciantes da Cidade do México sentir-se-iam afetados em seus negócios com o desvio para outras localidades do comércio de compra e venda de prata.  Mesmo porque a alardeada escassez de numerário em Guadalajara e Zacatecas se remediaria com o estabelecimento de um fundo monetário para a compra de prata em barras o que, consequentemente, aumentaria a circulação de numerário no comércio local

Outro motivo se devia aos caminhos e vias de comunicação, os quais, além de perigosos, não eram os melhores para transportar o minério destinado às cunhagens nas novas Casas da Moeda; mesmo estando as minas a uma distância relativamente curta. Tudo somado, os trâmites para levar a cabo este processo eram muito burocráticos e lentos. 
Muitos dos obstáculos para a criação de novas Casas da Moeda foram eliminados com as Ordenanças de Cazalla, de 16 de Julho de 1730, cujo objetivo principal era o de reivindicar para a Real Fazenda a administração da Casa da Moeda do México.

Com o regime dos Bourbons, criou-se novamente a real possibilidade de se fundar uma Casa da Moeda na Província; em 1768 foi apresentado um plano com essa finalidade, aprovado pelo Vice-Rei marquês de Croix, que juntamente com visitador Gálvez concordaram em estabelecer uma Casa da Moeda em Sonora*. Até mesmo o Rei Carlos III acenou favoravelmente ao projeto, em sua Instrução de 22 de Agosto de 1776.
*Nota: Sonora é um dos 31 estados do México, o segundo maior do país, localizado no norte do México. Limita-se com os Estados mexicanos de Chihuahua a leste, Sinaloa ao sul e Baja California a noroeste, bem como os Estados Unidos ao norte.
Todavia, assim como aconteceu com os anteriores, esse projeto não prosperou; a Casa da Moeda do México precisava manter um nível eficiente de organização, que implicava num estrito controle de arrecadação fiscal e de cunhagem em todo o território para oportunamente remeter os recursos necessários para a defesa e administração do Império. Além do mais, os meios de transporte e comunicação da época dificultavam a criação de novas Casas da Moeda. Portanto, manter somente uma Casa de Cunhagem no centro do poder era a melhor estratégia. 

Outro ponto que ajuda a compreender a criação de novas Casas da Moeda é que o governo do vice-reino fomentou a mineração para incrementar a captação nas Províncias. As ações impulsionadas pelo governo resultaram na maior cunhagem em toda a história na principal Casa da Moeda, que chegou a cunhar 27 milhões de pesos em 1804. Entre estas ações destacam-se a redução do preço da carne, pólvora e ferro, assim como a isenção do pagamento de impostos, a criação do Tribunal das Minas em 1776 e dos fundos para resgate de atividades mineirárias. Com tudo isto, a Casa da Moeda da capital se fortaleceu, reforçando o pensamento de que era desnecesário a abertura de Casas da Moeda na Províncias. 
Para impulsionar à indústria minerária na região, o governo do vice-reino criou os “fundos de resgate”. Estes se caracterizavam por importantes somas de dinheiro dispostas nas Tesourarias das principais regiões minerárias para que a Real Fazenda comprasse prata pronta para a cunhagem, ao preço mais baixo possível, evitando assim pagar as comissões dos comerciantes da Cidade do México. Para este fim, a Real Fazenda depositou recursos nos fundos de resgate dos principais centros minerários, na última década do século XVIII, e na primeira do século XIX. Entre estes “fundos de resgate” destacam-se o de Zacatecas (1791), Guanajuato (1799) e Durango (1808), os principais entre outros. 

Com isto, se conseguiu um eficiente sistema econômico que vinculava os principais centros minerários e comerciais da Nova Espanha* à Cidade do México, alavancando a produção minerária da capital.
*Nota: A Nova Espanha (em castelhano Nueva España) foi uma região territorial integrante do reino espanhol, durante o período colonial na América do Norte e Central, entre 1535 e 1821, formado pelos Estados do Arizona, Califórnia, Colorado, Nevada, Novo México e Utah nos Estados Unidos até à Costa Rica na América Central, tendo como capital a Cidade do México. A Nova Espanha não só administrava as terras compreendidas entre estes limites, mas também o arquipélago das Filipinas na Ásia. Depois da derrota do exército espanhol pelas tropas de Agustín de Iturbide e Vicente Guerrero (antes inimigos, para depois se tornarem aliados), todo o território (com exceção do arquipélago asiático) passaram a formar parte do Império Mexicano, a partir de 28 de Setembro de 1821. 
Agustín Cosme Damián de Iturbide y Arámburu, conhecido como Agustín de Iturbide o Agustín I (1783 — 1824) foi um militar e político da Nova Espanha. Durante as primeiras etapas da Guerra pela Independência do México, militou no exército realista, combatendo os insurgentes. Posteriormente, durante o maro do triênio liberal na Espanha, foi designado para combater as tropas de Vicente Guerreiro, chefe do rebeldes confinados em Serra Madre del Sur. Por sua ideologia contrária a implementação da Cosntituição de Cádiz, decidiu pactuar com as forças insurgentes, proclamando o “Plano de Igualdade” em 24 de Fevereiro de 1821. Mais adiante, no mesmo ano, assinou os Tratados de Córdoba com Juan O’Donojú, 62º Vice-rei da Nova Espanha, resultando na consumação da Independência em 27 de Setembro de 1821. 
Em 25 de Fevereiro de 1822 inicia-se a atividade do Congresso Constituinte, que cedo entrará em conflito com a Regência: o Congresso proclama-se como único representante da soberania da nação, proíbe os gastos não autorizados, e elimina os empréstimos forçados. Mas no dia 18 de Maio ocorre um motim no regimento de Celaya exigindo que Iturbide seja eleito imperador; outras unidades da guarnição da capital juntam-se à sublevação. Sob esta pressão, na manhã do dia seguinte o Congresso proclama Iturbide imperador, sendo coroado com o nome de Agustín I.  
Vicente Ramón Guerrero Saldaña (1782 — 1831) foi um político e militar mexicano, militante e um de chefes daa insurgência durante a etapa de Resistência (1816-1821) da Guerra de Independencia do México. Entre as diversas vezes que enfrentou o General Agustín de Iturbide, entre Dezembro de 1820 e Janeiro de 1821, não conseguindo derrotar o caudilho, Itúrbide mudou de lado, aliando-se a Guerrero pela Independência do México. 
Vicente Guerrero foi membro do Supremo Poder Executivo (1823-1824), Ministro da Guerra e da Marinha em 1828, além de ocupar a presidência do México de 1º de Abril a 17 de Dezembro de 1829.
Primeiro Império mexicano -  Itúrbide I, 8 Reales datado 1822.

Casa da Moeda do Rio de Janeiro; 960 Réis 1824R, recunhado sobre 8 Reales ITÚRBIDE 1822JM AUGUSTINUS.


OS CONFLITOS PELA INDEPENDÊNCIA E AS CASAS DA MOEDA PROVISIONAIS

Quando todas as intenções de se estabelecer Casas da Moeda Provinciais pareciam ter desaparecido, chega a Independência mexicana; apesar de pequenos grupos terem sempre defendido a criação de mais Casas da Cunhagem, o vice-reino sempre soube gerenciar a situação, esquivando-se, negando-se a autorizá-las; e assim continuou por algum tempo, até o momento em que tiveram início os conflitos armados na luta pela Independência, o que viria a mudar completamente a situação. Por se prestarem, principalmente em dar provisão (sustento financeiro) às escaramuças pela Independência, estes estabelecimentos viriam a ser conhecidos como “Casas da Moeda Provisionais”.
Nota: A Guerra da Independência do México foi um conflito entre os colonos mexicanos (chamados de insurgentes ou patriotas) e as autoridades representantes da Coroa espanhola (chamados realistas). O conflito se estendeu por dez anos, resultando na emancipação da Nova Espanha e a formação do Primeiro Império Mexicano.
Depois de quase três séculos sob domínio colonial espanhol, os habitantes do Vice-Reino da Nova Espanha começaram a exigir a independência da sua nação devido a divergências políticas e religiosas com a coroa. No início do século XIX este sentimento ganhou força entre a elite da Cidade do México e, depois de algumas tentativas falhadas, a guerra foi declarada na madrugada de 16 de Setembro de 1810 pelo padre Miguel Hidalgo y Costilla na paróquia de Dolores Hidalgo, estado de Guanajuato (esta declaração ficou conhecida como Grito de Dolores).
O conflito prolongou-se por oito anos e esteve longe de ser um movimento homogéneo. Começou quase como se de uma guerra religiosa se tratasse sendo liderada por sacerdotes. No entanto passado pouco tempo tornou-se uma guerra republicana, tendo o exército realista praticamente posto fim à contenda após um par de anos. A luta independentista passou então a fazer-se sob a forma de uma guerra de guerrilha confinada às montanhas do sul até que um hábil coronel realista de nome Agustín de Iturbide negociou alianças com quase todas as facções combatentes (incluindo o governo do vice-reino) tendo conseguido a independência de uma forma relativamente pacífica em 27 de Setembro de 1821, ainda que o reconhecimento formal de Espanha só tenha ocorrido em 28 de Abril de 1836.
A antiga colônia espanhola passou a ser, de forma bastante efémera, uma monarquia constitucional católica com a designação de Império Mexicano o qual, após a independência das províncias da América Central bem como de alguns conflitos internos, se converteria numa república federal.
A proliferação de Casas da Moeda Provisionais não teve início nas colônias espanholas, mas na própria Metrópole. Quando Napoleão invadiu a Espanha em 1808, foram reestabelecidas, ou fundadas, Casas da Moeda por todo o território: Barcelona, Mallorca, Cádiz, Valência, entre outras Províncias. Estes feitos chegaram aos ouvidos das autoridades "novo-hispânicas", o que fortaleceu ainda mais a idéia de se criar outras fábricas de moedas. Tal como na Espanha e na Nova Espanha, as aberturas de novas fábricas de moeda serviriam para custear as despesas dos conflitos bélicos existentes. 
Cena da Batalha de Puente de Calderón (17 de Janeiro de 1811) último confronto bélico da primera etapa da guerra pela Independencia do México, retratando a vitória militar dos realistas sobre as forças insurgentes mexicanas, na Província de Zapotlanejo, situada a 60 quilômetros de Guadalajara.
Outro motivo para a abertura de Casas da Moeda no interior da República foi a interrupção do fluxo monetário desde a Cidade do México até o interior, e vice-versa. Os líderes políticos e militares tiveram duas opções: carimbar as moedas do inimigo (os insurgentes), ou cunhar suas próprias moedas (as dos realistas). As autoridades do governo preferiram a segunda opção, cunhando a própria moeda, porém, como antes mencionado, seriam de caráter provisional, o que denotava a intenção de não dar continuidade a sua cunhagem uma vez fosse reestabelecida a ordem. 

A maior parte destas Casas Provisionais não chegaram a se igualar àquela da capital, devido à complexidade técnica que se requeria do maquinário e o conhecimento aliado à experiência dos empregados, o que praticamente inexistia nas Províncias. Além disso, suas instalações sempre se davam dentro de um contexto de instabilidade. 

A cunhagem da Independência se divide em duas “facções”: Insurgentes e Realistas. Estas, por suas vez, dividem-se em duas etapas, a primeira de 1810 a 1815 com cunhagens de fatura ruim por parte dos Insurgentes. Operaram em Zacatlán (1812 - 1815), Suprema Junta Gobernativa (1812-1813), Morelos (1811-1815), Junta de Zitácuaro (1811-1814), Zongolica (1812) e Guanajuato (1821). Na segunda etapa lideram as cunhagens realistas de Sombrerete (1810-1812), Zacatecas (1810-1821), Durango (1811-1821), Chihuahua (1811-1821), Real de Catorce (1811), Guadalajara (1812-1821), Oaxaca (1812), Guanajuato (1812-1813), Valladolid (1813) e Sierra de Pinos (1814).

Cada um (insurgentes ou realistas) tinham motivos diferentes para cunhar moeda: algumas localidades desejavam preservar a indústria minerária, outras o comércio, enquanto outras queriam somente pagar suas tropas. Porém, a medida que as cunhagens realistas e insurgentes continuavam sem freios na República Mexicana, a maior prejudicada era a Casa da Moeda da Cidade do México, que teve sua cunhagem reduzida drasticamente em 25%, de 1810 a 1812. As autoridades da Casa de Cunhagem da capital alegavam que a situação era causada pela fabricação e circulação de moeda provisional de péssima fatura, de baixa teor e peso, assim como de fácil falsificação.  

Em 1813, o marquês de San Romas propôs que a cunhagem da moeda provisional fosse substituída pela fabricação de discos de prata com as iniciais dos ensaiadores chamados “Vales Reais Metálicos”, cujo valor se determinaria em função da quantidade de metal contido em cada peça. 

Em 29 de Dezembro de 1816, o Vice-Rei aprovou o estabelecimento formal de quatro Casas da Moeda nas cidades de Guanajuato, Zacatecas, Guadalajara e Durango. Além disso, mandou fechar todas as casas provisionais, exceto a de Durango. Um grupo de empresários de Zacatecas, organizados em uma comissão, em 1818, reuniram fundos para enviar um representante à Cidade do México e em Madrid, com o fim de obter a autorização para o renovar o funcionamento da Casa da Moeda de Zacatecas. A missão teve êxito em 6 de Novembro de 1820, quando as cortes espanholas decretaram oficialmente o estabelecimento de Casas de Cunhagem em Zacatecas e Guadalajara.  


AS MOEDAS DOS INSURGENTES E DOS REALISTAS

A Guerra de Independência afetou muito a economia, a mineração e o cotidiano da população. A prata era um recurso abundante e valioso que era procurado pelos espanhóis e por outros grupos beligerantes.
Pouco a pouco provocou-se uma escassez monetária que deu espaço a emissão de moedas de necessidade, cunhadas pelos realistas e pelos insurgentes, assim denominadas por serem fabricadas para aliviar a necessidade que existia de um meio circulante. 
Ambos os grupos cunharam moedas; os insurgentes predominantemente em cobre, sendo a sua cunhagem mais conhecida as "moedas SUD de Morelos*". Os realistas, por sua vez, tiveram grande parte de sua cunhagem em prata, muitas delas ainda hoje desconhecidas. 
Nota: 1. José María Teclo MORELOS y Pavón foi um dos primeiros líderes da luta pela independência do México da Espanha, até ao seu julgamento e execução pelo Santo Ofício. Em 1797 era presbítero na diocese de Carácuaro. Aos 33 anos de idade foi ordenado sacerdote católico. 
2. Insurgentes: o povo, crioulos, mestiços, gente humilde, e com poucos recursos. Realistas: gente no poder, peninsualres na sua maioria, e um ou outro crioulo. Gozavam de privilégios e recursos. 
O exércitos insurgentes eram obrigados a lidar com grandeescassez de moeda durante a Guerra de Independência, visto que os metais que serviriam às cunhagens, eram controlados por autoridades realistas. A pouca moeda que chegava âs mãos destes exércitos, se fazia através empréstimos ou como resultado daquilo que conseguiam capturar (subtrair) às autoridades constituídas.
As primeiras moedas insurgentes foram fabricadas em “Tecpan de Galeana, Guerrero”, por Decreto de José María Morelos y Pavón, de 13 de Julho de 1811; parte do texto é transcrito a seguir:
"...sendo meu dever providencar o mais rapidamente possível para que nada falte ao fomento de nossa armada e faltando-nos a moeda corrente, nestes dias, na cidade de Nossa Senhora de Guadalupe (Tixtla), na província de Tecpan, marque-se moeda para uso no comércio em qualidade de “câmbio”, destinada a suprir nossa Caixa Nacional até a conclusão da conquista ou até mo momento em que se tenha prata e ouro suficiente...e porquanto sej esta moeda uma provisão segura, com garantia de pagamento à vista que se há de pagar em nossa Caixa Nacional no ato de consignação de quem a apresente, deverá receber seu proprietário o justo valor como se fosse de ouro ou prata, servindo para todos os contratos de compras, vendas, vales e provisões, cobrados e pagos em todo este reino, assim como se serviu e serve a de nunho mexicano..."
Este documento ordenava a cunhagem em diversos valores e denominações. Aqui iremos nos concentrar nas peças de ”8 Reales” fabricadas em cobre, primeira moeda fiduciária da História do Máxico, já que seu valor intrínseco era muito inferior ao seunominal )extrínseco), com a só garantia do emissor que prometia, como se pode concluir do texto acima, trocá-las pelo seu valro nominal após o triunfo da revolução mexicana, o que lamentavelmente não chegou a acontecer.

Estas moedas de obre foram fabricadas em condições precárias, rudimentares, em diversos povoados do México, criando um interminável número de variedades. Ignacio Contreras Barrios, incansável estudioso del tema, chegou a comentar que eram tantas e tão diferentes que praticamnte não existem duas peças iguais. Foral cunhadas, rincipalemnte, em Acapulco, Atijo, Chilpancingo, Huautla, Oaxaca, Tecpan, Tehuacán, Tlacotepec e Zitácuaro. Foram cunhadas entre 1811 e 1814, sendo a primeira data a mais escassa.

A moeda de Morelos tipo “SUD” - Para suprir a falta de numerário necessário para pagar e alimentar as suas tropas,  José María Morelos y Pavón mandou fabricar suas própias moedas. Foram cunhadas monedas de cobre que equivaliam a “vales” ou “promessas de pagamento” que seriam trocadas por ouro ou prata ao término de la luta armada. Por esse motivo, estas peças são consideradas as primeras moedas fiduciárias do México e, devido ao seu desnho, as primeiras propriamente mexicanas.

No anverso, a contra-marca com o monograma de Morelos, que consiste em uam letra “M”, com o primeiro traço, à esquerda, em forma de “S” e o último, à direita, em forma de “O”. Abaixo, o valor “8R” encimando a data (algumas dela possuem adornos em forma de folhas de oliveira). No reverso, um arco e uma flecha apontando para cima e a palavra “SUD”, designativo da região ocupada pelso insurgentes. Em 22 de Dezembro de 1815, Morelos foi fuzilado em San Cristóbal, Ecatepec.
Outra cunhagem de Morelos, diferente das duas anteriores.

Durante os anos que se seguiram na Guerra pela Independência do México, os insurgentes, sob o comando de Morelos, cunharam moeda provisional em cobre, considerada a primeira moeda fiduciária do Estado mexicano. Em praticamente todos os anos, devido à escassez de ouro e prata, estas moedas foram cunhadas em cobre. Extraordinariamente, no ano de 1812, algumas poucas foram cunhadas com a prata emprestada ou sequestrada pelas tropas de Morelos.

Distintas autoridades realistas autorizaram o estabelecimento de Casas da Moeda em Provincias com caráter provisional, próximas a jazidas minerárias, em Chihuahua, Durango, Guadalajara, Nueva Vizcaya, Oaxaca, Real del Catorce, Sombrerete, Valladolid e Zacatecas.
Em várias delas se cunharam moedas de necessidade com desenhos oficiais, e com desenhos diferentes daqueles da Casa da Moeda da Cidade do México. Na sua maioria foram cunhadas em prata, com exceção de algumas auríferas fabricadas em Guadalajara. 


CADA DA MOEDA DE CHIHUAHUA

Inicia suas atividades com o Decreto de 8 de Outubro de 1810, de Don Nemesio Salcedo, que ordenou a abertura de novas Casas da Moeda, dando origem às de Villa de San Felipe de Chihuahua e Durango. Em 25 de Janeiro de 1811, o Governador assinou a Ordem para começar a cunhar em base provisional antes mesmo que a Casa da Moeda começasse a funcionar. Durante seus dois primeiros anos de atividade, produziu moedas fundidas, vindo a surgir os primeiros 8 Reales cunhados somente a partir de 1814, de baixa qualidade e quantidade. A maioria dos Reales fundidos antes foram recunhados a partir desta data.
Devido à falta de cunhos, os trabalhos começaram usando técnicas arcaicas. No fim de 1812, a qualidade do trabalho melhorou um pouco com a chegada de Villagran e Guerrero,  ensaiadores da Casa da Moeda de Zacatecas. Sua cunhagem continuou até 1822, quando foi fechada.
Devido à baixa qualidade da produção, muitas destas peças eram tidas como falsas. A partir de 24 de Junho de 1815, foi dada ordem para que fossem carimbadas com dois carimbos para autenticação: um T (Tesoro Real) e uma árvore coroada entre dois pilares (controlador da Real Fazenda). Em 14 de Julho de 1817, 190.000 moedas já tinham sido carimbadas. 




CASA DA MOEDA DE DURANGO

Cunhou moedas em prata e cobre. Localizada primeiramente no cruzamento das ruas de Apartado e 5 de Febrero, onde atualmente se encontra o átrio do Templo do Sagrado Coração de Jesus, funcionou ali de 1811 a 1894, mudando de endereço mais 3 vezes em toda sua história. 
Vários registros históricos apontam a data de 1º de Fevereiro de 1811 como a de início das funções da Casa da Moeda, com a produção de moedas de 8 Reales. Diferentemente das realizadas em Chihuahua, aqui as moedas eram cunhadas. 
Em Março de 1813 deu-se início à cunhagem dos tostones, ou 4 Reales, e “tlacos” de cobre. Os primeiros ensaiadores em Durango foram Ramón Mendoza, Ariano Zaldivar e Cosme Garcés

Durango, hoje. Clique na imagem para ampliar.

Os minerais provinham da região de Las Quebradas para a produção da moeda em cobre e prata. Somente sete lugares contavam com um regular foprnecimento de metal para as cunhagens: Durango, Zacatecas, Sombrerete, Guanajuato, Chihuahua, Real de Catorce e Guadalajara.  A maioria das suas moedas de 8 Reales têm um desenho de baixa qualidade se comparadas com as fabricadas na Cidade do México. 
Em prata, se cunharam moedas de 1812 a 1822 em 8 Reales, em 1816 de 4 Reales, de 2 Reales em 1815, e de ½ Real em 1813. Em cobre se cunhou o  1/8 de Real em 1814 e 1815. A letra monetária D se encontra no reverso, na parte baixa da coluna esquerda. 
Vale recordar que quando a Casa da Moeda de Durango foi aberta, em 1811, sob autorização de Bernardo Bonavia y Zapata, cunhou-se o 8 Reales de Nueva Vizcaya (imagem a seguir). Existem 2 tipos em 8 Reales, e desta cunhagem todas, à exceção de 3 peças de apresentação que sobreviveram aos dias de hoje, são de péssima fatura. 

Moedas cunhadas em Durango, incluindo o 8 Reales de Nueva Viscaya.

Casa da Moeda do Rio de Janeiro; 960 Réis 1822R, recunhado sobre 8 Reales de DURANGO 1816 MZAcervo da coleção Costa.


CADA DA MOEDA DE GUADALAJARA

Foi fundada em 1811 e se estabeleceu primeiramente nas bases do Palácio do Governo. Doin anos mais tarde, transferiu-se para o prédio à frente do costado sul do mesmo edifício, iniciando seus trabalhos em 26 de Janeiro de 1814. Cunhou moedas de prata, e foi a única Casa da Moeda provisional a cunhar em ouro.
Sua existência foi curta, pois o vice-rei Calleja se aproveitou de algumas irregularidades na cunhagem para pedir seu fechamento. Foi reaberta em 1816, e novamente fechada em 1818. 

O prédio onde funcionou a Casa da Moeda de Guadalajara.

Moedas de 8 Reales foram cunhadas de 1812 a 1822; de 4 Reales, em 1814 e 1815, e as de 2 Reales de 1814 a 1821. Em ouro foram realizados três diferentes desenhos de busto: mantelado, nu e militar, nos valores de 8 e 4 Escudos. 

Moedas cunhadas em Guadalajara: as três variantes de nusto de 8 Escudos, o 4 Escudos e as peças de prata. Somente Guadalajara, dentre as Realistas, cunhou em ouro.


Casa da Moeda do Rio de Janeiro; 960 Réis 1824R, recunhado sobre 8 Reales Guadalajara 1821FS. Acervo da coleção Costa.


 CADA DA MOEDA DE GUANAJUATO


A casa da moeda de Guanajuato data de 1678; originariamente foi a casa particular do rico proprietários de engenhos de mineração Gerônimo de Fernández. Em 1714, foi adquirida pelo capitão e também empreendedor de mineração Juan de Sopeña y Herrán, que a reconstruiu e ampliou. No fim deste mesmo século passou a ser propriedade da Real Renta del Tabaco, da Coroa Espanhola. 
Quando o México passou a ser um país independente, e portanto a ter seu próprio sistema econômico, a antiga residência colonial hospedou a nascente Casa da Moeda de Guanajuato. Nessa condição, funcionou desde 1812 até 1900, quando foi fechada pelo então presidente mexicano Porfirio Díaz

Esta Casa da Moeda foi usada tanto por realistas quanto pelos insurgentes; os realistas cunharam moedas somente nos anos de 1812, 1813, 1821 e 1822, no valor de 8 Reales. 
Como Casa da Moeda Provisional, foi estabelecida em 1810 sob Hidalgo, mas logo em seguida a cidade foi tomada pelas forças realistas. Ao que parece, os insurgentes não tiveram tempo de iniciar a produção.

A casa realista foi estabelecida no fim de 1812, e fechou e reabriu em 1813 por motivos desconhecidos, encerrando suas atividades em 1822, tendo produzido somente moedas de tipo busto drapeado de Fernando VII. 



Casa da Moeda do Rio de Janeiro; 960 Réis 1823R, recunhado sobre 8 Reales de Guanajuato 1822 JMAcervo da coleção Costa.


CADA DA MOEDA DE ZACATECAS


Perante o vazio de autoridade criado durante o início do movimento insurgente em 1810, se nomeou intendente governador da província de Zacatecas Miguel de Rivera Bernardez, conde de Santiago de la Laguna. Em 26 de Outubro, o conde tomou uma decisão importante ao lado dos mineradores e comerciantes locais: a criação e fundação da Casa da Moeda de Zacatecas. Em poucas semanas, iniciaram a cunhagem das primeiras moedas em prata pura de 1/2, 1, 2 e 8 Reales. No anverso aparece o brasão espanhol, e no reverso a emblemática montanha de La Bufa, e as siglas LVO (Labor Vincit Omnia). Entre 1810 e 1811 se cunharam 1.154.902 pesos, em duas emissões. A terceira teve lugar entre 1811 e 1813, com a efígie de Fernando VII e a legenda MONEDA PROVISIONAL DE ZACATECAS. Também aparecem as letras dos gravadores Francisco Peña, Antonio García, José Rodríguez Gallinar e Agustín Zamora. Esta terceira cunhagem resultou num montante de 4.776.971 pesos. 

Arcos do pátio central da antiga Casa da Moeda de Zacatecas.

Durante o movimento de independência, a Casa da Moeda de Zacatecas foi de grande importância, chegando a cunhar moedas em quantidades anuais muito superiores às demais Casas de Moeda, superando inclusive as quantidades cunhadas na Cidade do México. De 1813 a 1821, chegou a fabricar moedas num montante de 10.987.648 pesos. 

No período independete, e durante o século XIX, até 1905, existiram 14 Casas da Moeda na República Mexicana. A mais prolífica de todas e que teve uma existência de 95 anos de produção ininterrupta foi a de Zacatecas ... em todo o século XIX, não existiu Casa da Moeda em todo o país que a igualasse em eficácia e produtividade, em boa medida graças à generosidade de suas minas, ricas em prata. Fundada em 1810 sob os fragores do início da guerra pela independência, foi fechada em 1905, na última etapa do porfiriato e antesala da revolução mexicana. 

A seguir, clique nas imagens para ampliar.

8 Reales, 1811, cunhagem provisional de Zacatecas, L.V.O (Labor Vincit Omnia) - escudo com flores e com leões, respectivamente. Se supõe que o primeiro, devido a qualidade da cunhagem, seja de cunhagem insurgente, enquanto o segundo realista.

8 Reales, 1810, cunhagem provisional de Zacatecas, L.V.O (Labor Vincit Omnia), e 8 Reales 1811, cunhagem provisional de Zacatecas, legendas do reverso em espanhol, imitando o modelo cunhado na casa da moeda da Cidade do México.

8 Reales 1812, cunhagem provisional de Zacatecas, legendas do reverso em espanhol, imitando o modelo cunhado na casa da moeda da Cidade do México, e 8 Reales, 1813, casa da moeda de Zacatecas.

 8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1814, e 8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1815.


8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1816, e 8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1817.

8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1818, e 8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1819.

8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1820, e 8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1821.

8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1822.

8 Reales, casa da moeda de Zacatecas, 1817.


Casa da Moeda do Rio de Janeiro; 960 Réis 1824R 29 tulipas, recunhado sobre 8 Reales de Zacatecas FERDIN VII 1817 ZsAcervo particular.

2 Reales, 1811, cunhagem provisional de Zacatecas, L.V.O (Labor Vincit Omnia) - escudo com flores e com leões, respectivamente. Se supõe que o primeiro, devido a qualidade da cunhagem, seja de cunhagem insurgente, enquanto o segundo realista. 

2 Reales, 1811, cunhagem provisional de Zacatecas, L.V.O (Labor Vincit Omnia) - escudo com flores e com leões, respectivamente. Se supõe que o primeiro, devido a qualidade da cunhagem, seja de cunhagem insurgente, enquanto o segundo realista. 
1 Real, 1811, cunhagem provisional de Zacatecas, L.V.O (Labor Vincit Omnia) - escudo com leões, 1 Real, 1811, tipo busto, legenda do reverso em espanhol e 1 Real, 1812, tipo busto, legenda do reverso em  espanhol.
 1 Real, 1813, tipo busto, 1 Real, 1817, tipo busto, e 1 Real, 1819, tipo busto. 

1 Real, 1820, tipo busto, 1 Real, 1821, tipo busto, e 1 Real, 1822, tipo busto. 

1/2 Real, 1811, cunhagem provisional de Zacatecas, L.V.O (Labor Vincit Omnia) - escudo com flores. 
1/2 Real, 1812, tipo busto, legenda do reverso em espanhol, 1/2 Real, 1818, tipo busto, e 1/2 Real, 1821, tipo busto.

CASA DA MOEDA DE REAL DEL CATORCE

O nome do lugar se deve às andanças de um grupo de quatorze bandidos pelas serras da região, onde no início dos anos 70 do século XVIII, se descobriram ricas minas de prata, fundando-se no local, alguns anos depois, um assediamento minerário, o Real de Minas de Nuestra Señora de la Limpia Concepción de Guadalupe de los Alamos de Catorce. Pouco depois, passou a chamar-se Real de la Purísima Concepción de Catorce e por fim, simplesmente Real de Catorce, convertendo-se em 1803 na segunda mina mundial de produção de prata em quantidade. 

Após o Grito de Dolores de Hidalgo, em Setembro de 1810, o México entrou em um complexo período de embate entre insurgentes e realistas. Um deles, José Maria Jiménez, natural de San Luis de Potosi, e de profissão engenheiro de minas, chegou a Real de Catortce sob as ordens de Hidalgo em 20 de Dezembro de 1810. 

Aqui funcionou a Casa da Moeda de Real del Catorce. No mesmo prédio, hoje funciona o centro cultural da cidade.

Os  "catorzenhos" de antigamente sempre tiveram o sonho de construir uma Casa da Moeda própria; um lugar onde cunhar as moedas evitando à valiosa prata, uma longa e perigosa viagem por caminhos inseguros, cheios de bandidos em busca do precioso metal, até outras Casas onde seria convertida em moedas, para depois regressar ao lugar de origem. A realização deste projeto evitaria a falta quase constante de moedas em Real, sobretudo as pequenas como as quartinhas de cobre, de pouco valor, porém necessárias para pagar os peões que trabalhavam nas minas.

Desde muito antes da existência da Casa da Moeda, os "catorzenhos" se dedicaram à cunhagem, em alguns períodos legalmente, em outros não. A primeira moeda apareceu em 1808, e serviu como colaboração (doação) para a construção do sagrário da catedral de Guadalajara. Os poderosos de Catorce corresponderam com generosidade e cunharam as moedas no próprio Real para apoiar a causa da independência. A segunda moeda é uma peça hoje raríssima e muito valiosa, o 8 Reales de prata, do ano de 1811 (ver figura ao final do artigo), moeda autorizada por José Mariano Jiménez entre 20 e 25 de Dezembro de 1810 (apesar de trazer a data 1811), para mitigar a falta de moeda disponível em Catorce. 

Após a derrota dos insurgentes, na ocupação de Guanajuato, em Novembro de 1810, José Mariano marchou em direção à San Luis Potosi, onde Catorce está localizada; ali passou grande parte do mês seguinte de Dezembro. Após uma vitória final em Água Nueva, em 6 de Janeiro de 1811, Jiménez foi levado prisioneiro junto com Hidalgo e vários outros comandantes insurgentes, pelo líder realista Elizondo, em Acatita de Bajan. Foi levado a Chihuahua para enfrentar acusações de traição, sendo por fim foi executado como traidor, em 26 de Junho de 1811. Quando acusado de ter cunhado moeda, Jiménez respondeu sob testemunho jurado, afirmando ter fabricado moeda em prata em Real de Catorce, de valor intrínseco e pureza como as que eram cunhadas na Casa da cidade do México; que se tivesse cometido o crime de cunhagem de moeda, o teria feito somente seguindo o exemplo de Zacatecas e sob a autoridade dada a ele e a necessidade de providenciar um meio circulante para a região, porém sempre com cuidado para não danificar os interesses Reais, dando peso e valor intrínseco apropriado à moeda”.

De fato, os poucos exemplares sobreviventes de Real de Catorce pesam mais do que as fabricadas na Cidade do México, e são aparentemente de prata de lei, exatamente como teria dito Jiménez. 
Em 1815, se cunharam de modo legal, quartinhas de cobre por  ordem do capitão Teodoro Parrodi; se tratava de uma moeda local, sem nenhum valor fora de Real. Chegou a dificultar-se o seu câmbio por ter sido produzida em excesso, assim como pela facilidade com a qual se podia falsificar. Em 1822, se cunharam quartinhas de cobres chamadas de “Fondos Públicos”, de modo legal e como moeda de necessidade. 

Estas moedas insurgentes são extremamente raras, seu desenho não se assemelha em nada aos anteriores com o busto de Fernando VII.  Todas as peças conhecidas tem a data 1811, e mencionam a legenda ELR•D•CATORC•POR FERNA•VII•1811. Já no exergo do reverso, na legenda lê-se: +MONEDA• PROVISIONAL• VALE• 8R• Provavelmente existem menos de 20 peças conhecidas (figura a seguir). Por ser da mais alta raridade,  existem muitas falsificações.


Texto a cargo de Rodrigo Maldonado, sob a tutela e responsabilidade de MBA editores, empresa do Grupo Bentes.

Fim da primeira parte.

No próximo capítulo, continuaremos com SOMBRERETE, VALLADOLID, OS CARIMBOS APLICADOS SOBRE MOEDAS REALISTAS E AS MOEDAS DOS INSURGENTES.

A Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

INTRODUÇÃO

Há quase 400 anos, o rei Felipe III de Espanha (retratado na imagem, à esquerda) ordenou ao engenheiro Alonso Turrillo de Yebra de fundar uma Casa da Moeda em Santa Fé de Bogotá. Turrillo chegou ao Novo Reino de Granada e se instalou em uma das primeiras edificações da cidade, dando início aos trabalhos que possibilitariam a cunhagem de moedas (macuquinas de prata) no território, a partir de 1621.
Por muito tempo aquela fábrica de moeda foi somente uma espécie de “ferraria”, com ferramentas para fundir, laminar e afiar, instalada num local que contava apenas com alguns pequenos edifícios ao seu redor e algumas edificações rudes, construídas entre as atuais ruas 11ª e 5ª. Nesse local se cunharam, entre outras, as primeiras moedas de ouro feitas na América.

Em meados do século XVIII, o rei Fernando VI ordenou a ampliação do edifício para que seus espaços se adequassem às necessidades de produção mecanizada, com a cunhagem de novas moedas de melhor fatura. À parte a fundição, o engenho e o moinho de laminação movido por mulas, que com o tempo desapareceram, a Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá, como hoje a conhecemos, é fundamentalmente aquela que resultou após a ampliação, reinaugurada pelo vice-rei Solís em 1756. Suas iniciais são NR (Nuevo Reyno) e se devem aos documentos de abertura que citaram o território, ao invés da capital Santa Fé.


PREÂMBULO

Em 1565, em consequência do prejuízo que a falta de moeda miúda impunha ao comércio, à arrecadação de tributos e a vida cotidiana da população do Novo Reino, Felipe II (na imagem à esquerda) havia autorizado a fundação de uma Casa da Moeda em Santa Fé, a qual, por razões circunstanciais e semelhantes às atribuídas às demoras ocorridas em Lima, não chegou a funcionar, mesmo que tenham sido remetidos para a região, os ferros e ferramentas necessárias aos trabalhos de cunhagem. Foi mediante a um documento real (Cédula Real) editado em Madrid, em 1º de Abril de 1620, quando Felipe III mandou fundar uma Casa da Moeda em Bogotá para cunhar moedas de ouro, prata e bilhão (liga metálica de baixo teor de prata); e uma oficina no porto de Cartagenas, autorizada a fabricar somente peças de bilhão que deveriam ser destinadas, a exemplo daquelas fabricadas em Santa Fé, ao uso no comércio miúdo.

Enquanto a Lei e as dimensões das moedas cunhadas se ajustavam, uniformizando-se àquelas usadas nos reinos da Espanha, ou seja de onze dinheiros e quatro grãos, com sessenta e sete Reais para cada marco de prata; e vinte e dois quilates para sessenta e oito escudos por marco de ouro, as peças de bilhão deveriam ser, de acordo com a Lei que autorizava o seu fabrico, de 20% de prata e 80% de cobre, com uma tiragem de 25 reais por marco. Abaixo, à esquerda, o documento real ordenando a abertura de Casa para cunhar moedas no Nuevo Reyno.

Uma das limitações impostas a Turrillo de Yebra, e que perduraria na Casa da Moeda de Santa Fé durante todo século XVII, era a de que as moedas de ouro fabricadas nessa Casa deveriam se limitar apenas aos valores de um e dois escudos.

A oficina de Cartagena, pensada para cunhar moedas de bilhão, teve curta e agitada duração. Turrillo de Yebra recebeu autorização para cunhar sessenta mil ducados da menionada moeda, porém a reação da população, liderada por Sancho Girón, governador e capitão geral da Província foi tão enérgica qu enem mesmo as ordens reais conseguiram terminar com as manifestações populares, atrapalhando o trabalho de Turrillo que conseguiu cunhar somente 5.409 pesos, dos quais não conhecemos nenhum exemplar, apesar dos registros confirmarem sua fabricação.

Os argumentos usados por Turrillo para tentar convencer a população que não haveriam perdas para aqueles que decidissem trocar suas moedas de prata pelas de bilhão, mesmo que fossem verdadeiros, não convenceu, principalmente aos comerciantes portuários que temiam, com razão, que a moeda de liga metálica fraca terminaria por suplantar a boa moeda, acabando com a desordem financeira que para eles se traduzia em real possibilidade de lucros, devido às leis antigas que regiam a cunhagem e o comércio naquela região.

Figura acima: O único exemplar conhecido (da mais alta raridade) - Cunhagem de Cartagena - 1/2 real de Felipe III 1622 (1625), não catalogado em diversas publicações, catalogado como peça única em Coins of Colombia, 1619-2012 - Spanish Colonial and Republican) de Jorge Emilio Restrepo, M15 (uma conhecida). VF30 NGC.
Anverso: Escudo de Castelos e Leões, “R” em cima de “N” (NUEVO REYNO) à esquerda, e sigla A do ensaiador, à direita. “PHIL (III DG LIPPVS)” à direita.
Reverso: Romã entre colunas coroadas de Hércules com P (LVS) à esquerda e V (LTRA) à direita, com a legenda parcialmente visível na periferia, à esquerda da moeda “(RE) X 1.622.”. W: 4,72 gramas. De máxima importância histórica.
Esta moeda enigmática tem deixado perplexos os numismatógrafos especializados em cunhagens na América Espanhola, desde a sua aparição, há 10 anos, em um leilão de Áureo (3/2003, lote 87)
A sua extrema raridade nunca foi posta em dúvida, sendo reconhecida como única por todos, incluindo Restrepo. Tendo a moeda na mão e depois de analisar a documentação contemporânea (a maioria dos quais publicados na obra de Friede Documentos sobre la Fundación de la Casa de Moneda en Santa Fé de Bogotá (1614-1635) , o catalogador é capaz de dar mais algumas idéias sobre a peça mais importante entre as questões iniciais e fascinantes que envolvem as cunhagens  colombianas. Em primeiro lugar, é útil para estabelecer que os únicos períodos a que esta peça podem ser atribuídos são os do “vellon rico”  (bilhão enriquecido) de 1622, feita tanto em Cartagena, ou Santa Fe, ou durante as cunhagens de “baja plata”  (prata baixa) nas cnhagens de 1625-1626.
Pelo Real Decreto de 1º de Abril de 1620, Felipe III autorizou a abertura de uma Casa da Moeda em Santa Fé, tendo como Diretor desta Casa, o engenheiro Alonso Turrillo de Yebra, que já havia apresentando ao soberano o projeto de sua abertura. Junto com muitas das denominações usuais (a partir do 1/2 real até o 8 Reales em prata, e os 1 e 2 Escudos em ouro), de acordo com os regulamentos de cunhagem então em vigor, deveriam também ser cunhadas moedas de 1/4 real, em bilhão, liga que consiste em uma mistura de uma parte de prata (20%), para cada quatro partes de cobre (80%), com um peso de 2,301 gramas. O montante autorizado foi de 300.000 ducados.
De acordo com o projeto idealizado por Turrillo de Yebra, no reverso iria constar uma romã (símbolo do Novo Reino de Granada) entre as duas colunas de Hércules, sendo o conjunto ladeado pelas letras P e V de PLVS VLTRA. Convém ressaltar que esta cunhagem em bilhão foi de extrema importância para se obter a aprovação real do empreendimento, haja vista que a sua composição fortemente degradada resultaria em um benefício líquido de 40% do valor total das emissões, para o próprio rei. Turrillo até inventou um especial engenho (prensa de cunhagem) para fabricar estas moedas com mais eficácia e rapidez.
Mais tarde, pelo Real Decreto de 10 de Junho de 1620, uma Casa da Moeda foi aberta em Cartagena, também autorizada a cunhar moedas de 1/4 de Real de baixa fatura, em bilhão enriquecido, para substituir a prata boa então em circulação. Em 9 de Maio de 1621, Turrillo finalmente chegou a Cartagena com equipamentos para dar início aos trabalhos da Casa da Moeda, acompanhado de seus oficiais (incluindo o ensaiador de sigla “A”, cuja identidade ainda é desconhecida). Em julho do mesmo ano (com duas ordens sucessivas desse mesmo mês de Maio), a “Audiência de Santa Fé”, finalmente autorizou a cunhagem de 60.000 ducados em moedas de ¼ de real, em bilhão, em Cartagena. Na prática, esta foi a autorização formal para que a Casa da Moeda iniciasse as cunhagens. Contudo as autoridades de Cartagena iriam resistir à produção de moedas de baixa fatura, temendo as consequências de um problema sério devido à troca de moedas de boa fatura, de prata, por outras degradadas, cunhadas em liga de prata baixa.
O que aconteceu depois é ainda objecto de alguma controvérsia, mas de acordo com o depoimento posterior de Turrillo entendemos que diante da desobediência das autoridades do Cartagena, ele (Turrillo) se viu obrigado a transferir o equipamento e os oficiais para Santa Fé, onde o primeiras moedas foram finalmente cunhadas, incluindo alguns quartos de Real, em bilhão, que aparentemente foram bem aceitos, quando postos em circulação.
Estes primeiros problemas podem muito bem ser os únicos datados de 1619-1622, que mostram um ensaiador inicial “A”, e a marca S, SF, ou NR. Se essas primeiras emissões foram cunhadas em Cartagena ou em Santa Fé (ou em ambos os locais) é irrelevante para a análise das próprias moedas, visto que os mesmos moldes teriam sido usados em diferentes locais de cunhagem. Entre Fevereiro e Abril de 1622, Turrillo retornou à Cartagena levando consigo o equipamento de e oficiais da Casa da Moeda, e tentou reiniciar as operações de cunhagem naquela Casa. Não obtendo o sucesso desejado, em seguida partiu para a Espanha para reclamar pessoalmente com o Rei, relatando a hostilidade das autoridades de Cartagena, ao dificultar suas operações de cunhagem (Turrillo chegou a Havana de 22 de Agosto de 1622, de acordo com o seu próprio testemunho). Evidentemente, não foram feitas muitas moedas de ¼ de Real em bilhão, entre 1621 e 1622; Barriga Villalba cita um total de 5.409 pesos em cunhagens dessa moeda de baixa fatura, emitidas durante esse período. Não existem outras moedas cunhadas em qualquer uma das duas Casas entre a partida de Turrillo e o seu retorno a Cartagena em 1625. Essa moeda só pode ter sido cunhada no início de 1622, ou entre Março de 1625 e Agosto de 1626. Estes são os únicos dois períodos durante os quais uma das duas Casas (Cartagena ou Santa Fé) estiveram em atividade, pois a cunhagem em prata baixa foi proibido em seguida.
Se a primeira hipótese (cunhada em 1622) for aceita, então Turrillo fabricou a moeda, contrariando as regras então em vigor uma vez que apenas moedas de ¼ de Real foram autorizadas
A segunda hipótese (cunhada entre Março de 1625 e Agosto de 1626) implica em dizer que Turrillo empregou matrizes de 1622 durante os anos de 1625 e 1626 1625-1626, teoria mais aceita com base em outros exemplares, como as moedas de 1619 (que não poderiam ter sido cunhadas antes de 1621). Além disso, um aspecto fundamental é que Turrillo reclamou e declarou que estas novas moedas de prata baixa (as novas denominações de ½ e 1 Real) eram mais espessas, e seria muito difícil cunhá-las com o dispositivo que ele havia inventado para a cunhagem em bilhão. Se Turrillo usou o mesmo dispositivo para todas as cunhagens de prata baixa, faria sentido usar o romã entre pilares no reverso, o que havia sido projetado para as cunhagens de moedas de ¼ de Real.

Assim, deve-se atribuir a esta moeda, a condição de único exemplar conhecido de ½ Real em “plata baja” (prata baixa), entre os que foram provavelmente cunhados entre 1625-1626.


SOBERANOS QUE BATERAM MOEDA EM SANTA FÉ DE BOGOTÁ

Governo de Felipe V (1683 – 1746) - Neto do rei Luis XIV de França, subiu ao trono da Espanha porque sua avó, a rainha Maria Teresa, mulher do rei Sol, era filha em primeiras núpcias de Felipe IV de Espanha, e meio-irmã do último rei espanhol da dinastia dos Absburgos, Carlos II da Espanha.

O desastroso governo do Vice-Rei Jorge de Villalonga desencadeou o processo que viria a por fim ao Vice-reinado, retornando o Novo Reino e sua antiga forma de governar. Porém, em 1739 voltou a restabelecer-se o Vice-reinado por Ordem Real de 20 de Agosto, com jurisdição nas Províncias de Santa Fé, Nuevo Reyno de Granada, Chocó, Popayán, Antioquia, Cartagena, Panamá, Protobelo, Darién, Rio Hachas, Caracas, Guayana e Rio Orenoco, Maracaibo e Cumaná, e no reino de Quito e Guayaquil e nas ilhas de Trinidad e Margarita.

Quando a coroa considerava que a criação de uma nova Casa da Moeda nas Províncias espanholas da América, não era adequado nem tampouco rentável, concediam seus direitos a privados, os quais, mediante pagamento de percentuais, mais a obrigação de custear as instalações necessárias, adquiriam o privilégio perpétuo, em foro de herança, na condição de Tesoureiros das oficinas que fundavam.  Felipe III, em 1620, deu a ordem de criar a Casa da Moeda em Santa Fé. Dois anos depois esta Casa começou a funcionar com o sistema manual de cunhagem a martelo, seguidamente encerrando suas atividades para, de novo, se restabelecer em 1739, durante o Vice-reinado.


Em 1718, Felipe V concedeu a José Prieto de Zalazar o privilégio de reabrir uma ou mais Casas da Moeda, por sua conta e risco, no Novo Reino de Granada. A Casa por ele fundada passou a funcionar em breve tempo, passando a seus herdeiros e sucessores até ser, finalmente, incorporada à Coroa em 1751.

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

M. A sigla pertence a Miguel Molano que em 18 de Agosto de 1732 foi nomeado ensaiador da Casa da Moeda de Santa Fé, sbustituído por Sánchez de la Torre, devido à sua enfermidade.


S. Apesar de alguns autores sustentarem que se trata da sigla de Sebastián Rivera, somos de opinião que pertença a Sánchez de la Torre que, antes de substituir Miguel Molano, já trabalhava na Casa da Moeda como auxiliar do mestre ensaiador.


Governo de Fernando VI (1713 – 1759) - Fernando (Ferdinando) VI nasceu no Real Alcázar de Madrid, em 23 de Setembro de 1713, filho do rei Filipe V de Borbone e de Maria Luisa Gabriella de Savóia. Foi rei da Espanha de 1746 até a sua morte. 

Marcas FS, SF e NR - Cunhagem a martelo e a moinho.

A marca da Casa da Moeda de Santa Fé foi uma das que mais mudou entre todas as outras das Províncias espanholas. É encontrada com as siglas FS, ou também invertida SF, e também NR de Nuevo Reyno. Nesta última, as iniciais não fazem referência ao nome da cidade onde a Casa da Moeda estava instalada, mas sim ao território (Nuevo Reyno) do qual Santa Fé era a capital. A explicação para isso é que nos acordos (documentos) realizados entre o monarca e o concessionário da exploração da Casa da Moeda, era mencionado apenas o território e não a capital. 

Santa Fé foi, juntamente com Guatemala e Lima, uma das três Casas da Moeda que variou seu sistema de cunhagem de moedas durante o reinado de Fernando VI. Durante o governo desse monarca foram fabricadas onças (moedas de ouro de 8 escudos) macuquinas e circulares, com busto e cordão. Estas últimas, cunhadas a moinho, foram fabricadas a partir do ano de 1756, enquanto as macuquinas seguiram circulando muitos anos depois de terem suspendido sua produção, apesar das leis proibirem o seu uso. Seu aspecto tosco, agravado pelo cerceio fraudulento, terminou por decretar seu recolhimento e fundição, o que consequentemente as tornaram raras, haja vista a pequena quantidade que resistiram até os nossos dias.

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

J. Esta sigla pertence a José Prieto Salazar ou a Joaquín de Burgos, não se sabe ao certo.

JV. São as siglas de Juan de Chávez e de Victoriano del Valle, que ensaiaram conjuntamente as onças de 1759 e 1760. Ambos continuaram como ensaiadores no governo de Carlos III.


S. A sigla pertence, provavelmente, a Sebastián de Rivera, que iniciou como ensaiador em 1744, prosseguindo com seu tarbalho durante o governo de Felipe V. Na figura acima, circundado em vermelho, as letras NR da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno) e a inicial S do ensaiador.

SJ. Possivelmente pertencem a José Sanchez de la Torre e a José Prieto Salazar. Algusn autores sustentam que sejam as silgas de Sebastián Rivera e de Joaquín de Burgos.


Governo de Carlos III (1716 – 1788) - Foi duque de Parma e Piacenza com o nome de Carlos I, de 1731 a 1735; rei de Nápoles e da Sicilia (era Carlos VII de Nápoles, segundo o provimento papal, mas nunca usou tal ordenança). Era, contudo, Carlos III rei da Sicilia, de 1735 a 1759, e deste ano até a morte do rei da Espanha com o nome de Carlos III.

Primogênito de segundas núpcias de Filipe V de Espanha, com Elisabetta Farnese, durante a sua infância era o terceiro na linha de sucessão ao trono espanhol, o que fez com que sua mãe se apressasse em lhe arrumar uma coroa na Itália, reivindicando a antiga e potente linhagem dos Farnese e dos Medici, duas dinastias italianas, nessa época próximas da extinção. Graças a uma eficaz combinação de diplomacia e intervenções armadas, sua mãe conseguiu obter das potências européias o reconhecimento dos direitos dinásticos de Carlos sobre o Ducado de Parma e Piacenza, do qual veio a se tornar duque em 1731, sendo declarado no ano seguinte como príncipe herdeiro do trono de Espanha.

Dentro do Vice-reinado de Santa Fé ou de Nova Granada, existiam duas Casas da Moeda, uma de Popayán e outra que cunhou sob o reinado de Carlos III, sempre com a marca NR.
Existem três tipos de busto incisos nas moedas durante esse período: De 1760 a 1762 com o perfil de Fernando VI. De 1762 a 1771 passou a ser gravado o busto de Carlos III, com traços juvenis e semelhantes aos cunhados nas Casas da Moeda de Madrid em 1760, Sevilha em 1762, Guatemala de 1765 a 1770, Lima de 1763 a 1768, México de 1762 a 1771 e Santiago de 1765 a 1770. Finalmente, de 1772 a 1789, foi usado no anverso, o busto usual de Carlos III, como o conhecemos. No primeiro ano de seu reinado, em Santa Fé, não foram cunhadas moedas de ouro e nem de prata.  

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

JJ. As sigla pertencem a Juan de Chávez e a Juan Rodríguez Uzquiano. Este último, em 17 de Outubro de 1759, tomou posse do cargo de ensaiador, sendo ordenado Ensaiador Maior, em 7 de Junho de 1764.

JV. Estas siglas pertencem ao anteriormente mencionado Juan de Chávez e a Victorino del Valle, que de 1760 a 1769 passaram a colocar suas iniciais nas moedas de Santa Fé.

V. É provavelmente a sigla de Victoriano del Valle.

VJ. São as siglas de Victoriano del Valle e de Juan Chávez que a partir de 1770 invertem a ordem das iniciais, colocando primeiro a sigla V, seguida da sigla J


O raríssimo Colunário 1770 NR Nuevo Reino, sob o governo de Carlos III

Poucas moedas no mundo despertam tanto interesse numismático como os Colunários (pillar dollars), cunhadas entre 1732-1773, em inúmeras Casas da Moeda espanholas nas Américas. Na segunda metade do século XVIII, os Colunários tinham se tornado uma moeda de aceitação mundial, amplamente utilizada na Europa, nos Estados Unidos (onde tinha curso legal) e no Extremo Oriente. 

Figura: Raríssimo Colunário de 1770 NR Nuevo Reino - Ensaiadores VJ (Victoriano del Valle e Juan de Chávez que trocaram as suas iniciais JV, usadas até 1769, por VJ, usadas a partir de 1770); não catalogada no Cayon, Calicó 1000, MS64 NGC. Leiloada nos EUA por Heritage, leilão 3005 de Maio de 2009, lote 20694, por US$ 80.500,00 (dólares americanos), equivalentes, ao câmbio de hoje, a R$ 290.000,00 (duzentos e noventa mil reais).
O antigo e novo mundos são retratados no anverso da moeda, coroados entre os dois pilares de Hércules com a legenda “VTRAQUE VNUM” (ambos são um). No reverso, nas Armas de Castela e Leão são exibidos sob a coroa espanhola, o valor de circulação “8”, à direita, e as iniciais VJ dos gravadores, à esquerda. De todos os Colunários cunhados, as peças fabricadas em Santa Fé de Bogotá, Nueva Granada (hoje Colômbia), na Casa da Moeda de Nuevo Reyno, são talvez as mais desejadas entre os colecionadores e numismatas em todo o mundo. 

Estas moedas só foram cunhadas em 1759, 1762 e 1770, todas extremamente raras com pouquíssimos exemplares conhecidos. O Colunário de 1770, cunhado na Casa da Moeda de Nuevo Reyno, era desconhecido até cerca de três anos atrás, quando exatamente 14 (quatorze) moedas foram encontrados nas antigas fundações da Igreja Nuestra Señora del Pilar, em Bogotá.

Esta igreja, que também foi um convento e escola para meninas, existiu de 1770 até 1948, quando foi incendiada durante grandes tumultos em Bogotá. A igreja foi finalmente demolida, e a área foi transformada em um parque de estacionamento. Alguns anos atrás, começou a construção de um novo edifício. Quando os operários se ocupavam das escavações no parque, encontraram um pequeno grupo de moedas entre as ruínas da antiga igreja; entre elas os quatorze Colunários datados 1770 da Casa da Moeda do Nuevo Reyno. 

De acordo com a tradição espanhola, quando é colocada a primeira pedra da fundação de um edifício, esta é abençoada e, em casos particulares, esculpida, gravada, e moedas são colocadas em seu interior. Dentro desta pedra, mais de 100 (cem) moedas foram encontradas, a maioria delas macuquinas de 2 Reales, algumas moedas de ouro, e numerosos Colunários provenientes do México. Como não há registros anteriores de Colunários de 1770 do Nuevo Reyno, é provável que estas peças tenham sido cunhadas extraordinariamente para as cerimônias da Igreja Nuestra Señora del Pilar. Todas as moedas encontradas foram vendidas para colecionadores privados e museus na Colômbia e Espanha. O comprador original das moedas manteve as duas de melhor qualidade para si próprio (uma delas pode ser vista na imagem acima). Com uma cunhagem muito bem centralizada, batida forte e nítida, a maioria delas conservou grande parte do seu brilho original.


Governo de Fernando VII (1784 – 1833) - Foi o Rei da Espanha em dois períodos: durante três meses em 1808, até à sua abdicação, e novamente, após sua restauração em 1813 até à data da sua morte. Depois de ser tirado do trono por Napoleão Bonaparte, ligou sua monarquia a medidas contra-revolucionárias e reacionárias, criando uma enorme rixa entre seus apoiadores de direita e os liberais de esquerda. Reestabeleceu o absolutismo na Espanha e rejeitou a constituição liberal de 1812. Reprimiu a imprensa e prendeu muitos dos editores e escritores. A Espanha acabou entrando em um período de guerra civil após a sua morte, quando foi sucedido por sua filha Isabel II. 

A Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá cunhou onças e escudos, sempre com o busto de Carlos IV, em todos os anos que compreendem o reinado de Fernando VII, até a sua independência. As onças de Fernando VII, cunhadas em Santa Fé e em Popayán tem seu nome abreviado FERDND em lugar de FERDIN, como gravavam as outras Casas da América Espanhola
No período que vai de 1813 a 1815, foi interrompida a cunhagem em prata na Casa da Moeda de Santa Fé, que voltou a cunhar moedas argênteas a partir de 6 de Maio de 1816, dia em que as tropas reais ocuparam novamente a cidade. Durante a Guerra pela Independência e devido aos ataques constantes que o exército do monarca sofria constantemente, tentaram fundar uma terceira Casa da Moeda no Vice-reinado de Nova Granada, tendo sido escolhida Medellín com grande apoio da população, idéia rechaçada pelo governo.

Siglas dos ensaiadores da Casa da Moeda de Santa Fé de Bogotá (Nuevo Reyno)

JF. Estas siglas pertencem a Juan Anbtonio Rodríguez Ezquiano e a Francisco Rodríguez.

JJ. Estas siglas pertencem a Juan Anbtonio Rodríguez Ezquiano e a Juan José Truixillo y Mutienz, ensaiadores de 1789 a 1808.